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@eduliguori

EDU LIGUORI
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@eduliguori
há 1 ano
Público
Sentado em uma pedra
ele mal pode ouvir o som da rebentação
está em outro plano
a espera do amanhã
contou todas suas histórias
mostrou todos os caminhos
na hora da verdade uma pausa
o julgamento e as escolhas
olha para o infinito
tenta ver-se junto dela
sorri por dentro
mas tem medo
o mar tem truques
que mesmo os mais experientes
desconhecem
nunca se sabe o que virá
essa é a mágica do horizonte
mas ali sentado
a espera do amanhã
aguarda o brilho do sol
a brisa que refresca
a cor dos olhos dela
o marfim dos dentes brancos
a maciez de sua boca
um beijo e paz

Edu Liguori
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@eduliguori
há 1 ano
Público
Deste dia que já passou
até o futuro que irá chegar
segue assim emaranhado
com o pensamento a vagar
poeta de carteirinha
romeiro insistente
segue o sonho que não acabou
vive a paixão da musa pequeninha
que o advento um dia lhe achegou
bagunçou, tripudiou, apaixonou
verbos, advérbios e adjetivos
os objetivos que planejou
(e não realizou)
emaranhado entre os ramos
da cerca viva de sentimentos
pensa em esquecer
enlouquecer
se perder
mas sabe se lá
que razão segue o chão
olhos abertos cristais
brilham no escuro
dessa esperança mortal
que alimenta a verve
do poeta que persiste
emaranhado até o final

Edu Liguori
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@eduliguori
há 1 ano
Público
Ela sorriu em São João
leu e declamou Pessoa
flor bela pequenina
espanca toda cor
poesia tão menina
cachos de muito amor
mulher coisa boa
pétalas sobre o chão
música e melanina
Seu Pereira o cantor
Paraíba feminina
sim, sim senhor!

Edu Liguori
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@eduliguori
há 1 ano
Público
Escondido atrás de um copo de uísque
tamborilava os dedos nervosamente
'que será será what will be will be'
tentava resolver aquelas dúvidas
sufocar a ansiedade que o cercava

(mais um dia normal na vida dele)

Não há nada mais sincero que o velho uísque
o malte carrega a tinta que alivia as nossas dores

(ou apenas uma aceitável desculpa entre os bêbados)

Que será será
depois que o gelo derreter
que o cigarro acabar
what will be will be

Edu Liguori
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@eduliguori
há 1 ano
Público
Hoje eu estou Saturno
sem dúvida ou sombra
sou épico e soberbo
gramático e astuto
tenho em mim todos
os voos do mundo
e aterrizo no teu colo
teu Apolo
sorria com teus dentes
de estrela
viva com tua sorte
de Vênus
hoje eu tenho anéis
sem medo
teu Eros
teus erros

Edu Liguori
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@eduliguori
há 1 ano
Público
Olá minha cara amiga
a quanto tempo não lhe vejo
andei por aí a tentar preencher
espaços vazios
acabei por te negligenciar
estava ocupado entre caminhos
percorri algumas trilhas novas
sem sucesso
acho que morri
mas o vidro ainda embaça
com minha sôfrega respiração
estou vivo
entre um cigarro e outro
depois de vários tragos quentes
voltei ao lugar em que estava
talvez mais sábio, ou não
me pergunto o que me falta
e abunda o silêncio
nem rezar rezo mais
perdi a fé
dos tropeços e prazeres
tudo abstrato e obscuro
sou ninguém em mim mesmo
enxerto de nada em pele humana
pois é minha amiga
voltei para ti
para não estar tão só
em tuas letras me aconchego

Edu Liguori
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@eduliguori
há 1 ano
Público
Se alguém aqui que assina meu conteúdo não estou assinando de volta, dá um toque por favor.
Todos os conteúdos gratuitos irei prestigiar.
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@eduliguori
há 1 ano
Público
Enquanto você está aí
no seu canto aceitando
tudo que aconteceu
o mundo sente tua falta
sem você falta luz
sem você faltam sorrisos
sem você falta alegria
sem você faltam amores
enquanto você não percebe
que ninguém tem o direito
de te anular assim
o mundo chora
sem você não há revolução
sem você não há poesia
sem você não há música
sem você não há salvação!

Edu Liguori
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@eduliguori
há 1 ano
Público
Ah metrópole agoniada
grita, buzina e ferve em panelaço!
Ruas que invadidas revelam
todos os abandonados

Ah pauliceia desvairada
sujeira, poeira e fumaça!
No crack e na cachaça amarelam
todos os acovardados

Ah locomotiva descarrilada
revolta tua gente e tua praça!
Retira daqueles que só exploram
todos os níqueis roubados

Ah São Paulo deslumbrada
inunda tua pátria e tua farsa!
Expele a verdade dos que namoram
todos os capitais surrupiados

Ah selva de pedra perfumada
acolhe teu povo em teu regaço!
Volta a garoa dos que acreditam
que por ti foram sim adotados

Edu Liguori
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@eduliguori
há 1 ano
Público
Malkovich embarcou em Paris
o trem tinha a direção de Moscou
Malkovich fez o que sempre quis
largou tudo e enfim viajou
Ao chegar na fria capital moscovita
Nastassja em sua cabine embarcou
o Trem Transiberiano inconteste apita
e o sonho de uma viagem longa começou:
Malkovich se encantou
com os olhos e cabelos escuros
de Nastassja que timidamente sorriu
sem delongas ele se apresentou
Malkovich, lhe amava contar histórias
Nastassja curiosamente deliciava-se ouvi-las
Por muitos dias e noites
quilômetros sem fim
ele cantava em prosa uma vida rica
com momentos de glória
e derrotas comuns
ela acenava, sorria ou franzia
e adjetivos apontava
que belo!
que singelo!
que triste!
que peste!
assim a Europa se foi
e a Ásia surgiu
os montes, estepes, tundras
o que fosse
decoravam as janelas
mas ele só tinha
olhos nela
e ela ouvidos nele
o Trem Transiberiano
apitava inocente
e não era consciente
do encantamento que havia
na cabine sessenta e seis
onde Malkovich se apaixonou
e Nastassja o beijou
em Vladivostok
viveram os últimos anos
de Malkovich
tiveram bons e maus momentos
sobreviveram felizes
aos doces tormentos
ela o ouvia e agora corrigia
ele a respeitava e aprendia
um romance burlesco
improvável
imprevisível
mas quem poderá dizer
as razões quentes que vem do coração
nos caminhos frios siberianos
Nastassja se lembra de Malkovich
com carinho
não se arrepende
nem um pouquinho
de ter naquele dia
embarcado em Moscou
sem saber que havia
na cabine sessenta e seis
o homem que queria
Malkovich
o contador de histórias

Edu Liguori
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