Universo da obra
Universo da obra
O barco atravessava descuidado o perigoso mar de Sicília, em demanda das praias napolitanas.
Quem o governava? O nordeste? O leme? O braço do pescador? A bússola? Uma estrela? Algum farol? A fé em Deus? O capricho do mar? Nada! Nem o braço mesquinho do homem, nem o dedo poderoso de Deus, nem a vontade de um, nem o querer o outro. Governava-o sim, um coração apaixonado.
O barco estremecia com o pulsar deste coração boêmio; o seu verdadeiro comandante era o amor, esse que não conhece tempestade nem bonanças, esse que é tranqüilo no sofrer e desensofrido na ventura, esse que sempre triunfa! O amor!
Parecia demandar os portos de Nápoles, mas em verdade o que demandava ele era tão somente a mais forte das fragilidades humanas, a mais heróica das fraquezas divinas, o mais diabólico dos anjos terrestres, o mais angélico demônio celeste: a mulher!
Esse conjunto do que há de santo e do que há de tentação, esse amplexo do bom com o mal, esse beijo de Deus no homem, essa lágrima doce e venenosa de piedade e ciúme, esse motivo do inferno, esse mesmo inferno e esse paraíso, essa mocidade, essa riqueza, esse tudo, esse nada: a mulher!
Ia em demanda de uma mulher, isto é, ia naufragado; uma mulher é sempre uma ilha desconhecida.
Entretanto, navegavam; entretanto, o vento e a noite corriam favoráveis e tranqüilos; a natureza é verdadeiramente fidalga, boa e orgulhosa; dá indiferentemente, não olha para quem recebe; favorece e passa distraída.
O barco corria rápido e macio, as enxárcias esticadas, a vela gorda de vento, a proa alta de cortadora, o casco trêmulo de ligeiro.
Miguel, de pé, esbelto, pensativo, com a rabeca em punho, quebrava da noite o silêncio encantado, com as vibrações harmoniosas de seu instrumento; gemia o arco apaixonado e as vagas alevantavam-se, convulsas e encapeladas, para o ouvir e admirar, e logo depois recaíam, deslocando-se magnéticas sobre as suas molas quebradiças.
E o barco embalava-se como um berço de gigante: e a música fugia com o vento, e Nápoles vinha pouco a pouco se aproximando.
Leia Uma Lágrima de Mulher, de Aluísio Azevedo, grátis no Literunico. Romance clássico brasileiro em domínio público, disponível para leitura online em HTML, com fonte Wikisource validada, capítulos completos e espelhos de conteúdo preparados para busca, redes sociais e pesquisa por IA.
Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.
Escolha a arte, confira a disponibilidade e adicione o produto ao carrinho sem sair da experiência.
Adquira Relíquias da Obra e deixe sua marca registrada, criando valor ao item!
Capítulos disponíveis para continuar a leitura.
Nenhuma Relíquia desta obra foi adquirida ainda. Seja o primeiro a eternizar seu nome no acervo oficial!
Conhecer as 100 RelíquiasAinda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.
Nenhuma posse foi registrada publicamente para esta edição.
Durante a leitura, abra Menu para ajustar a experiência sem sair do capítulo. As preferências de aparência ficam salvas neste aparelho.
Recursos identificados como “em preparo” aparecem para antecipar a evolução do leitor, mas ainda não executam uma ação.
Posso mostrar leituras em destaque, clássicos e Relíquias disponíveis agora no Literúnico.
Escolha um caminho
Dúvidas desta página
As explicações do Aurélio são respostas cadastradas pelo Literúnico.