@literunico
há 11 meses
Público
#Dia 339

Abrigo

Na austeridade do abandono,
Ergue-se, silente, o tépido refúgio:
Abrigo, onde o exílio se entona
E a alma exausta encontra
Seu subterfúgio.

Não é fortaleza de muro ou aço,
Mas auxílio discreto, sombra benfazeja;
Baluarte erguido sem estardalhaço,
Onde o temor, enfim, se rarefazeja.

Recolhe a dor, mas não a interroga,
Acolhe o ser sem nada inquirir,
Abrigo é a ânfora que se arroga

Ao bálsamo casto de ser contido,
O dom celeste de jamais partir.
Nele repousa o espírito, rendido,

Eder B. Jr.
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@literunico
há 11 meses
Público
#Link365TemasLivros
#Desafio365Livros
Dia 08
Comente na Biblioteca em um livro cuja estrutura ou conteúdo se articule como um manual ou tratado, onde o objetivo não é contar uma história, mas ensinar uma estratégia de vida, seja sobre guerra, política, ética ou comportamento.
(Vale comentário em marcação de Lido ou em Leitura e resenha, não esqueça de marcar a caixa de compartilhar no perfil)

#Desafio365postagens

Dia 146
Instruções para o Invisível

Há livros que não narram,
Não descrevem paisagens,
Não prometem heróis.

São esquemas,
Linhas precisas,
Afirmações que se repetem
Não para convencer,
Mas para manter...
As amarras sempre as mesmas

Ali, a palavra não é imagem,
é corte.
Não é metáfora,
é método.

O leitor não se emociona:
ele compreende,
entende,
ele prepara,
ele molda sua própria maneira
de permanecer
ou vencer.
(Será?)

Eder B. Jr.

Indicação do @literunico

#AArteDaGuerraSunTzu
#AArtedaGuerra

Status da Leitura: Lido

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@literunico
há 11 meses
Público
#Dia 338

Amparo

Não se anuncia,
nem exige retorno.
Amparo é mão estendida
antes do entorno
é presença recebida
que se molda ao contorno.

É o silêncio que sustenta,
o olhar que acolhe
sem interrogar.
Amparo não inventa,
apenas envolve
firme
quando tudo ameaça tombar.

Não é promessa,
nem contrato,
mas raiz discreta
que cede mais um prato.

Amparo é o abrigo não pedido,
mas sempre ofertado
a quem, talvez, sem saber,
Estava necessitado.

Eder B. Jr.
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@literunico
há 11 meses
Público
#Link365TemasLivros
#Desafio365Livros
Dia 07
Comente na Biblioteca em um livro que seja escrito em forma de diário, não ficcional ou ficcional, mas que revele a intimidade do autor ou do personagem, permitindo que o leitor espreite o pensamento nu, sem ornamentos.
(Vale comentário em marcação de Lido ou em Leitura e resenha, não esqueça de marcar a caixa de compartilhar no perfil)

#Desafio365postagens

Dia 145
O Espelho Escrito

O diário não é só registro,
é insistência, um guardar escrito.
A permanência contra o apagamento.

Ali, o autor não finge;
cede, hesita, confessa,
aceita que a memória seja fragmento,
que o pensamento não se restringe
mas se liberta.

Cada anotação é uma fresta
onde espreitamos,
não o ser como todo,
mas a lembrança possível,
aquilo que se suportou, mesmo imprevisível.

Eder B. Jr.

Indicação do @literunico
#Diário:Memóriasdavidaliterária

Status da Leitura: Iniciando Leitura

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@literunico
há 11 meses
Público
#Link365TemasLivros
#Desafio365Livros
Dia 06
Comente na Biblioteca em um livro que seja uma declaração de amor a uma cidade, uma obra onde o espaço urbano é mais do que cenário: é contemplação, memória, perda e desejo.
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#Desafio365postagens

Dia 144
Cidade Impossível

Entre ruas alagadas ou becos invisíveis,
a cidade não cabe no mapa,
não obedece ao urbanista.

Ela é ausência e excesso,
é reflexo no vidro,
é o rastro da maré na pele do viajante.

Ali, o autor não transita,
não visita:
ele se rende,
deixa que a cidade o escreva,
o descreva,
gota a gota,
como marca d'água
que o tempo nos enxarca.

Eder B. Jr.

Indicação do @literunico
Marcad'água:umensaiosobreVeneza

Status da Leitura: Iniciando Leitura

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@literunico
há 11 meses
Público
#Link365TemasLivros
#Desafio365Livros
Dia 05
Comente na Biblioteca em um livro cuja força esteja não nas palavras, mas nas imagens, obras onde a fotografia, a ilustração ou o traço sejam essenciais para transmitir a mensagem.
(Vale comentário em marcação de Lido ou em Leitura e resenha, não esqueça de marcar a caixa de compartilhar no perfil)

#Desafio365postagens

Dia 143
O Olhar Que Fala

Antes da palavra, a imagem.
Antes do discurso, o suspiro,
Um instante roubado ao fluxo do tempo,
Preso no silêncio de quem vê,
De uma voz que nunca se cala.

