Capítulo 25 - Procedimento Para Lançar uma Isca Princesinha do Papai · Capítulo 31 de 31
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Capítulo 25 - Procedimento Para Lançar uma Isca

Tyler precisou amparar Claire para ela se levantar. Nada fraturado, mas a dor vazava a cada passo. Daniella, por vezes, exagerava nos treinos. Tyler era militar e homem, e isso, na cabeça dela, bastava para aguentar qualquer golpe. No entanto, dessa vez, ela havia ultrapassado os limites.

— Não prefere que eu te leve para a enfermaria? Talvez um escâner, só pra garantir.

— Não se preocupe, tô acostumada a apanhar no tatame. Já me quebrei antes, e se fosse grave eu nem conseguiria conversar.

O passo irregular de Claire desmentia a resposta firme; os passos de Tyler encurtaram em consideração.

Daniella, a herdeira fria, agindo assim com uma civil. Era ultrajante. A mulher precisava de terapia.

— Desculpa, eu não deveria ter deixado ela treinar com você — disse Tyler, passando o braço ao redor da cintura de Claire para aliviar o peso dela. — Se a senhorita não se importar, posso carregá-la até o carro. Levo você em casa.

— E onde fica a minha honra se eu deixar você me levar daqui carregada? Nunca mais vou poder dar as caras nesse treino.

— Você está pensando em voltar depois do que ela fez?

— Você não quer treinar comigo? — Claire ergueu os olhos para ele, e o braço de Tyler a apertou mais.

— Não quero vê-la machucada de novo. — A porta deslizou, e o elevador os levou até a garagem.

— Mas então, por que você não me dá umas aulas particulares? — Claire desviou o olhar para o painel do elevador. — Assim, um dia eu posso ganhar dela.

Tyler assentiu sem convicção. Nem ele vencia a chefe, e fora contratado para protegê-la, embora ela nunca tivesse precisado de proteção. Mas os boletos não perguntavam se ele era qualificado para o cargo.

— A rádio fofoca do hotel disse que você só virou segurança dela por tê-la derrubado num treino. Falaram também do guarda-costas anterior, o único outro a derrubá-la.

— O pessoal fala demais, você não deveria acreditar em tudo.

Claire riu.

— Entendo, você tem uma namorada, é isso? Ela não te deixa treinar com garotas? Já vi muita gente se incomodar com contato físico. — Claire tentou se desvencilhar da ajuda de Tyler e saiu do elevador mancando. — Eu vou entender se você estiver num relacionamento em que só a chefe tem carta branca. É o seu emprego, afinal. E longe de mim te colocar numa situação complicada.

— Eu não tenho namorada. — Ele interrompeu o discurso dela. — Faz tempo que não me relaciono com ninguém. Minha irmã sofreu um acidente, e vivo só para cuidar dela.

Coçou as têmporas. Por que falava de Lauren? Diante de Claire, as palavras saíam de Tyler sem passar pelo filtro de sempre. Mal conhecia Claire, e a irmã já entrara na conversa. Só com Neo dividia a vida sem esforço; com os demais, a fala travava, mas ela…

Não possuia controle algum com ela.

— É que eu não sou qualificado para ganhar da minha chefe. Ela não é uma pessoa comum, por mais que aparente. Treina desde criança, começou o karatê aos quatro anos. O Dr. Orion sempre foi apaixonado por artes marciais, e ela cresceu no tatame.

— Ah, vocês se conheciam na infância?

Tyler confirmou.

— Tínhamos um amigo em comum. — O verbo no passado ficou suspenso entre os dois, e Claire o deixou lá.

— Entendi. Onde está o carro?

Tyler apontou pro veículo alguns metros à frente deles, caminharam e amparou-a de novo ao abrir a porta.

— Você tem certeza que eu não estou atrapalhando o seu serviço? Quero dizer, eu posso pegar um transporte.

— Relaxa, a Senhorita Daniella pediu que eu te levasse em casa. Acho que é a forma dela de se redimir. Deixa eu fazer essa gentileza, não posso contrariar a chefe.

— Colocando desse jeito, sou obrigada a aceitar. — Claire piscou e sorriu.

— Pense que é um bem mútuo. Você está me ajudando a não ficar na mira dela por algum tempo. — Ele riu.

— Ela é muito braba, é?

— Não, estou brincando. Ela cuida de todo mundo, mas cobra resultado. — Ele parou, medindo as palavras. — Acho que isso é coisa de bom líder, e quase ninguém percebe até ser liderado por ela.

— Gostei da sua definição. Consigo enxergar perfeitamente.

— Acredite, ela não é só uma herdeira mimada. Guarda tudo para si, e esconde algumas coisas.

— E você?

— O que tem eu?

— Não tem namorada. Mas tem interesse em garotas?

— Sim. — Ele ligou o carro e o tirou da garagem.

— Eu sei que posso parecer direta, mas odeio conversas curtas. — Ela prendeu o cinto. — Quando converso com alguém, quero saber qual é o seu aroma favorito e o que te tira o sono. Quais mentiras você já disse. — Olhou de esguelha para ele. — Gosto de profundidade. Isso te incomoda?

— Não, pode perguntar o que quiser. Fico feliz em responder.

— E o que você pensa de uma garota convidar um cara que acabou de conhecer para um café em casa? É rápido demais para você?

O sorriso escapou pelo canto da boca de Tyler, contido tarde demais. Ele umedeceu os lábios secos e negou com a cabeça, enquanto o carro tomava a rampa em espiral e o solo ficava para trás.

— Não é muito rápido para mim. Se ela acha o cara legal, por que não?

— Você quer tomar um café lá em casa, então?

Tyler mordeu o lábio para segurar a resposta óbvia e balançou a cabeça num sim ritmado.

— Sim. — Olhou para Claire. — Me passa o seu endereço, eu não sei para onde estou indo.

A gargalhada de Claire tomou o carro; Tyler não tentou conter o sorriso dessa vez.

🔓 Belos mortais, novo arquivo liberado.

Uma civil deixou o tatame mancando, e o segurança contratado para proteger a chefe acabou escalado para proteger a vítima dela.

Registrei:

▪️ uma herdeira que derruba uma civil no treino e terceiriza o pedido de desculpas para o funcionário

▪️ um segurança que mede cada palavra com todos e, diante de uma mulher que mal conhece, entregou a irmã sem passar pelo filtro de costume

▪️ uma lesão que rendeu à vítima aulas particulares e nenhuma queixa contra a agressora

▪️ um interrogatório sobre namorada embalado como preocupação com o emprego dele

🔒 Porque Tyler foi contratado para proteger quem nunca precisou de proteção, e foi justamente a mulher que mancava que o deixou sem defesa alguma.

⭐ Deixe a sua estrelinha nesse capítulo. Quanto mais agentes tiverem acesso a este dossiê, mais longe a operação chega.

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