LIVRO QUARTO — VI. IMPOPULARIDADE O Corcunda de Notre Dame · Capítulo 21 de 59
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LIVRO QUARTO — VI. IMPOPULARIDADE

LIVRO QUARTO

VI. IMPOPULARIDADE

O arquidiácono e o sineiro, já o dissemos, eram mediocremente amados pelo povo miúdo e graúdo dos arredores da catedral. Quando Claude e Quasimodo saíam juntos, o que acontecia muitas vezes, e eram vistos atravessando em companhia, o criado seguindo o senhor, as ruas frescas, estreitas e sombrias do quarteirão de Notre-Dame, mais de uma palavra maldosa, mais de um refrão irônico, mais de um gracejo insultante os perseguia à passagem, a menos que Claude Frollo, o que raramente acontecia, caminhasse de cabeça direita e erguida, mostrando a testa severa e quase augusta aos zombadores subitamente contidos.

Ambos eram em seu bairro como os “poetas” de que fala Régnier.

Ora era um moleque sorrateiro que arriscava a pele e os ossos pelo prazer inefável de enfiar um alfinete na corcunda de Quasimodo. Ora uma bela jovem, folgazã e mais atrevida do que convinha, roçava a veste negra do sacerdote, cantando-lhe sob o nariz a canção sardônica: “Niche, niche, le diable est pris.” Às vezes um grupo esquálido de velhas, escalonado e agachado na sombra sobre os degraus de um pórtico, resmungava ruidosamente à passagem do arquidiácono e do sineiro e lhes lançava, entre imprecações, esta encorajadora saudação:

— Hum! Eis um cuja alma é feita como o outro tem o corpo!

Ou então era um bando de estudantes e vadios jogando amarelinha que se levantava em massa e os saudava classicamente com alguma vaia em latim:

— Eia! eia! Claudius cum claudo!

Mas, na maioria das vezes, a injúria passava despercebida ao sacerdote e ao sineiro. Para ouvir todas aquelas graças, Quasimodo era surdo demais, e Claude, sonhador demais.

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