Capítulo 19 - Procedimento Para Destruir um Cientista
No dia seguinte ao chegar no vigésimo andar, Neo massageava as têmporas enquanto se deparava com a tarefa de revisar pela terceira vez os relatórios financeiros. Como gerente de operações, sua missão era melhorar os números que tanto preocupavam Dr. Orion, mas cada dia trazia um obstáculo. Durante o dia, geria o hotel; à noite, dedicava-se ao projeto das estufas no terraço, sua paixão.
A estrutura de vidro e aço que tomava forma no último andar era revolucionária: três ambientes (tropical, mediterrâneo e temperado) unidos por irrigação automatizada e laboratório de pesquisa botânica. Era a chance de transformar o Orion Star em um exemplo de sustentabilidade no mercado de hotéis de luxo. Se conseguisse terminar a tempo.
— Dr. Alexander? — A voz de Claire Bennett interrompeu seus pensamentos. A coordenadora de eventos parou à porta, testa franzida. — Perdoe a insistência, mas a diretoria está barrando verba para o evento de inauguração. Não consigo executar o que estipulamos se travam minha equipe a todo momento.
Neo recostou-se na cadeira de couro, fechou os olhos. O perfume de lavanda de Claire não mascarava o cheiro de café frio que dominava seu escritório.
— Qual diretoria? — perguntou, sabendo a resposta.
— Desenvolvimento Corporativo.
Era ela. Daniella não desperdiçava oportunidades.
Que mulher rancorosa! E ele não era o único a pensar assim — nos corredores, funcionários olhavam por cima do ombro antes de pronunciar seu apelido: "O Câncer do Star".
Dr. Orion dissera que mandaria a filha para apoiá-lo durante o evento e a inauguração das estufas, mas ela o acorrentava de todos os lados.
Como na véspera, quando ajustou o orçamento dos equipamentos do laboratório de genética, recebeu um e-mail que fez seu sangue ferver:
O tom profissional do e-mail mal disfarçava a satisfação dela.
— Que inferno! — Neo socou a mesa ao reler o e-mail, fazendo sua assistente dar um pulo na cadeira. Anna trabalhara com três gerentes nos últimos dois anos. Nenhum fora tão sabotado. — Me desculpe, Anna. Pode remarcar minha agenda? Vou refazer toda a documentação do laboratório. De novo.
— Senhor... — Anna hesitou, brincando com o colar de pérolas. — A Srta. Orion enviou um novo protocolo de aprovação de projetos. Quinze páginas de procedimentos.
Neo passou as mãos pelo rosto indignado com essa lembrança. Seus dedos roçaram a barba por fazer. Aquela mulher tentava afundá-lo. E estava conseguindo.
Chega!
Ia até a sala de Daniella resolver isso. Claire pediu para acompanhá-lo.
Ao chegarem à porta, Tyler montava guarda — exausto. Neo aproximou-se. Hematomas e cortes no rosto do amigo chamaram a sua atenção.
— Foi ela quem fez isso com você? — Neo tocou o rosto dele.
— Foi só um treino, nada demais — Tyler afastou a sua mão, mas a tentativa de movimentar o ombro traiu o desconforto. — Estou bem.
— Essa mulher é o demônio — girou os olhos e cruzou os braços. — Demorei a acreditar. Como ela pode fazer isso com você?
— Você a irrita e ela desconta em mim. Então, por favor, pare de deixar a mulher com raiva — Tyler respondeu, vendo um sorriso contido de Claire.
— Você está protegendo o lado direito — Claire observou baixinho. — Essa postura... defendendo contra alguém que luta com precisão, não força bruta... — ela fez uma careta.
Tyler lançou um olhar surpreso.
— Você tem experiência com lutas?
— Cinco anos de artes marciais mistas — Claire admitiu com um sorriso. — Embora eu suspeite que o estilo da Srta. Orion seja... hm, único.
— Ela lê seu próximo movimento antes que você o faça. Três passos à frente. Sempre. — Tyler explicou. Claire assentiu.
— Desculpe, muito prazer. Sou Claire Bennett, gerente de eventos. Você treina com a chefe, é isso? — estendeu a mão para Tyler.
— Sim, todos os dias na academia do hotel ela me dá uma surra. Se quiser assistir a um homem deste tamanho tomando uma coça de uma mulher poderosa, maldosa e sem coração, está convidada. Dezenove horas.
Claire deixou escapar uma gargalhada que iluminou a expressão cansada de Tyler.
— Posso participar? — perguntou animada. — Queria um grupo de treino. Dezenove horas? — Tyler confirmou. Ela digitou no relógio de pulso.
— Cuidado — alertou, mas o sorriso suavizou as palavras. — Ela não pega leve com ninguém.
— Ótimo — Claire respondeu, encontrando o olhar dele com determinação serena. — Eu também não.
A troca carregava uma promessa silenciosa.
— Você vai se enfiar nessa? Não vê o estado dele? — Neo indagou. Antes que ela respondesse, o comunicador de Tyler tocou.
— Sim, a senhorita tem visitas. Alex e Claire, coordenadora de eventos — Tyler respondeu quando Daniella perguntou sobre os ruídos. — Sim, senhorita. Vou informá-los.
Tyler voltou-se para os dois.
— Ela pediu que marquem uma reunião. Está ocupada. — Neo revirou os olhos. Sabia que se tentasse chutar a porta seu amigo teria problemas.
— Desculpe, Claire. Prometo tentar novamente. Veja o que consegue fazer com o que tem — disse, resignado. Claire assentiu.
🔓 Belos mortais, novo arquivo liberado.
Neo chegou a Londres para melhorar os números. Daniella chegou pra mostrar que ele vai ter que suar a camisa.
Registrei:
▪️ uma filha enviada pelo pai para apoiar a inauguração das estufas. O apoio chegou em quinze páginas de procedimentos.
▪️ um apelido que os funcionários do Orion Star só pronunciam depois de olhar por cima do ombro.
▪️ um segurança com avariado que convidou Claire para apanhar às dezenove horas com um sorriso no rosto.
▪️ uma assistente tomando um susto pela frustração de um coração partido.
🔒 Porque Claire Bennett conseguiu o que Neo não conseguiu. Um encontro marcado.
⭐ Deixe a sua estrelinha nesse capítulo. Quanto mais agentes tiverem acesso a este dossiê, mais longe a operação chega.
👇 Não esqueça de votar na enquete e deixa seu comentário antes de fechar o arquivo.