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O que é preciso
o que é sólido
o que é real
o que é enfim
que fica
significa
se todos somos
uma imagem
um sonho
de uma borboleta
Edu Liguori
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Pela manhã bem cedo
o sol invade minha casa
percorre tudo baixinho
ocupa
aos poucos se levanta
e deixa
por todos os cantos
os aromas de um novo dia
Edu Liguori
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Anoitecendo no Bar Olimpo
Hades exclama:
queria uma coca
só tem Perséfone
Depois de bebericar umas linhas
recorda assustado:
Deméter! me esqueci dela
deixei a prima da Vera pra trás
por Zeus essa mulher
vai fazer da minha vida
um inverno!
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As vezes eu não durmo para imaginar por mais tempo o que é o mundo quando você está sorrindo
Edu Liguori
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Um cálice de vinho
anilina
o ano (não) tem trezentos
e sessenta e cinco dias
(não) vivo bem sozinho
ela é só uma menina
estes artigos isentos
sobre o amor idiossincrasias
após o vinho
me afaste a gratidão
chegue mansinho
e segure com força
me destrua paixão
sugue contorça
chega de falácias
brutas são as núpcias
Edu Liguori
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Enquanto caminhava
ela surgiu nua sem cores
sombra luz e doces curvas
um momento um fragmento
o tormento do desejo infindo
a saliva preenchia a boca
o corpo cavernoso inchado
sequestrado sob a pele de outrem
puro nervoso faminto
instinto assassino
a história do olho
Edu Liguori
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Achei-me grande
sempre achei-me especial
podia crer que era diferente
me via como dedicado valente
granito mármore rocha estante
uma ilusão perene a sempre rio
entre as margens pão cão são não
achei-me grande que engano cruel
entre o mel o leite o fruto o dia o sol
quantas variáveis fixas contradição e pó
sem sentido a formiga dizia em sua língua
pequeno minúsculo só enganado morto e fim
Edu Liguori
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Perdi tudo
um giro da roleta
uma escolha
e nada restou
apenas memórias
lembranças agridoces
saudade do gozo
e os cheiros
perdi tudo
porque assim é
não há outro caminho
fiz bem minha trilha
não há volta
beijos perdidos
se vão para sempre
Edu Liguori
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Você se lembra
quando a carne tinha cheiro
calor
sabor salgado
e mordíamos
beijávamos
lambíamos
antes de consumí-la
hoje a carne é fria
elétrons na prateleira
das retinas iluminadas
sem sonho
sem fome
sem a morte
Edu Liguori
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‘Vira a cana e gasta a sola’
dizia o compadre Zé
Zé tava sempre certo
sábio das vilas e cortiços
Zé conhecia os caminhos
a branquinha no copo
o mocassim nos pés
e seguia o Zé, gastando
Zé não se apegava
pra não sofrer
Zé se entregava
pra não perder
entre idas e vindas
Zé gozou o simples
teve, viu, chorou e sorriu
assim como quem nada quer
mas não deixa nada passar
Zé tomou tapa e rasteira
perdeu estribeira
e ganhou galo na testa
mas viveu em festa
era bom de valsa
conversa e diz que me diz
Zé tava constante na roda
de samba, choro e arraia
esse soube viver
amou tanto que não teve tempo
de dizer adeus
Zé num desses arremedos
resolveu voar
e sem mais nem menos
não parou mais de sonhar
Edu Liguori
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