A um Grande Homem Panóplias · Capítulo 5 de 12
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A um Grande Homem

Heureuse au fond du bois

Ia source pauvre et pure!

Lamartine.

Olha: era um tênue fio

De água escassa. Cresceu Tornou-se em rio

Depois. Roucas, as vagas

Engrossa agora, e é túrbido e bravio,

Roendo penedos, alagando plagas.

Humilde arroio brando!...

Nele, no entanto, as flores, inclinando

O débil caule, inquietas

Miravam-se. E, em seu claro espelho, o bando

Se revia das leves borboletas.

Tudo, porém: - cheirosas

Plantas, curvas ramadas rumorosas,

Úmidas relvas, ninhos

Suspensos no ar entre jasmins e rosas,

Tardes cheias da voz dos passarinhos, -

Tudo, tudo perdido

Atrás deixou. Cresceu. Desenvolvido,

Foi alargando o seio,

E do alpestre rochedo, onde nascido

Tinha, crespo, a rolar, descendo veio...

Cresceu. Atropeladas,

Soltas, grossas as ondas apressadas

Estendeu largamente,

Tropeçando nas pedras espalhadas,

No galope impetuoso da corrente...

Cresceu. E é poderoso:

Mas enturba-lhe a face o lodo ascoso...

É grande, é largo, é forte:

Mas, de parcéis cortado, caudaloso,

Leva nas dobras de seu manto a morte.

Implacável, violento,

Rijo o vergasta o latego do vento.

Das estrelas, caindo

Sobre ele em vão do claro firmamento

Batem os raios límpidos, luzindo...

Nada reflete, nada!

Com o surdo estrondo espanta a ave assustada;

É turvo, é triste agora.

Onde a vida de outrora sossegada?

Onde a humildade e a limpidez de outrora?

Homem que o mundo aclama!

Semideus poderoso, cuja fama

O mundo com vaidade

De eco em eco no século derrama

Aos quatro ventos da celebridade!

Tu, que humilde nasceste,

Fraco e obscuro mortal, também cresceste

De vitória em vitória,

E, hoje, inflado de orgulhos, ascendeste

Ao sólio excelso do esplendor da glória!

Mas, ah! nesses teus dias

De fausto, entre essas pompas luzidias,

- Rio soberbo e nobre!

Hás de chorar o tempo em que vivias

Como um arroio sossegado e pobre...

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