Hoje vi Deus,
Deitado em uma calçada ao relento
Tremendo de frio.
Hoje vi Deus,
Com uma latinha na mão,
Pedindo esmola por um pedaço de pão.
Hoje vi Deus,
Bem ali na esquina, vendendo seu corpo
Por um um pouco de conforto
Hoje vi Deus,
Ele não estava pregado em uma cruz,
Estava morrendo na fila do SUS.
Hoje vi Deus, e ele chorava,
Ao olhar para a terra e ver seus filhos
Se matarem a troco de nada.
Hoje vi Deus,
E você,
Também pode ver?
Há poesia do começo,
em meio ao desconhecido:
Levante com ânimo cabido.
Dificuldades? Desconheço...
Há poesia no caminho
lembrada pelo cancioneiro,
em prosa - verso - parte - inteiro
Leves entraves? Com jeitinho...
Há poesia na batalha:
suor na fronte, mentes à luta;
acusa a inteligência astuta
Grandes problemas? Uma medalha...
Há poesia no declínio
em queda franca, atrasado:
destombo do passo alado.
Ocasos graves? Soldado exímio...
Em toda observação
inteligente ou perspicaz,
engloba contos, som voraz.
Maior poesia? A conclusão!
Alberto Busquets.
Dia 208
Veneração
Sob a luz que não ofusca, mas envolve,
Ergue-se tua figura, intensa e plena.
És o altar que o tempo não dissolve,
A alma em prece, em paz serena.
Cada passo teu ecoa no silêncio,
Como brisa que invade o templo.
És o perfume do pertencimento,
Marca presença, o contato, o exemplo.
Veneração é a curva em elevação,
É render-se ao que é maior, sublime.
És o reflexo da santa devoção,
Que à verdade profana redime.
Eder B. Jr.
Will the green of your eyes
ever fade away?
I can't believe in such cold fate,
but in hopes and dreams I may.
As youth swirls in the mist
and age phases in,
strength abandons your fists
and light starts to dim;
remember the golden days
your body ever had
and you'll see that now you face
a better time instead:
when knowledge and wit allied
can build more complex things
and time is at your side
and wisdom fills your being.
You see, beauty is not lost,
but a change has truly occurred.
And for some years' cost
you'll be more beautiful than you ever were!
The green light in your eyes won't fade
because through them you can see
eternal youth that is made
from the green light
you shine
on me.
Alberto Busquets.
Introvertido.
Eles me olham e dizem
Que sou metido
Que até pareço mudo.
Mas a verdade é que
Falo pouco e observo muito,
Observo tudo.
Observo você aí
Se esforçando pra parecer legal,
Se achando o tal, o maioral
Nessa sua estranha necessidade
De aceitação, autoafirmação.
Não me leve a mal,
Pra mim isso não é normal
O normal é ser real, leal
Ser sincero e verdadeiro
Mesmo que não agrade
O grupo inteiro;
Mesmo que a piada saia
No momento inadequado,
Mesmo que seja incompreendido
Mal interpretado, rejeitado
Ainda assim, serei eu
Imperfeito, Introspecto, invertido
Convertido, mas não convencido
Só eu.
A Esquecida
Num mundo de intensa magia, onde três luas reinam e se aproximam do planeta Kalimares para manter a vida, a Esquecida procura, sem pistas e solitária, saber quem é e porque estava numa floresta desacordada. Seria capaz de viver ainda, nesse cenário, um romance aparentemente predestinado, seguindo um caminho repleto de aventuras e encontros com seres que nunca poderia imaginar que existiam?
ASIN : B0CSJC8NVZ
Editora : Literúnico; 1ª edição (16 janeiro 2024)
Idioma : Português
Tamanho do arquivo : 1881 KB
Leitura de texto : Habilitado
Leitor de tela : Compatível
Configuração de fonte : Habilitado
Dicas de vocabulário : Não habilitado
Número de páginas : 358 páginas
O tempo não passa ligeiro
com essa distância pesada.
O relógio perdeu os ponteiros?
A ampulheta foi esvaziada?
Eu sigo, sentindo seu cheiro;
persigo a saudade danada.
Eu sigo, seguindo certeiro:
quero essa união aguardada!
Do tempo, encontrarei a porteira;
da beira, me livrarei do cansaço.
No rio que a paixão corre inteira
navegarei até não ter saída:
nesta e em qualquer outra vida
eu só atracarei em seus braços!
Dia 207
Aconchego
Com seu abraço em tarde fria,
Cobertor de lã e ternura.
Solta um riso que acaricia,
E dissolve qualquer amargura
Tua presença é branda e calma,
Onde o coração encontra guarida.
És o refúgio que acolhe a alma,
Em cada pequena fresta da vida.
Aconchego, é a luz branda,
Que aquece sem exagerar.
Lar para onde a voz nos manda,
Sempre voltar pra descansar.
Eder B. Jr.
Desejo traduzir-me
Em palavras que façam sentido
Que expressem tudo que sinto
Tudo aquilo que não consigo falar
Na inabilidade de me comunicar
Me escrevo em cada verso
Linha por linha eu me expresso
Esta é a minha versão do mundo
Não é nada muito profundo
Eu me traduzo,
Você me interpreta
Há quem diga que isso
É ser poeta.
