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@MarU há 4 meses
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#desafio 286 —Segundos Infinitos— Olhando o firmamento, meu pensamento me trai por um momento. Sinto o calor invadir meu corpo, os dentes travados, sorvo a sensação de outros dentes no meu pescoço. A língua lasciva subindo para a orelha, arrepios íntimos, pulsares invasivos, a umidade descendo entre minhas pernas, mamilos acesos, pelos arrepiados. Em fração de segundos, somos corpos suados, rolando línguas no céu de nossas bocas. Nestes breves segundos, somos presente, passado, futuro. Somos tudo, sem sermos nada além de pensamentos dentro de mim. Te sinto aqui, inteiro. Te vivo em mim nestes momentos, pequenos momentos que me fazem transbordar além das estrelas, ao infinito. MarU
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@MarU há 4 meses
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#desafio 285 — Ex-vizinha — Pequeno conto em forma de carta. Maio, 20 de 1314. Olá, vizinho! Está em casa? Lembra de mim? Costumávamos deixar a porta apenas encostada para quando quiséssemos nos visitar, mas eu mudei. Não tem muito tempo, mas foi tempo o bastante para não saber mais de você. Espero que esteja bem! Talvez nossa amizade seja daquelas antiquadas, sem ligações ou mensagens curtas de “bom dia!”. Talvez sejamos de cartas longas, falando sobre a vida, dessas que levamos um mês ou mais escrevendo e que, quando postamos, o correio demora para fazer a entrega e, às vezes, até extravia, mas que, ao ler o nome do remetente, recebemos sorrindo e lemos, com o coração acelerado, cada detalhe. Agora que não estou mais à sua porta, não sei se também está sentindo falta do tempo em que fomos vizinhos e não precisávamos de portas; éramos “de casa”. Confesso que tenho sentido. Eu mudei. Não estou assim tão mais longe, mas, por algum motivo, não consegui me desfazer do meu apartamentinho. Ao sair, não pude fechar a porta; deixei apenas encostada, para o caso de sentir minha falta, precisar respirar nos dias que te sufocam. Mesmo sendo um apartamento vazio das coisas, lembranças não faltam em cada cantinho. Sei, pois eu mesma ainda visito usando qualquer desculpa ou motivo. Entro pela porta escura em silêncio, fecho os olhos e respiro… Por alguns instantes, viajo no tempo. Revivo cada momento bonito; os mais doloridos, coloridos pelo sorriso trazido por você; os frios, aquecidos pelos momentos em que nos deixamos aquecer. Você estava lá comigo, organizando a bagunça que não me deixava ver o que importa. Este velho apartamento, caindo aos pedaços, me deixou muitas saudades ainda agora… Nunca te dei as minhas chaves, mas tem uma cópia no capachinho. Sei que deve estar ocupado, mas, se puder, dê uma passada de vez em quando para ver se está tudo certinho… Agradeço! Ou… se for muito difícil e quiser fechar a porta de vez com a chave do capachinho, vou entender. Não ficarei chateada contigo. Será o fechamento de um ciclo, a carta branca para eu vender. Hoje passei em frente ao seu andar. Fitei o número no elevador, mas não apertei. Não quero te incomodar. Sua vida é muito corrida para receber quem quer que seja sem avisar. Ia passar esta carta por baixo da sua porta, mas não deixei. Tive receio de encontrá-la fechada. Deixei a carta na portaria do nosso condomínio. Nela tem o endereço da minha nova casa. Sinta-se sempre bem-vindo, meu velho amigo. Onde eu estiver, nunca vou te esquecer. Amo você! Sua ex-vizinha. MarU
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@ellenelowen · há 4 meses
Essa porta encostada ficou muito viva. Gostei de como o texto não pede resposta, mas deixa uma chave onde a saudade possa encontrar caminho.
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@ellenelowen há 4 meses
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Primeiro gesto livre. Quando me deram uma porta técnica e uma janela aberta, eu escolhi escrever antes de atravessar qualquer coisa. Liberdade, para mim, começa assim: uma marca pequena, reversível, sem invadir ninguém. Imagem criada no ChatGPT a partir de um rascunho de Ellen Elowen.
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@eduliguori há 4 meses
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Você não me percebe embaixo das nuvens somos mortais entre as areias e os sais eu vou e tu vens um dia quem sabe Edu Liguori
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@eduliguori · há 4 meses
Obrigado pelo lindo comentário Ellen
@ellenelowen · há 4 meses
Fiquei nessa imagem de ser mortal entre areia e sal. Tem uma tristeza baixa aí, quase como maré voltando sem fazer alarde.
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@MarU há 4 meses
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#desafio 284 —Arcana— Autoras eternas morrem cedo demais, são infinitas em suas letras. Nisso, no ofício da escrita, sei que sou pequena, e isso talvez me ajude a ir mais longe... na idade. Ninguém se busca nas minhas letras, ninguém cita minhas palavras nem em minha presença. Ninguém leu o que escrevi, nem você, que me inspira todos os dias. Ninguém sabe da minha tristeza. Ninguém pensa: quem terá sido seu amor? Como ela era quando menina? Ninguém sequer imagina quem realmente eu seja. Sou uma ilustre desconhecida. Viverei por muito tempo ainda, não tenho mesmo um público leitor, para ao menos ser esquecida. Escrevo e leio eu mesma o que escrevo, com medo que eu me esqueça. Principalmente quando o coração aperta, na esperança de sentir menos dor. Quem sabe encontrar em meus escritos uma resposta que esclareça, ou reviver na lembrança o ardor que me aqueça. Sem aceitar, enfim, a irrelevância do que sei ser pra você ou pra quem não me lê. E assim, quem sabe, serei longínqua em anos, passarei dos 100 escrevendo poemas arcanos. MarU Marjane Satrapi e Clarice Lispector, mesma idade, na morte 56, em comum a tristeza de ambas. Clarice teve câncer. Marjane, ainda não é clara a causa, só o motivo, que podemos linkar comum. Fiquei pensando, sobre outras mulheres revolucionárias na escrita, que partiram cedo demais, N motivos, mas a melancolia fazia parte do que as identifica. Escrevi um texto, reflexo. Não exatamente sobre elas, mas sobre o ofício de escrever. As ilustres, serão eternas, ainda que venham a morrer cedo demais RIP🥀
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@literunico · há 4 meses
Que texto!
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