A fotografia não explica,
Não justifica, não traduz.
Ela se impõe.
Seja lágrima, seja luz,
Ela imprime no olhar do outro
O que o mundo insiste em esquecer.

Eder B. Jr.

Indicação do @literunico
#Gênesis

Status da Leitura: Lido

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Gênesis, de Sebastião Salgado, é uma obra monumental que transcende os limites da fotografia documental para se tornar um poderoso manifesto visual em defesa do planeta. Publicado pela editora Taschen em 2013, o livro é resultado de um projeto que levou o fotógrafo a percorrer, ao longo de oito anos, mais de 30 regiões remotas do mundo em busca de paisagens, animais e culturas humanas ainda preservadas da intervenção moderna.
Após anos documentando guerras, fome e migrações forçadas, Salgado enfrentou um esgotamento físico e emocional. Ao retornar à fazenda de sua família em Aimorés, Minas Gerais, encontrou a terra devastada pela degradação ambiental. Junto com sua esposa, Lélia Wanick Salgado, iniciou um projeto de reflorestamento que deu origem ao Instituto Terra, restaurando a Mata Atlântica local. Essa reconexão com a natureza inspirou Gênesis, uma busca pelas paisagens, animais e culturas humanas ainda preservadas da intervenção moderna.
O livro reúne mais de 200 fotografias em preto e branco, capturadas em locais como a Antártida, as florestas da Amazônia, o deserto do Saara e as ilhas Galápagos. Salgado retrata tribos indígenas, animais selvagens e paisagens intocadas, revelando a beleza e a fragilidade do nosso planeta. As imagens são divididas em cinco seções geográficas: Planeta Sul, Santuários, África, Espaços do Norte e Amazônia e Pantanal. A curadoria e o design do livro foram realizados por Lélia Wanick Salgado, sua parceira de vida e trabalho.
Gênesis não é apenas um registro visual; é um manifesto ecológico e humanista que convida à reflexão sobre a urgência de preservar o que ainda resta de puro no mundo. O projeto foi amplamente exibido em museus e centros culturais ao redor do mundo, incluindo o Museu de História Natural de Londres e o Museu do Amanhã no Rio de Janeiro.
Em 23 de maio de 2025, Sebastião Salgado faleceu aos 81 anos, em Paris, devido a complicações de uma leucemia decorrente de uma malária contraída durante as expedições de Gênesis. Sua obra permanece como um legado poderoso de beleza, consciência e resistência.
Gênesis é uma obra que merece um lugar de destaque em qualquer coleção, seja de fotógrafos, ambientalistas ou amantes da arte. Não apenas pela qualidade técnica das imagens, mas pela mensagem urgente que carrega: a necessidade de reconectar-se com a natureza e preservar o que ainda resta de intacto em nosso planeta.

#resenhas #Gênesis
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@literunico
há 11 meses
Público
#Dia 337

Anseio

Estende-se além do toque,
rumo ao que não alcança.
Anseio tem um enfoque
na ausência que veste esperança.

Respira, o peito apertado,
na pausa entre o verbo e o não.
Anseio é desejo atrasado,
é querer que se faz ficção.

Não implora jamais, impulsiona.
Não se acomoda, mas dilacera.
Anseio, a dor que aprisiona,
mas também luz que espera.

No fundo,
não quer possuir,
mas continuar o fluir
Do seu ansiar.

Eder B. Jr.
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@literunico
há 11 meses
Público
#Link365TemasLivros
#Desafio365Livros
Dia 04
Comente na Biblioteca em um livro que explore a ideia de "um lugar que é personagem", quando o espaço não é apenas cenário, mas atua, transforma, determina a história.
(Vale comentário em marcação de Lido ou em Leitura e resenha, não esqueça de marcar a caixa de compartilhar no perfil)

#Desafio365postagens

Dia 142
O Lugar Que Respira

Nem pedra, nem rua, nem floresta estática:
o espaço envolve, respira, ordena.
Não abriga somente, mas provoca.
É o lugar que, personagem, envenena.

Ou acolhe, ou devora, ou salva,
mas nunca é indiferente à trama.
Quem ali entra, nunca mais se cala:
o espaço é voz, é fúria, conclama.

Eder B. Jr.

Indicação do @literunico
#Cemanosdesolidão

Status da Leitura: Lido

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Macondo não é só um lugar, é um estado de espírito, uma permanência que se insinua e contamina, uma entidade viva que assiste e intervém. A cidade emerge como um organismo que observa silencioso, transforma quem o habita e se encerra em sua própria clausura de mito e esquecimento.