Da minha janela observo
Uma pequena flor delicada
Pisoteada pela vida a murchar
Abandonada no sol a secar
No calor de uma dura calçada.
Não há esperança para aquela flor
A vida é dura e os dias difíceis
Mas ela luta e ainda resiste
Com as suas fracas raízes
Ao relento apesar da dor.
Consigo ouvir daqui seu lamento
Por não nascer naquele jardim
Entre as rosas e o lindo Jasmim
Onde a grama é sempre mais verde
Onde as flores estão bem plantadas
E com todo amor são cuidadas
Pelo jardineiro sempre regadas.
Ah, que sorte tem aquelas flores
As brancas, vermelhas, amarelas
A exibir seu perfume e suas cores
Nasceram só para ser belas
Tão bem sucedidas elas
Como não iria se comparar?
Enquanto a florzinha seca
Implora ao vento que leve
Suas pequenas sementes
Que ao jardineiro as entregue
Que seu destino seja diferente
Merecem viver plenamente.
Mas não se engana a florzinha
Chegando a uma conclusão:
Nesta selva de concreto fria
os jardins são uma exceção
Pequenas flores ainda morrem
E muitas ainda secarão.
O mundo não tem mais tempo
Ela não se ilude afinal,
Estão todos sempre correndo
Escravos da sobrevivência
Seu senhor é o capital.
Instintos Poéticos
Poesias não planejadas, que refletem momentos, como se fossem todos os sentimentos sendo expostos na hora em que borbulharam. Por não serem pensadas para publicação, quando concebidas, apesar de parecerem não ter ligação uma com as outras, seguindo uma sequência cronológica, refletem as constantes mudanças de sensações da autora.
A expectativa é que suas palavras possam alcançar identificação e de alguma forma toquem o leitor a também sentir ou pensar junto, instintivamente.
Detalhes do produto
ASIN B0DD4GDJ3N
Editora Literunico; 1ª edição (17 outubro 2024)
Idioma Português
Tamanho do arquivo 104550 KB
Leitura de texto Não habilitado
Configuração de fonte Não habilitado
Dicas de vocabulário Não habilitado
O encontro da minha pele com o lençol.
O desencontro da minha pele com minhas roupas.
Encontros
Da textura dos meus pêlos, em teus lábios
Do meu gemido de prazer, no silêncio do quarto
Da sua glande, no meu regaço
Se aninhando,
Sua bunda, vou apalpando.
Come e toma minha fome na tua.
Explode e me implode
Enquanto nossas tensões
Se desfazem em meio às minhas pernas.
Eliz Leão
Mais que reparação,
Foi a sorte de te encontrar.
Do doce choque
De nossas peles.
Da mistura Intrínseca,
Dos nossos cheiros.
Sela tua alma à minha,
Como a natureza,
Que permeia
Nossos movimentos.
Enquanto nossas
Genéticas se misturam,
No roçar dos cachos,
De nossas pélvis,
Me prendendo num abraço,
E soltando em mim,
O desejo que sente.
Bebe da minha vida,
Como eu, vibro a sua.
Pra você, sempre,
Sou nua, sou sua.
Eliz Leão
Minha língua encontra teus segredos,
Tua pele, meu mapa de sensações.
O calor que o lençol já não esconde
É calor que nasce em nossas fricções.
Me perco ao sentir teu arrepio,
Onde o silêncio ecoa em gemidos.
Teus poros falam mais do que palavras,
E o suor sela nossos sentidos.
Entre o meu impulso e os teus beijos,
Nosso ápice se explode em erupção
Dentro de ti eu que me implodo,
E nos refazemos na mesma respiração.
Eder B. Jr.
Resposta inspirada em Eliz Leão
🅢🅔🅧🅧🅧🅣🅞🅤
Meu poder é perder
não importa o esforço
sempre podemos perder
nada é garantido por aqui
pimenta, cravo, açaí
o time que eu torço
tudo unido ou desligado
há sempre que perder
o fio, o senso, o sonho
dormindo ou acordado
uma chance de sofrer
aqui tiro, ali ponho
mas sei que um dia
como dizia avó Maria
— Vais perder!
Edu Liguori
>> Erupção (Conteúdo FREE)
Quando a pena se junta às nuvens
Muito do que foi contado se vai
Mas as pedras lançadas por Jenny
Como queria, que necessárias não fossem mais
O oitavo andar até pôde ser algo plausível
Diante dos horrores e pesadelos
Mas ninguém é merecedor de crucificação
Muito menos as vítimas, que invariavelmente
Sofrem com os dedos apontados e olhares de vilão
Tem coisas que mudam lentamente
Outras não mudam jamais
A falha do homem reside na crença
De se achar que é perfeito demais pra errar
Derrubam-se as casas e as cartas do castelo
As plantações secam e contaminam o solo
O mal resiste e reside escondido
Vivendo onde mais se esperava proteção
E rouba dos sonhos os pedacinhos
Deixando os desenhos sem sentido
A distribuir versões mentirosas
Que sugam o gosto todinho
No fim os corpos declinam no campo de batalha
Deixando lições por poucos apreendidas
E com armas sempre em mãos
Sem pena nenhuma na erupção