#Desafio 276
*Nota de despedida*
Se pudesse te contar
que está é minha despedida?
Se pudesse desabafar
sobre o que tenho
pensado por esses dias?
Tenho tido cuidado,
tenho tentado…
Mas tem sido mais complicado
para o meu coração flagelado.
Não está sendo fácil
aguentar tudo sozinha!
Não…
Vou escrevendo a dor,
enquanto por ela sou consumida.
Em meio ao dessabor, dessa vida,
vou aguentando…
até não ver mais nenhuma outra saída.
Por hora,
deixo esta nota.
Só pra o caso de eu sair
sem ser percebida.
A quem se importa,
esta é minha nota de despedida.
MarU
#Desafio 275
*Déjà-vu*
Já vivi isso antes!
Não aprendi.
Alguns dos atores
ainda são
os mesmos de antes.
Outros só substituíram
o anterior no papel…
mas a história
é a mesma,
e eu sigo coadjuvante.
Não levo jeito
para protagonista.
Nem quero!
Eu já sei como
essa história termina.
Já vi este filme
tantas vezes na vida
que já até decorei
as cenas.
…mas não aprendi,
ainda.
Este filme
não é para mim!
Não sei por que
ainda rebobino e sopro
essa fita…
na esperança
de não enroscar
no mesmo ponto?
Preciso trocar a fita!
MarU
#Desafio 274
*Morrendo de desgosto*
É massacrante
a solidão que sinto,
mesmo estando ao seu lado!
A sensação de vazio
tem me acompanhado…
caminha comigo,
lado a lado.
Sozinha…
vendo você distante,
em minha companhia,
alheio ao que vivemos,
sentindo por outra
o que antes
a mim pertencia!
Como é irônico o sentimento…
Há não muito tempo,
vivíamos sendo
um para o outro.
Nós dois…
loucos um pelo outro!
Agora…
nos vemos perdendo
o que construímos,
pouco a pouco…
Deixando ir embora,
por outra pessoa,
nossa história.
Num passado amoroso…
agora,
um vazio doloroso…
morrendo de desgosto!
MarU
#Desafio 273
*Alzheimer*
Queria ter amnésia,
em vez de fingir.
Queria que o Alzheimer
degenerasse minha memória
e apagasse o que senti.
Queria esquecer tudo,
não lembrar mais nada,
para que eu tentasse seguir!
Me sinto estagnada
nessa história ingrata,
que ainda não sei
se inventei
ou se vivi?
MarU
#Desafio 272
*Sensação idiota*
Quebrei a caneta
no calor da emoção.
Fechei, com violência, a porta
e chorei,
jogada ao chão.
Aceitei a derrota.
Não há competição.
Que se dane essa bosta.
Foda-se o mundo, então.
Que sensação idiota,
entregar os pontos
e perder.
Até poderia ser,
talvez um dia.
Agora,
ainda não.
MarU
#Desafio 271
*Desculpe passado*
Desculpe, passado,
mas não olho pra trás!
Eu sigo em frente,
de cabeça erguida.
Caminho a largos passos,
sempre em frente,
rumo à vida.
O que passar, passou.
Admiro no momento,
até permaneço,
por um tempo.
Mas o tempo também passa,
e o que passar, passou!
E passado?
Eu sigo seguindo.
Sempre em frente,
rumando o destino.
No caminho,
às vezes recordo
daquilo que ficou pra trás.
Sinto saudades do caminho
que deixei passar lá atrás.
As lembranças vão na mente
quando toca o coração.
Memórias são nossas histórias,
seguem conosco em frente.
Mas voltar atrás?
Não…
Não…
MarU
#Desafio 269
*Sexo de reconciliação*
Nem tudo
são flores
no amor!
Às vezes,
amamos
com ódio,
fúria
e rancor.
Às vezes,
com
o coração
sangrando
dentro do peito,
sentido,
talvez,
até chorando
por dentro…
Mas desejando,
furiosamente,
sexo violento.
Amamos!
Gememos!
Fodemos!
Nos acabamos!
Descontando tudo
em sexo
feroz.
