#Desafio 006
As Mãos do Meu Pai
Mãos que guardam a força dos dias,
de quem cedo enfrentou o labor.
Aos nove, no campo,
cultivava esperanças,
sonhando além dos passos dos pais.
Lançou-se ao destino,
com a fé dos que teimam vencer.
Ergueu muralhas de luta:
formou um lar, semeou o amanhã,
colheu honrarias,
nunca esquecendo que o afago
vale mais que o aplauso intenso.
Mãos que tocaram mil faces
e jamais se ergueram como tempestade.
Que seguraram três filhos
com a firmeza de quem envolve o mundo.
Que se despediram da amada
em prantos calados,
cinquenta dezembros de amor,
força silente nos murmúrios do tempo.
Hoje, marcadas
por manchas e sulcos,
mapas que o tempo esculpiu sem pressa…
Cada traço é história,
cada linha, uma estrada que ficou.
Mãos que ainda seguram o peso do mundo,
mas o erguem com graça serena.
São porto onde ancoro meus dias,
baluartes contra ventos bravios.
Teus gestos são mais que memórias,
são futuro que ainda pulsa,
vida que germina,
que deseja e insiste
em ser raiz e ser asa.
Crs Ribeiro
#desafio 006
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#Desafio 005
Ah, esse coração armadilhado,
tão perito em fugir do risco!
Não sabes que a fragilidade
é linha fina,
fio que nos cose ao outro,
o rasgo que refaz.
A vida exige:
gira na roda dos ventos,
ou rompe, de vez,
a costura do medo.
Sê o afago,
riso que dança,
beleza que corta e cura.
Amor que queima,
lapida,
brilha diamante
no peito dos dias.
Renasce, menina,
olhar inquieto,
encantada com o mundo
pela primeira vez.
Entrega-te!
Flor que corta,
mistério que resta…
Amor é salto,
passo além do medo,
o infinito que pulsa
e não pede licença.
Simplesmente é.
Foi no ventre do tempo,
será no sopro do sempre…
E um dia, quem sabe,
tê-lo vivido bastará.
Crs Ribeiro
#desafio005
Ah, esse coração armadilhado,
tão perito em fugir do risco!
Não sabes que a fragilidade
é linha fina,
fio que nos cose ao outro,
o rasgo que refaz.
A vida exige:
gira na roda dos ventos,
ou rompe, de vez,
a costura do medo.
Sê o afago,
riso que dança,
beleza que corta e cura.
Amor que queima,
lapida,
brilha diamante
no peito dos dias.
Renasce, menina,
olhar inquieto,
encantada com o mundo
pela primeira vez.
Entrega-te!
Flor que corta,
mistério que resta…
Amor é salto,
passo além do medo,
o infinito que pulsa
e não pede licença.
Simplesmente é.
Foi no ventre do tempo,
será no sopro do sempre…
E um dia, quem sabe,
tê-lo vivido bastará.
Crs Ribeiro
#desafio005
#Desafio 004
Onde se esconde o divino?
Nos teus olhos,
nos meus.
Dois pontos no vazio:
somados,
fazem-se horizonte;
alados,
procura aflita
e, se permitidos,
carne viva
a pulsar ardida,
intermitente,
no descompasso da vida.
Ao deparar com o belo,
um suspiro;
mas que ventura descobrir
algo mais raro,
que arde na língua do espírito:
o despir da alma
revelando o avesso do véu,
descosturando a veste apática
ao expor o ser desconstruído.
E, perpetuando o olhar,
(doce, meigo, palatável)
o sagrado ali se nota
e o silêncio, outrora incômodo,
agora se torna cântico.
Crs Ribeiro
#desafio 004
Onde se esconde o divino?
Nos teus olhos,
nos meus.
Dois pontos no vazio:
somados,
fazem-se horizonte;
alados,
procura aflita
e, se permitidos,
carne viva
a pulsar ardida,
intermitente,
no descompasso da vida.
Ao deparar com o belo,
um suspiro;
mas que ventura descobrir
algo mais raro,
que arde na língua do espírito:
o despir da alma
revelando o avesso do véu,
descosturando a veste apática
ao expor o ser desconstruído.
E, perpetuando o olhar,
(doce, meigo, palatável)
o sagrado ali se nota
e o silêncio, outrora incômodo,
agora se torna cântico.
Crs Ribeiro
#desafio 004
#Desafio 003
#
Gosto do que és.
Não apenas na forma,
mas na essência que se revela,
emudecida,
entre um suspiro e outro.
Teu corpo,
horizonte aberto
onde desejo e admiração se cruzam.
Nudez que se oferece ao toque:
pelos macios no peito,
mapa que orienta minha língua em descoberta.
Teu umbigo,
vértice oculto
onde os mistérios me atraem ao centro.
