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@CrisRibeiro

Cristiane Inácio Ribeiro Carneiro
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Público
#Desafio 026
“Sussurros e Espelhos” é um conto sobre o tempo, o amor e a aceitação. Não é sobre apenas mais um dia, mas “o dia”, em que o protagonista se redescobre nos reflexos de sua vida. Entre cafés silenciosos, mensagens que atravessam distâncias e memórias que aquecem o peito, ele encontra a paz de ser imperfeito e a coragem de se reconhecer inteiro.

Dedicado a Alberto, uma pessoa mais que especial, que hoje celebra sua vida. Que este texto, como um abraço em palavras, inspire reflexões suaves e lhe traga o calor de quem o admira profundamente.
Feliz aniversário!
@Albertobusquets
Público
#Desafio 025

Confiamos em nós:
adultos, centrados, racionais.
Mas no fundo, sabemos:
a razão também tropeça.

Permitimo-nos:
flertar com o instante,
desejar o improvável;
descobrir o fogo que queima e escapa,
o abraço que não prende.

E então, nos abandonamos:
ao instinto que ri da lógica,
à paixão que descompassa o peito;
à emoção que é rasgo e cura.

Sonhamo-nos:
entrelaçados no acaso que escorre,
amados de maneira imperfeita:
plenamente saciados…

Ou talvez não.

Crs Ribeiro
Público
#Desafio 24

#

Em ti, me dissolvo.
Meu corpo vago te exige:
não há dúvidas em meu ser.
Faço do toque
o meu sacramento,
em que a carne se desfaz
e a alma me abandona
quando tua boca
encontra meu caos.

Não me beijas,
me consomes
com a fome primitiva de teus dentes.
As marcas que aninho em tua pele,
são brasões do querer
que desmente o tempo
e proclama, sem temor,
a única verdade: nós.

Arrasto-te à cama
não por alívio,
mas pela doce centelha,
fagulha do desespero
que devora o que sou.

Entrego-me a ti
não para amar apenas,
mas para subverter
toda ordem do mundo,
derrotar minhas crenças,
romper a moralidade
entre o que fui e o que me tornarei.
Em ti, me aniquilo.

Teus dedos são aço,
meus seios, oferendas.
Renuncio a mim mesma
em gemidos que se esvaem:
o prazer é morte sublime
que nos faz, por um instante,
existir.

Toda tua,
me deixo levar
ao frenesi de tua posse,
onde tudo se perde
e aprendo que o desejo,
de tanto pulsar,
esqueceu de saber
o que é apenas ser.

Crs Ribeiro
Público
#Desafio23

O recomeço pede espaço,
tudo que nasce precisa de chão.
Um desejo já se plantou:
confie no broto que insiste em nascer.
É ele que sabe o caminho.

Não se apresse.
Integre os pedaços dispersos,
junte os cacos do tempo.
Com equilíbrio e prudência,
os passos tornam-se raiz.
O caminhar lento
é garantia de chegar inteiro.

Há um instante em que o velho se desfaz,
o peso cai,
e o que era ferrugem
vira folha seca no vento.

O novo chega leve:
pássaro despido
ganhando plumas de luz.
Mais simples, mais vasto, mais céu.

Porque evoluir é isso:
despir-se das terras que pesam
e refazer-se em asas.

Crs Ribeiro
Público
#Desafio 022

Vento varreu
meu peito vazio,

não poupou estacas,
dobrou esquinas,
despencou segredos
das prateleiras do tempo.

Arrancou linhas tortas,
amassou as sombras
das roupas que um dia vesti;
desfez o nó dos dias esquecidos.
E tudo o que era poeira,
tudo o que havia omitido,
voou…

Vento rugiu
no meu peito!

Deixou nu o chão da alma,
onde germina agora
um nome: o teu.

Nome cravado na carne do instante:
não cede, não cala;
é vasto, absurdo,
uma prece de fogo,
uma dança.

