Fragmento 155 - Ordem e Progresso Memórias Sentimentais de João Miramar · Capítulo 155 de 163
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Fragmento 155 - Ordem e Progresso

Anuo Novo jantou juntados redactores e con­ vivas pela administração jornalal de largas vis­ tas e construiu a meu lado um parallelepipedo de carne com oculos sem pé que era o dr. Man­ darim Pedroso, Machado Penumbra directivo nos enfrentava casaca de papo branco e flor. — E ’ um grego de tendências emotivaes! apon- tou-o com 0 guardanapo o toutiço vizinhante á. chegada do trem da sobremesa. Vae longe! Vou fazel-o Vice-Presidente do Recreio Pingue Pon- gue. Explicou-me o que era ás claras essa chiquissi- ma sociedade de moças que a sua i)ersonal:dade centrava como um coreto. — Uma forja de temperamentos e um ninho de pombas garrulas. O Sr. precisa entrar para lá, principalmente depois que o seu nome de poeta e jornalista começa a raiar nos galarins da fama. Quer saber, digo-lhe confidencialmente, o Presi-

•dente da Republica sahiu de nossas fileiras, o Prefeito de São Panlo também, o Vice Prefeito idem idem. -Tá fornecemos á alta administração doze estrellas de primeira grandeza. Santos Du­ mont é dos nossos. /1 Av E súbito, reservado como as senhoras que a gente encontra na sala secreta do museu de Nápo­ les : BK. — O Sr. possne filhas? — Sim. Tenho uma de seis annos. — Ponha-a lá, ponlia-a lá, se qnizer salval-a dos perigos contemporâneos. Ahl Lá não se dansa o paso doble, meu caro senhor! O paso doble! Devia chamar-se a copula de salão! Olhe, nós vi­ fS m JÍV

vemos numa civilização de dancings... Facas bateram copos semaphoricos- Face a nós. Machado Fenumbra elevara-se, neto de Lord ron na Ttalia. — E’ um discurso para amigos, meus senhores! E como esta florida mesa reune sómente rapa­ zes, eu beberei a Cup do! A cada ])iesente a esta reunião de saude e fraternidade, eu junto uma au­ sente cara, numa argonave de esperanças eternas. Porque nós, meus coliegas, meus amigos, neste valle de emoções, de apogeus e de quedas de ícaro, vivemos apenas o romance da eterna pesquisa,

da eterna procura, da eterna recherche, da eterna !l': Q magna da miragem ! Mas não fiqnemos apenas- na visão desse desejo do impossivel qne a todos nos inquieta e commove. Prosigamos na realiza­ ção do Inachado, do Irrealizável, do Incrivel, al­ cancemos a promessa lantejoulante do Nada! A ’’ mulher, ergo a minha taça de vencido!

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