Para a Rainha Dona Amélia de Portugal Panóplias · Capítulo 4 de 12
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Para a Rainha Dona Amélia de Portugal

Um rude resplendor, de rude brilho, touca

E nimba o teu escudo, em que as quinas e a esfera

Guardam, ó Portugal! a tua glória austera,

Feita de louco heroísmo e de aventura louca.

Ver esse escudo é ver a Terra toda, pouca

Para a tua ambição; é ver Afonso, à espera

Dos mouros, em Ourique; e, em redor da galera

Do Gama, ouvir do mar a voz bramante e rouca...

Mas no vosso brasão, Borgonha! Avis! Bragança!

De ouro e ferro, encerrando o orgulho da conquista,

Faltava a suavidade e o encanto de uma flor;

E eis sobre ele pairando o alvo lírio de França,

Que lhe deu, flor humana, alma gentil de artista,

Um sorriso de graça e um perfume de amor...

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