As pintas,
astros negros
orientam meu anseio
quando navego nas rotas do deleite.
A pele,
brisa e convite,
frescor que me toma
gota a gota;
sutil perfume que guia o toque entre calores:
cheiro que devoro,
tato que entorpece;
superfície rosada,
quente e tesa no limite do querer.
Tuas veias,
riachos vivos,
revelam a pulsação do teu ser.
Os sinais,
destino traçado.
Não hesito,
não fujo:
a trilha leva à entrega.
O amor?
Um ritual de tempo efêmero,
feito por quem sabe que
(naquele instante)
o eterno me cabe.
Crs Ribeiro
#desafio 003
#
Gosto do que és.
Não apenas na forma,
mas na essência que se revela,
emudecida,
entre um suspiro e outro.
Teu corpo,
horizonte aberto
onde desejo e admiração se cruzam.
Nudez que se oferece ao toque:
pelos macios no peito,
mapa que orienta minha língua em descoberta.
Teu umbigo,
vértice oculto
onde os mistérios me atraem ao centro.
As pintas,
astros negros
orientam meu anseio
quando navego nas rotas do deleite.
A pele,
brisa e convite,
frescor que me toma
gota a gota;
sutil perfume que guia o toque entre calores:
cheiro que devoro,
tato que entorpece;
superfície rosada,
quente e tesa no limite do querer.
Tuas veias,
riachos vivos,
revelam a pulsação do teu ser.
Os sinais,
destino traçado.
Não hesito,
não fujo:
a trilha leva à entrega.
O amor?
Um ritual de tempo efêmero,
feito por quem sabe que
(naquele instante)
o eterno me cabe.
Crs Ribeiro
#desafio 003
#Desafio 001
“O Ano Novo de um tempo ido” é um passeio sensorial por um Ano Novo vivido aos olhos de uma criança, onde a magia da celebração transborda nos pequenos detalhes: os cheiros, os sons, os gestos de carinho e os olhares iluminados. É um convite a perceber como o tempo e as pessoas ao nosso redor se transformam diante da esperança e da renovação de um novo ciclo. Se você já viveu a espera de um recomeço, certamente se encontrará nessa história. #desafio (001)
“O Ano Novo de um tempo ido” é um passeio sensorial por um Ano Novo vivido aos olhos de uma criança, onde a magia da celebração transborda nos pequenos detalhes: os cheiros, os sons, os gestos de carinho e os olhares iluminados. É um convite a perceber como o tempo e as pessoas ao nosso redor se transformam diante da esperança e da renovação de um novo ciclo. Se você já viveu a espera de um recomeço, certamente se encontrará nessa história. #desafio (001)
Belo e nu.
As vestes nada escondem,
quando a alma se desnuda
em plena luz.
Trazes no peito as marcas,
feridas tão tuas, tão fundas,
que o tempo não calou.
Ah, essas frustrações
que não apagam o lume do olhar!
Sonhos dormem inquietos,
desejos tateiam o ar.
Sem bússola, sem norte,
mas plenos de fome.
Que a pele sedenta,
que os olhos febris,
ousados,
rompam as sombras.
Que busquem o pódio
beijando o caminho,
como quem dança com o porvir.
Vá! Sem promessas,
sem guarida,
como quem desafia o próprio céu.
Vá com a ousadia
de um peito que se guardou demais,
mas agora lateja,
querendo existir.
Querendo encontrar…
Crs Ribeiro
As vestes nada escondem,
quando a alma se desnuda
em plena luz.
Trazes no peito as marcas,
feridas tão tuas, tão fundas,
que o tempo não calou.
Ah, essas frustrações
que não apagam o lume do olhar!
Sonhos dormem inquietos,
desejos tateiam o ar.
Sem bússola, sem norte,
mas plenos de fome.
Que a pele sedenta,
que os olhos febris,
ousados,
rompam as sombras.
Que busquem o pódio
beijando o caminho,
como quem dança com o porvir.
Vá! Sem promessas,
sem guarida,
como quem desafia o próprio céu.
Vá com a ousadia
de um peito que se guardou demais,
mas agora lateja,
querendo existir.
Querendo encontrar…
Crs Ribeiro
Para equilibrar um peso,
é preciso o contrapeso:
verdade nua e crua,
gesto sabido de cor,
sem forçar o instante…
leve, quase imperceptível.
Não o vento que entra sem licença,
derruba portas
e segue.
Se o desequilíbrio se faz,
o pivô gira, o eixo cede.
A justiça escapa,
desliza sem pressa,
vai embora sem ruído;
como quem nunca quis ficar.
Se brincas comigo,
brincarei contigo,
mas não entrego a face ao golpe.
Não mais.
Não sou a menina que perdoa.
Não preciso ser boa,
nem mártir, nem santa.
