Universo da obra
Universo da obra
Por pequenos detalhes e traços insignificantes colhidos em palestras e ouvidos em descrições de hábitos locais, parece-me perceber que o Rio Grande do Sul, não tem só muito dinheiro pelo modo porque é governado nem tampouco pela notável abundância da sua produção agrícola, pecuária e industrial, mas também e muito especialmente, pela índole econômica do seu povo que neste ponto nos poderia dar a todos nós, outros brasileiros, lições proveitosíssimas.
O critério, que faz do francês o povo mais rico do mundo, faz ou fará da população rio-grandense a população mais rica do Brasil.
Com um pouco de exagero poder-se-ia dizer que está no ar que se respira esta prevenção cautelosa que obriga muita gente aqui a pensar com seriedade no dia de amanhã, guardando economias para as debilidades da velhice e da idade madura. Só depois de assegurada a casa e o pão cotidiano é que a maioria das pessoas se permitem satisfazer a ambição de sonhadas viagens ou de aquisições reputadas supérfluas.
Este modo de supitar impaciências é uma demonstração de força de vontade rara em indivíduos da nossa raça vivaz e imprevidente. Não perguntei ainda pelo valor das entradas mensais na caixa Econômica do Estado, mas se a minha percepção não é por demais rombuda elas devem ser de considerável importância.
Enganar-me-ei? É cedo para sabê-lo mas suponho que não erro acreditando nas acertadas tendências financeiras destes nossos patrícios, para os quais todo o brasileiro nascido fora do seu Estado é denominado — baiano.
Pergunto porquê, e não me sabem explicar a razão dessa curiosa anomalia, mas certamente que ela não poderá deixar de ser lisongeira à ilustre e ilustrada terra nortista.
Fui assim baiana durante os dias em que tive o gosto de viver no Rio Grande do Sul, gozando a glória de ser conterrânea do meu bom amigo Constâncio Alves, e do eminente senador Sr. Ruy Barbosa!
Há dois pontos no Planeta a que ainda muito criança me acostumei a amar mesmo sem os conhecer, através da saudade de duas aias que embalaram o meu berço e contaram as primeiras histórias que me embeveceram a imaginação. Esses dois pontos são, um — a Baía, terra da mulata escrava a quem eu dava com ternura o nome de — Mamã Maria; o outro a Ilha de S. Miguel, nos Açores, pátria da governante da casa de meus Pais, que eu chamava de Avó e a quem o meu coração é sempre reconhecido. Deste modo, ser baiana para mim não é muito difícil!
Jornadas no meu país reúne as crônicas da viagem de Júlia Lopes de Almeida pelo sul do Brasil em 1918, publicadas em volume em 1920. Esta edição Literunico preserva integralmente os 37 capítulos e apresenta o texto com ortografia atualizada para o português brasileiro contemporâneo.
Ainda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.
Escolha a arte, confira a disponibilidade e adicione o produto ao carrinho sem sair da experiência.
Adquira Relíquias da Obra e deixe sua marca registrada, criando valor ao item!
Capítulos disponíveis para continuar a leitura.
Nenhuma Relíquia desta obra foi adquirida ainda. Seja o primeiro a eternizar seu nome no acervo oficial!
Conhecer as 100 RelíquiasAinda não há resenhas para esta obra. A primeira leitura comentada pode começar aqui.
Nenhuma posse foi registrada publicamente para esta edição.
Durante a leitura, abra Menu para ajustar a experiência sem sair do capítulo. As preferências de aparência ficam salvas neste aparelho.
Recursos identificados como “em preparo” aparecem para antecipar a evolução do leitor, mas ainda não executam uma ação.
Posso mostrar leituras em destaque, clássicos e Relíquias disponíveis agora no Literúnico.
Escolha um caminho
Dúvidas desta página
As explicações do Aurélio são respostas cadastradas pelo Literúnico.