Público
#Dia 317
Ímpeto
Não pede licença,
não mede o chão.
Ímpeto rasga o instante,
feito espada e devoção.
Surge na boca,
arde nos passos,
torna o risco
menos ameaça
e mais caminho.
Ímpeto não se explica,
não se adia,
não se dobra.
Ele é
o gesto antes do pensamento,
o salto antes da certeza,
o voo antes do chão.
E quando finda,
deixa no tempo
o sorriso de ter vivido,
sem arrependimento.
Eder B. Jr.
Abrir
4 curtidas
0 comentários
Público
Abrir
1 curtidas
0 comentários
Público
Abrir
1 curtidas
0 comentários
Público
#Dia 316
Revivessência
No pilar do tempo, oculta e adormecida,
Jazia a chama em brando esquecimento.
Não morta, mas calada e retraída,
A vida aguardava seu renascimento.
Sem alarde, nem súbita explosão,
Ergueu-se a brisa sobre a cinza fria.
Revivessência é sutil combustão,
Que acende o ontem com nova alquimia.
No peito, a dor já não se faz domínio,
Mas terra fértil onde o ser se fortalece.
E o que era sombra torna-se caminho,
Pois toda luz, do escuro, se engrandece.
Assim ressurge a alma novo sentido
Feita do pó, mas plena se refloresce
Eder B. Jr.
Abrir
4 curtidas
0 comentários
Público
Abrir
4 curtidas
1 comentários
Público
O tema do Livro que apoia o
#desafio de hoje é:
113 - Fale sobre um livro que fale sobre livros ou histórias contadas!
#Link365TemasLivros
Abrir
1 curtidas
0 comentários
Público
#Dia 315
Templança
Mantém-se firme entre o excesso e o nada,
Não se exalta, tampouco se retrai.
É chama branda, em lâmpada velada,
Que ao menor sopro nem se apaga, nem subtrai.
Templança habita o gesto, comedida,
Modera o ímpeto, adia o clamor.
É bússola de direção convertida,
É mão serena no rumor do ardor.
Não há poder que nela se alardeia,
Nem voz que insista em além se impor
Mas seu silêncio, ao fim, prevalecia
Onde o alarde não sustenta o furor.
Virtude antiga, rara e esquecida,
Templança é adubo da alma sem cor.
Eder B. Jr.
Abrir
0 curtidas
0 comentários
Público
#Dia 314
Desencanto
Foi bonito
mas por pouco.
Brilhou demais
pra durar inteiro.
Desencanto não rasga,
desfia.
Não grita,
abafa.
É o sabor
que se dissipa.
O brilho
que não acende de novo.
Não é raiva,
nem dor.
É o depois.
É o saber que se foi.
Desencanto não reclama,
mas desiste devagar.
Como quem fecha os olhos,
não pra dormir,
mas pra não mais esperar.
Eder B. Jr.
Abrir
4 curtidas
0 comentários
Público
Abrir
1 curtidas
0 comentários