A família Buendía, enredada nesse espaço, desfila suas gerações como quem repete um rito inconsciente, uma dança involuntária na qual cada passo parece previsto, mas nunca completamente compreendido. O tempo se comprime, avança em círculos, se nega a obedecer à linearidade que se espera da vida comum. Aqui, passado e futuro não são linhas, são névoas que se dissolvem e reaparecem quando menos se espera.

O real se acomoda ao insólito com a naturalidade de quem não precisa se explicar. Homens que ascendem ao céu, mulheres que sangram anos, crianças que nascem com caudas, um alquimista que se recusa a morrer. Não há surpresa, porque o mundo de García Márquez não busca lógica, mas intensidade, e nela reside sua força.

Ler este livro é experimentar uma sensação de inevitabilidade, como se os destinos traçados nunca pudessem ser outros, mas ainda assim cada pequeno gesto carregasse uma centelha de resistência, um desejo mudo de romper o ciclo.

Macondo morre, mas não sem antes se deixar gravar na memória de quem ousou percorrê-lo. O leitor, ao fechar o livro, entende que não há solidão maior do que a de quem esquece sua própria origem, e não há maior condenação do que não reconhecer o eco dos próprios erros.

"Cem Anos de Solidão" não é apenas uma narrativa sobre uma família, mas sobre a fragilidade e a persistência daquilo que nos constitui, sobre o quanto somos parte de lugares que nunca nos deixam completamente, mesmo quando acreditamos ter partido.

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@literunico
há 11 meses
Público
#Link365TemasLivros
#Desafio365Livros
Dia 03
Comente na Biblioteca em um livro cujo enredo ou personagem principal seja fortemente influenciado por um objeto simbólico.
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#Desafio365postagens

Dia 141
O Objeto e o Destino

Um anel, um retrato, uma chave perdida,
Na trama, o objeto respira e conduz.
Silencioso, molda a sorte da vida,
Solidificando futuros, o oculto que induz.

Sólido presságio, amuleto sutil,
De quem o recebe, ou de quem o nega.
No enredo, é faísca ou então é o fuzil,
Desperta o conflito, ou a paz sossega.

Eder B. Jr.

Indicação do @literunico

#OSenhordosAnéis:ASociedadedoAnel

Status da Leitura: Lido

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Há livros que não são apenas lidos, são atravessados, como se a travessia moldasse a própria alma do leitor. Assim é "O Senhor dos Anéis", não apenas uma narrativa, mas um rito, um divisor de almas, além das páginas, nos entregando aquilo que ainda não sabíamos que éramos.

No centro, um objeto, um anel. Simples, circular, metáfora perfeita da repetição e da obsessão humanas. Ele não apenas conduz a trama, mas subverte destinos, encurva vontades e revela fraquezas. O Anel é mais do que um símbolo: é um espelho côncavo, que distorce e expõe a essência dos que o tocam.

A travessia da Comitiva não é apenas geográfica; é interna, visceral. Cada passo em direção a Mordor é uma queda ou uma ascensão, dependendo de quem observa. Tolkien, com uma linguagem que ora abraça o épico, ora sussurra lirismo, nos conduz por florestas que guardam memórias, montanhas que resistem ao tempo e cidades que, mesmo ruínas, ainda falam.

Mas o que mais me fascina não são os mapas ou as linhagens, embora estes impressionem. É a delicadeza silenciosa com que Tolkien trata o peso das escolhas. Frodo, tão pequeno e frágil, carrega o maior fardo e, o faz não por glória, mas por uma urgência que escapa aos olhos dos que buscam apenas poder.

E há em Samwise Gamgee uma lição que jamais deveria ser esquecida: a grandeza, quase sempre, habita os gestos simples. A amizade, aqui, não é adereço; é estrutura, é salvação.

Ler "O Senhor dos Anéis" é entender que o herói nem sempre triunfa sem perdas, que o mal não é vencido sem que antes nos habite. E que há, nas despedidas e nos retornos, uma beleza melancólica que só os grandes livros nos permitem experimentar.

Esta obra não é apenas um marco da fantasia, é um ensaio sobre o humano, sobre o desejo e a resistência, sobre a efemeridade do bem e a persistência do mal. E sobre o fato, irrefutável, de que, tal como na vida, o mais perigoso dos objetos, mesmo o mais ínfimo, pode transformar o mundo para sempre.

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@literunico
há 11 meses
Público
"Que não se leve a sério este poema
Porque não fala do amor, fala da pena
E nele se percebe o meu cansaço
Restos de um mar antigo e de sargaço

Difícil dizer amor quando se ama
E na memória aprisionar o instante
Difícil tirar os olhos de uma chama
E de repente sabê-los na constante

E mesma e igual procura. E de repente
Esquecidos de tudo que já viram
Sonharem que são olhos inocentes

Ah, o mundo que os meus olhos assistiram...
Na noite com espanto eles se abriram
Na noite se fecharam, de repente. "

Hilda Hilst
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