#Desafio 034
(Des) montagem
Construo
com tudo que sou:
cabeça, olhos, fala.
Édens, searas,
castelos de vento…
Belos no sonho,
no toque, no traço.
Na vida?
Anseio encaixes.
Aperto. Forço. Insisto.
Nada feito.
Bloco sem base,
peça sem par,
casa sem chão.
Fico. Olho.
Ruindo, desmanchando.
O que resta?
Um punhado de nada
e a certeza de sempre:
recomeçar.
Quem sabe, um dia,
me encaixar.
Crs Ribeiro
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Uma declamação de maio de 2024: “Coração” de Alberto Busquets. Sim, sou fã dele!
Olá! Vou trazer as publicações da minha página @declamar_poesias, aos pouquinhos, para cá. Espero que gostem.
A primeira declamação foi do belíssimo poema “O Beijo”, de Alberto Busquets, em maio de 2024.
@
A primeira declamação foi do belíssimo poema “O Beijo”, de Alberto Busquets, em maio de 2024.
@
#Desafio 033
Cafuné:
cheiro
beijo suave de alento.
Adormeço no abrigo
morno do teu peito.
Pele, pelos
pintas soltas
bordam sonhos
bordam vida
bordam nós:
nós dois.
Teus dedos traçam rotas:
giz delicado
vento manso.
Desenha rios
nas margens tensas
das minhas costas.
Carinho.
Canção.
Amor que dói
mas dói bonito.
Amor que embala
e sempre regressa.
Amor que ama
e tem de volta.
Mar que à praia retorna
sem nunca ter partido.
Crs Ribeiro
Cafuné:
cheiro
beijo suave de alento.
Adormeço no abrigo
morno do teu peito.
Pele, pelos
pintas soltas
bordam sonhos
bordam vida
bordam nós:
nós dois.
Teus dedos traçam rotas:
giz delicado
vento manso.
Desenha rios
nas margens tensas
das minhas costas.
Carinho.
Canção.
Amor que dói
mas dói bonito.
Amor que embala
e sempre regressa.
Amor que ama
e tem de volta.
Mar que à praia retorna
sem nunca ter partido.
Crs Ribeiro
#Desafio 032
O Banho
Merece poema?
Busto, estátua?
Até placa dourada na praça!
Na água que cai
a vida escorre;
se gasta, se passa.
Gota a gota
o dia desaba.
Desata nós
ralo abaixo…
A espuma embala:
sou mar
sem saber.
A água toca. E pronto!
Sem discursos,
sem promessas.
Só o gesto:
lava, leva, deixa.
Renovação?
Rotina?
Epifania sem plateia?
O mundo some no vapor,
a alma à meia-luz.
Abraço líquido, sem pressa,
instante banal.
O banho me apaga um pouco.
E nisso… me faz imortal!
Crs Ribeiro
O Banho
Merece poema?
Busto, estátua?
Até placa dourada na praça!
Na água que cai
a vida escorre;
se gasta, se passa.
Gota a gota
o dia desaba.
Desata nós
ralo abaixo…
A espuma embala:
sou mar
sem saber.
A água toca. E pronto!
Sem discursos,
sem promessas.
Só o gesto:
lava, leva, deixa.
Renovação?
Rotina?
Epifania sem plateia?
O mundo some no vapor,
a alma à meia-luz.
Abraço líquido, sem pressa,
instante banal.
O banho me apaga um pouco.
E nisso… me faz imortal!
Crs Ribeiro
#Desafio 31
#
Não tenho medo
de guiar o prazer.
sei onde arde,
onde morro,
onde você toca
e me acende.
Sem meias palavras,
não digo “talvez”;
só agora.
Se pode ser bom,
por que não?
Mas calma,
não é só sobre mim.
Entre os meus prazeres,
o seu:
sendo espelho,
sendo fogo,
sendo nós.
Quero a fúria de nos ver
em pleno incêndio,
gemendo verdades
que o desejo inventa.
Hoje te mostro o caminho.
Amanhã,
sou tua aprendiz.
No meio disso,
a língua, o murmúrio, o grito,
e tudo o mais
que nossas bocas consagrem.
Crs Ribeiro
#
Não tenho medo
de guiar o prazer.
sei onde arde,
onde morro,
onde você toca
e me acende.
Sem meias palavras,
não digo “talvez”;
só agora.
Se pode ser bom,
por que não?
Mas calma,
não é só sobre mim.
Entre os meus prazeres,
o seu:
sendo espelho,
sendo fogo,
sendo nós.
Quero a fúria de nos ver
em pleno incêndio,
gemendo verdades
que o desejo inventa.
Hoje te mostro o caminho.
Amanhã,
sou tua aprendiz.
No meio disso,
a língua, o murmúrio, o grito,
e tudo o mais
que nossas bocas consagrem.
Crs Ribeiro
#Desafio 030
E foi ontem…
Bela, era ela:
chuquinha
batom vermelho
joelho ralado
saia ao vento
sorriso solto.
A mais doce menina
mão na minha
pula num pé
rola com o Stopa
chama de pulguento
mas o aperta no peito.
Corre, salta, escorrega
chega em casa
terra na pele .
Banho longo
sabonete espuma
o dia nas pernas.
Jantinha quente
pijama macio
chupeta
dedo no cabelo.
Me abraça
vira, apaga.
Quem me dera
quem soubera
guardar o tempo
num bolso qualquer.
Crs Ribeiro
E foi ontem…
Bela, era ela:
chuquinha
batom vermelho
joelho ralado
saia ao vento
sorriso solto.