Sedentos
pelo gozo,
barulhentos,
como se
fôssemos loucos.
Nos perdendo,
até arrancar
do peito
todos
os sentimentos
negativos,
e nos desfazermos
em apenas
dois corpos
suados…
exaustos…
cansados…
sem fôlego…
Com sede
e falta de ar,
com o rosto
e a ponta
da língua
dormentes.
Desfalecemos
em silêncio,
colados…
olhando
profundamente
nos olhos.
Sentindo
o êxtase
aliviando,
e o corpo
permitindo
outra sensação:
alívio
para o coração,
com o amor
se refazendo
como novo.
Um brinde,
ao sexo
de reconciliação!
MarU
#Desafio 268
*Morri*
O nó, que me ata o peito.
Me sufoca e me mata
A desmazelo.
De dor,
sucumbi em desassossego
De dor,
esmoreci em agonia.
Morre a alma,
que vive em mim
Morre a vida,
que tive aqui.
A ferida do que passou ficou.
A ferida que não cicatrizou
e nem fechou.
Doendo dia após dia.
Doente sem o amor,
que me prometia.
Morri!
MarU
Meu ideal seria escrever...
(Homenagem em verso a Rubem Braga)
Eu queria escrever algo que soasse realmente sedutor.
Algo que fizesse a todos refletir e dizer: "Nossa! É assim que me sinto!"
Queria saber fazer algum texto tão perfeito e tão original
Que não houvesse pessoa no mundo que não se identificasse.
Eu queria encontrar as melhores palavras
Para as melhores metáforas.
Pensar em tudo aquilo que ninguém jamais pensou,
Mas que todos sentiram em algum momento.
Eu queria ser bom, ser realmente bom.
Queria saber, no fundo do meu coração,
Que não há melhor expressão nem forma mais perfeita
Para o sentimento sublime que acabei de escrever.
Queria ser bom, mas de um jeito humilde
Daquela que a pessoa lê e nem acredita
Que de palavras tão simples possa brotar tamanho sentimento
E que tão poucas linhas possam descrever a sua vida.
Queria escrever um texto perfeito.
Queria que o mundo lesse e não contasse para os outros
Que aquilo lhe tocou o coração de forma diferente,
E que sua vida não seria a mesma a partir de então.
È que aquela pessoa, que é tão especial,
Quando lesse meu texto, chorasse e compreendesse
Que cada palavra foi escolhida entre muitas
Para lhe dizer exatamente o que sinto por ela.
#Desafio 267
*Natal*
Natal perfeito,
seria me abrigar
no teu peito.
Sentir
sua pele desnuda,
acariciar com as unhas
seus pelos.
Sentir do suor
a fragrância de perfume,
misturado
com teu cheiro.
E, nos seus olhos,
ver estrelas,
explorando os céus
na sua boca,
com a língua.
Sentir, neste momento,
o complemento
de um desejo
que se realiza,
gravar
como memória
de Natal.
E amar
de cama farta
o banquete especial.
Ceiando meus seios
com fome de beijos,
arfando com seus dedos
entre minhas coxas.
Eu…
você,
em uma noite enluarada
entre lençóis…
até a alvorada..
Provando
sabor de vida,
na noite
mais esperada…
Nos servindo presentes,
sem mais tempo
a perder.
Meu feliz Natal
pra você!
MarU
#Desafio 266
*Reticências*
Os ventos sopram
palavras fugazes,
mas o tempo
firma as permanências,
e nelas
marca reticências
para mais tarde.
Em tempos ferozes,
somos os algozes.
Maré cheia
de sentimentos traiçoeiros,
errantes navegantes
em mares estrangeiros.
Talvez os céus,
respondendo
às nossas preces,
se abram
e nos toquem
de sol e sal à pele,
aqueçam
e alegrem
nossos dias,
como guia.
E assim,
quem sabe,
acabe nossa agonia.
Do tempo,
teremos
brisa suave,
ondas de mar paradisíaco,
céu aberto
no lugar
de tempestades.
E o mundo
será pequeno,
e o tempo
será ameno,
e os caminhos
se entrelaçarão,
de encontro
ao mesmo destino.
