Prefácio A História de uma Fazenda Africana · Capítulo 1 de 29
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Prefácio

Prefácio

Tenho de agradecer cordialmente ao público e aos meus críticos pela recepção que deram a este livrinho. Tratando de um assunto muito afastado do círculo da vida diária inglesa, falta-lhe necessariamente o encanto que paira sobre a representação ideal das coisas familiares, e sua acolhida, por isso, foi ainda mais bondosa.

Uma palavra de explicação é necessária. Dois estranhos aparecem em cena, e alguns imaginaram que, no segundo, reaparece o primeiro, de volta sob novo disfarce.

Por que assim haveria de ser, não podemos dizer; a menos que haja uma sensação de que um homem não deve surgir em cena para depois desaparecer, sem deixar atrás de si vestígio mais substancial que um simples livro; que deveria regressar mais tarde como marido ou amante, para desempenhar papel mais importante que o de mero estimulador do pensamento.

A vida humana pode ser pintada segundo dois métodos. Há o método do palco. Segundo ele, cada personagem é devidamente alinhado desde o início e rotulado; sabemos, com certeza imutável, que nos momentos críticos cada um reaparecerá e fará sua parte, e, quando cair o pano, todos estarão diante dele, curvando-se. Há nisso uma sensação de satisfação e de completude.

Mas há outro método — o método da vida que todos levamos. Aqui, nada pode ser profetizado. Há um estranho ir e vir de pés. Homens aparecem, agem e reagem uns sobre os outros, e passam. Quando chega a crise, o homem que lhe serviria não retorna. Quando cai o pano, ninguém está pronto. Quando as luzes da ribalta estão mais brilhantes, apagam-se; e ninguém sabe qual é o nome da peça. Se há sentado um espectador que o saiba, ele está tão alto que os atores, à luz do gás, não lhe ouvem a respiração.

A vida pode ser pintada segundo qualquer um dos métodos; mas os métodos são diferentes. Os cânones da crítica que servem a um cortam cruelmente o outro.

Foi sugerido por um crítico bondoso que ele teria gostado mais do livrinho se este fosse uma história de aventuras selvagens; de gado levado por bosquímanos a kranzes inacessíveis; “de encontros com leões famintos e escapadas por um fio”. Isso não podia ser. Obras assim escrevem-se melhor em Piccadilly ou no Strand: ali, os dons da imaginação criadora, desimpedidos pelo contato com qualquer fato, podem abrir as asas.

Mas, se alguém se senta para pintar as cenas entre as quais cresceu, descobrirá que os fatos se insinuam sobre ele. Aquelas fases e formas brilhantes que a imaginação vê em terras longínquas não lhe pertencem para retratar. Tristemente, deve espremer a cor de seu pincel e mergulhá-lo nos pigmentos cinzentos ao seu redor. Deve pintar o que tem diante de si.

R. Iron.

“Devemos ver as primeiras imagens que o mundo exterior lança sobre o espelho escuro de sua mente; ou devemos ouvir as primeiras palavras que despertam os poderes adormecidos do pensamento, e estar presentes a seus primeiros esforços, se quisermos compreender os preconceitos, os hábitos e as paixões que hão de governar sua vida. O homem inteiro, por assim dizer, encontra-se no berço da criança.” — Alexis de Tocqueville

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