A mais doce menina
mão na minha
pula num pé
rola com o Stopa
chama de pulguento
mas o aperta no peito.
Corre, salta, escorrega
chega em casa
terra na pele .
Banho longo
sabonete espuma
o dia nas pernas.
Jantinha quente
pijama macio
chupeta
dedo no cabelo.
Me abraça
vira, apaga.
Quem me dera
quem soubera
guardar o tempo
num bolso qualquer.
Crs Ribeiro
#Desafio 029
Tolice amar-te
sem dar-te asas inteiras,
deixar-te solto no vento
para tudo que desejares.
Insensatez querer-te cativo,
sufocar teus anseios
e esperar-te, pássaro,
de volta ao ninho.
Teu corpo presente,
tua mente em outras marés.
De que vale tal gaiola,
se o amor é céu azul e amplidão?
Quero-te feliz,
pleno;
quero-te sendo.
E, na parte que me cabe,
quero-te escolhendo ser nós.
Crs Ribeiro
Tolice amar-te
sem dar-te asas inteiras,
deixar-te solto no vento
para tudo que desejares.
Insensatez querer-te cativo,
sufocar teus anseios
e esperar-te, pássaro,
de volta ao ninho.
Teu corpo presente,
tua mente em outras marés.
De que vale tal gaiola,
se o amor é céu azul e amplidão?
Quero-te feliz,
pleno;
quero-te sendo.
E, na parte que me cabe,
quero-te escolhendo ser nós.
Crs Ribeiro
#Desafio 028
Se julgava perfeita.
Pior. Fazia da falha alheia
sua missa de domingo.
Duzentos gramas a mais
e seu olhar já fuzilava:
“Engordou, hein?”
Ela? Um clichê de vitrine.
Loira, bunda empinada,
gordura? Nenhuma.
Noção? Menos ainda:
“Viu como está desleixada?
Começaram a namorar
e parou de se cuidar.
Logo leva um pé…”
Rainha das quadras,
musa da academia,
com sua corte fiel:
amigas plastificadas,
série limitada, anos 80.
Não tão raras.
Todas malhadas.
Todas bronzeadas.
Todas traídas.
Porque o que ninguém diz
(mas todo mundo sabe)
é que o corpo nunca basta.
Parece suficiente…
até o dia em que não é.
Mas como é doce esfaquear
o que falta no outro.
Difícil mesmo é encarar
o espelho da alma:
onde o vazio não pesa,
mas dói.
Afinal, essência não se esculpe.
Não há Pilates para a alma.
E isso, espelho algum
consegue perdoar.
Crs Ribeiro
Se julgava perfeita.
Pior. Fazia da falha alheia
sua missa de domingo.
Duzentos gramas a mais
e seu olhar já fuzilava:
“Engordou, hein?”
Ela? Um clichê de vitrine.
Loira, bunda empinada,
gordura? Nenhuma.
Noção? Menos ainda:
“Viu como está desleixada?
Começaram a namorar
e parou de se cuidar.
Logo leva um pé…”
Rainha das quadras,
musa da academia,
com sua corte fiel:
amigas plastificadas,
série limitada, anos 80.
Não tão raras.
Todas malhadas.
Todas bronzeadas.
Todas traídas.
Porque o que ninguém diz
(mas todo mundo sabe)
é que o corpo nunca basta.
Parece suficiente…
até o dia em que não é.
Mas como é doce esfaquear
o que falta no outro.
Difícil mesmo é encarar
o espelho da alma:
onde o vazio não pesa,
mas dói.
Afinal, essência não se esculpe.
Não há Pilates para a alma.
E isso, espelho algum
consegue perdoar.
Crs Ribeiro
#Desafio 27
O Céu, em véus de nuvem,
ao amante replicou:
“Ah, Mar,
meu reflexo em espelho encantado,
em teus braços liquefeitos me conténs.
Meu destino é disperso,
sou vasto, mas nunca inteiro…
Teu sopro canta os ais que não me vêm
ecos da amplidão que te habitas.
És segredo que meu azul anseia:
profundo tal as dores que calamos.
Quisera ser gota, espuma, correnteza,
fundir-me ao teu ser,
perder-me no compasso de tuas marés.
E se me faço chuva,
é só para teu rosto tocar e ser em ti.
Minha vastidão é ilusão fugaz,
tua profundidade é que me sustenta.
Somos um, somos dois, somos mais:
ciclo eterno, sem inicio ou fim.
Em teu limite, descubro o meu lugar.
E mesmo grandes, infinitos,
é o amor que nos basta
no nascer e apagar de todo dia”
O Céu, em véus de nuvem,
ao amante replicou:
“Ah, Mar,
meu reflexo em espelho encantado,
em teus braços liquefeitos me conténs.
Meu destino é disperso,
sou vasto, mas nunca inteiro…
Teu sopro canta os ais que não me vêm
ecos da amplidão que te habitas.
És segredo que meu azul anseia:
profundo tal as dores que calamos.
Quisera ser gota, espuma, correnteza,
fundir-me ao teu ser,
perder-me no compasso de tuas marés.
E se me faço chuva,
é só para teu rosto tocar e ser em ti.
Minha vastidão é ilusão fugaz,
tua profundidade é que me sustenta.
Somos um, somos dois, somos mais:
ciclo eterno, sem inicio ou fim.
Em teu limite, descubro o meu lugar.
E mesmo grandes, infinitos,
é o amor que nos basta
no nascer e apagar de todo dia”