Feita de ti.
Feita de nós.

Crs Ribeiro
Público
#Desafio 021

Chuva na janela,
gota a gota,
melodia de quem não desiste.
No vidro,
no parapeito;
bate, escorre, insiste.

Diz sem dizer:
“Carrego o que pesa,
limpo o que dói;
traduzo o viver
no que há de mais simples”.

Faça o mesmo contigo,
deixe escorrer o pranto.
Permita, das lágrimas,
o estrondo mais forte;
a enxurrada arrastar fragmentos…

Sinta o calor da terra molhada,
o cheiro de renovação no ar.

Só assim,
no vácuo do grito,
brilhando tímido,
mas firme;
o sol volta a nascer.

Crs Ribeiro
Público
#Desafio 020

270 Dias

270, número inteiro,
narrador silencioso do beijo suspenso.
Em cada estrofe,
um suspiro de vontade.

O azimute, implacável,
aponta o oeste do peito,
onde o sol morre,
e meu sentimento renasce.

E, de tanto querer,
em círculos me perco:
completo três quartos de volta,
eternamente em torno de ti.

Divisível por quinze,
mas quem diz que o amor se reparte?
O teu ocupa-me inteira,
como as palavras que sobram
quando me faltas.

Cada um desses dias
conta o acaso do encontro.
E a saudade?
Ah, a saudade se mede em segundos,
pois o amor,
esse, não conta nada.
Ele se faz infinito
e apenas fica.

Crs Ribeiro
Público
#Desafio 019

Amor-Sol

Talvez fosse mais
do que via,
qualidades
raras,
escondidas até dela…

Cresceu pequena,
virou medo.
Esqueceu da grandeza
que cabia em si.

Temia a soberba,
não sabia
que confiança é,
também, proteção.

Se fazia menor,
mesmo sabendo
ser grande.
Pedia amor-dó,
recebia amor-nada.

Tornou-se
amor-só,
um querer que se esconde,
relegado ao silêncio,
ao não-amar.

De tanto curvar-se,
foi chão.
Sentiu o apoio
dos braços,
se ergueu.

Não pediu,
não esperou,
fez-se.

Recolheu migalhas,
deu banquete
de si mesma,
tornou-se amor-Sol.

E então,
não brilhou mais.
Explodiu.

Crs Ribeiro
Público
#Desafio 018

A vida em Ana
nunca foi rima.
Três casamentos,
todas as linhas
quebradas.

Se a pele ficou inteira,
o coração virou caco,
juntado no silêncio
de quem nunca para.

Quatro filhos cresceram,
e ela com eles.
Medo?
É coisa que passa.
Ana, não.

Sorria sempre.
Uma reza rápida,
um bolinho no prato,
flores na mesa,
porque o mundo precisa
de cor onde dói.

Ao contrário da vida,
ela era força.
Não força bruta,
mas a força que cala,
que carrega.
No delicado dos gestos,
Ana era poema.

Crs Ribeiro

*** Para a doce Ana, que me ensina todos os dias o valor dos gestos simples e da força silenciosa.
Público
#Desafio 017
#

Na parede
te encosto,
apalpo
teu peito,
teu dorso.

Lambo o pescoço,
a orelha.
Em cada curva,
me perco,
me acho.
Te esfrego,
me viro
de costas.

Rebolo,
teço labirintos
de pele.
Minhas mãos,
teus desejos;
tuas mãos,
meus segredos.

Eu gemo,
eu arquejo
e desço.
Tão duro:
beijo,
chupo,
devoro
o instante,
cruel e sagrado.

Te puxo
pra cama,
o olhar
(tão sacana!),
sem dó
nem poema.

Me ofereço:
banquete.
Coma,
até que a volúpia
(fera solta),
se espalhe,
se perca,
desafie o limite
e regurgite
o que não tem
nem jeito
de aquietar.

Crs Ribeiro