LIVRO ONZE — III. CASAMENTO DE PHOEBUS
LIVRO ONZE
III. CASAMENTO DE PHOEBUS
Pelo entardecer daquele dia, quando os oficiais de justiça do bispo vieram recolher no calçamento do Parvis o cadáver desconjuntado do arquidiácono, Quasimodo havia desaparecido de Notre-Dame.
Correram muitos rumores sobre a aventura. Ninguém duvidou de que chegara o dia em que, segundo o pacto entre ambos, Quasimodo, isto é, o diabo, devia levar Claude Frollo, isto é, o feiticeiro. Presumiu-se que ele quebrara o corpo para tomar a alma, como os macacos quebram a casca para comer a noz.
Por isso o arquidiácono não foi enterrado em terra santa.
Luís XI morreu no ano seguinte, no mês de agosto de 1483.
Quanto a Pierre Gringoire, conseguiu salvar a cabra e obteve êxito na tragédia. Parece que, depois de provar a astrologia, a filosofia, a arquitetura, o hermetismo e todas as loucuras, voltou à tragédia, que é a mais louca de todas. Era o que chamava de ter tido um fim trágico. Eis, a respeito de seus triunfos dramáticos, o que se lê já em 1488 nas contas do Ordinário:
> “A Jehan Marchand e Pierre Gringoire, carpinteiro e compositor, que fizeram e compuseram o mistério representado no Châtelet de Paris por ocasião da entrada de monsenhor o legado, ordenaram os personagens, vestiram-nos e trajaram-nos conforme o referido mistério exigia, e igualmente fizeram os estrados necessários; e, por isso, cem libras.”
Phoebus de Châteaupers também teve um fim trágico: casou-se.