Sou faca que corta o nó,
o verbo que se espalha pelo ar…
alma que arde inteira,
capaz de queimar ou iluminar.
Depende de quem toca a chama.
Este ano me ensinou
a acolher meus espectros;
oferecer-lhes café,
olhá-los sem piscar.
E a mim, abraçar com leveza,
ser sincera até os ossos,
livre dos medos que vestiam sombras,
livre do peso da fantasia.
Se o outro quer jogo,
que busque outro campo.
Aqui não há mais partidas,
não há peças para mover,
nem dores para adornar.
Só a paz que chega,
não como troféu,
mas como quem se impõe
após a tempestade.
É tudo ou nada.
E se nada for,
que o vazio seja meu,
pois aprendi a aquecer as mãos
no fogo que arde em mim.
Quem se ilumina assim
não teme as entrelinhas frias,
nem os abismos silenciosos
que já não olham de volta.
é preciso o contrapeso:
verdade nua e crua,
gesto sabido de cor,
sem forçar o instante…
leve, quase imperceptível.
Não o vento que entra sem licença,
derruba portas
e segue.
Se o desequilíbrio se faz,
o pivô gira, o eixo cede.
A justiça escapa,
desliza sem pressa,
vai embora sem ruído;
como quem nunca quis ficar.
Se brincas comigo,
brincarei contigo,
mas não entrego a face ao golpe.
Não mais.
Não sou a menina que perdoa.
Não preciso ser boa,
nem mártir, nem santa.
Sou faca que corta o nó,
o verbo que se espalha pelo ar…
alma que arde inteira,
capaz de queimar ou iluminar.
Depende de quem toca a chama.
Este ano me ensinou
a acolher meus espectros;
oferecer-lhes café,
olhá-los sem piscar.
E a mim, abraçar com leveza,
ser sincera até os ossos,
livre dos medos que vestiam sombras,
livre do peso da fantasia.
Se o outro quer jogo,
que busque outro campo.
Aqui não há mais partidas,
não há peças para mover,
nem dores para adornar.
Só a paz que chega,
não como troféu,
mas como quem se impõe
após a tempestade.
É tudo ou nada.
E se nada for,
que o vazio seja meu,
pois aprendi a aquecer as mãos
no fogo que arde em mim.
Quem se ilumina assim
não teme as entrelinhas frias,
nem os abismos silenciosos
que já não olham de volta.
Orgulho.
De alguns passos?
Sim, muito orgulho!
De passos com os pés quebrados,
como vidraças de uma casa sem teto,
e a alma rachada
depois de uma queda tão funda,
tão tortuosa,
que desaprendeu a andar.
Passos que vieram do nada,
de quem se sentiu sem nome,
sem sonhos,
só o desejo mudo de desaparecer.
Do vazio,
todo o vazio;
e o eco que nele dorme.
Dentro do peito,
um abandono pesado,
como pedra que recusa o rio.
Mas passos também vieram,
(um a um)
do grito da essência.
Essa que vive no fundo da carne
e sussurra entre dores:
“Levanta.
Ainda és estrada.”
E o que antes era poeira,
agonia e medo,
já não bastava para resumir.
Um passo.
Meio torto,
meio incerto,
sem saber onde,
só o porquê.
Mas o corpo sabia
o que a mente esquecia:
parar é morrer.
E viver é se inventar.
Hoje, os pés ainda doem.
Mas e o chão?
Ah, o chão murmura
ensaiando um canto
que amanhã será sinfonia,
um dia será dança,
outro, maratona…
Por enquanto,
é só caminho.
E orgulho.
Todo orgulho.
Crs Ribeiro
De alguns passos?
Sim, muito orgulho!
De passos com os pés quebrados,
como vidraças de uma casa sem teto,
e a alma rachada
depois de uma queda tão funda,
tão tortuosa,
que desaprendeu a andar.
Passos que vieram do nada,
de quem se sentiu sem nome,
sem sonhos,
só o desejo mudo de desaparecer.
Do vazio,
todo o vazio;
e o eco que nele dorme.
Dentro do peito,
um abandono pesado,
como pedra que recusa o rio.
Mas passos também vieram,
(um a um)
do grito da essência.
Essa que vive no fundo da carne
e sussurra entre dores:
“Levanta.
Ainda és estrada.”
E o que antes era poeira,
agonia e medo,
já não bastava para resumir.
Um passo.
Meio torto,
meio incerto,
sem saber onde,
só o porquê.
Mas o corpo sabia
o que a mente esquecia:
parar é morrer.
E viver é se inventar.
Hoje, os pés ainda doem.
Mas e o chão?
Ah, o chão murmura
ensaiando um canto
que amanhã será sinfonia,
um dia será dança,
outro, maratona…
Por enquanto,
é só caminho.
E orgulho.
Todo orgulho.
Crs Ribeiro