E a vida
será completa,
para nunca mais
se perder.
MarU
O GALO E O PERU
(uma antifábula natalina)
Véspera de Natal. No quintal de uma família de classe média, estão um galo e um peru. O galo caminha alegre, balançando a crista. Já o peru não sai do canto e mal disfarça a tristeza. Sabe o que o aguarda.
De repente o galo canta. O peru então o interroga com um misto de surpresa e ressentimento:
-- Por que essa alegria?
-- Porque tenho alguma coisa a ver com o que acontece hoje. Um de meus ascendentes saudou o nascimento do Menino. Foi a trombeta auroreal de um novo mundo. Como eu não iria me alegrar?... E você? Qual a razão dessa cara?
-- Ora... Daqui a pouco vou virar comida para os que vêm festejar o nascimento a que você se refere. Queria que eu estivesse contente?
-- Procure aceitar. Trata-se de uma grande causa. Além do mais, você terá tudo para ser o rei da festa. Muitos o acharão macio, crocante, bem temperado.
-- Isso não vai depender de mim, mas da cozinheira. Esqueceu que estarei morto?
-- Estará sem vida, mas será o centro das atenções. E o mais importante: representará ali a grande nota de realidade. Mais do que a árvore, as músicas, os cumprimentos formais, dará testemunho da natureza do homem. O sucesso dessa noite vai se medir pelo prazer que der aos convivas.
-- Tem certeza?
-- Claro! Você vai saciar-lhes o apetite do corpo, que é mais profundo do que o da alma. Se vir as coisas por esse lado, se convencerá da sua importância.
O Peru parece ficar impressionado com essas palavras.
O galo volta a se distanciar, balançando a crista, e canta de novo sem motivo. Ou, quem sabe, devido à alegria de não ser peru. Quando volta de mais um passeio, ouve novo desabafo:
-- Sua retórica não me convence. É fácil elogiar um condenado à morte quando se vai permanecer vivo. Aposto que está contente por não ocupar o meu lugar.
-- Não nego... Mas você sabe que meu dia vai chegar em breve. E não terá o mesmo brilho que o seu. Vou “reinar” num desses banais almoços de domingo, com música estridente ao fundo e cerveja em vez de champanhe.
Nesse momento a cozinheira vem interromper a conversa. Aproxima-se dos dois, com ar decidido, e acaba se dirigindo ao
peru. Tem numa das mãos uma peixeira brilhante.
A ave não esboça nenhuma reação.
No momento em que é alçada e apertada de encontro à barriga da mulher, ouve ainda o galo cantar. Pela terceira vez.
<h5><span style='color: #00aaff;'>:Ideia:</span> Coloquei a Cara na JanelaXQZLIT3ZXXQZLIT4ZQLeia a ideia completa: <a href='https://literunico.com.br/ideas/coloquei-a-cara-na-janela-694e96580abc7'>Clique aqui</a>XQZZLIT7ZQ
Traduzido automaticamente do inglês.
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Sobre o Prêmio Literário, esse final de semana vamos divulgar a lista das obras por categoria e as novas datas de resultados!
Pedimos desculpas pela pendência de novas informações!
#Desafio 265
*Um mais um*
Um vinho
e massagem,
para criar
o clima de intimidade.
Uma noite
e boa vontade,
para deixar
os problemas
para mais tarde.
Um carinho
e óleo,
para deslizar
as mãos
com mais facilidade.
Um pouquinho
de malícia,
para esquentar
o clima
e partir
para o abate.
Um corpo,
mais um,
para refazerem-se
de prazer,
em só um.
MarU
Gira mundo
Roda pião
Cada dia é uma volta
Cada noite uma revolta
Neste mundo
Sem solução
Cada ato é uma aposta
Cada pergunta sem resposta
Canto hoje calado
Minha dor escondida
Mas não desisto da vida
Que vai renascer colorida
Levantarei amanhã ainda abalado
Mas com o pulmão cheio de ar
Certo da escolha sem pestanejar
Em frente destemido a remar
Edu Liguori
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