Público
A rua virou um rio
corre água escura da chuva
um verão longo e triste
inundado de ausências
sem choro
observo a correnteza
sobre o asfalto a sujeira
carregada além
não mais lamento
estou parado na varanda
de uma vida sem sal do mar
sem brilho, sem sabor, sem cor
a rua virou um rio
que trocou o oceano pelos bueiros
que trocou o bolero pelo silêncio
sem choro, sem samba, sem música
uma vida que finda
e não tenho mais esperança
ela não dança
ela não vem
Edu Liguori
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Público
Naquele mundo distópico
não havia amor passado
ninguém queria, ninguém sentia
amor virou instante
nada mais é filantrópico
sem o corpo amassado
nada mais intenso havia
morreu o tal romance
eles já não se encontram
a faísca é então digital
signos, pura semiótica
momentos de compreensão
no gozo solitário se concentram
perdeu-se o instinto animal
relação simples simbiótica
alívio sem rompantes de paixão
tudo em nome do medo
o receio de por fim viver
sempre é muito cedo
para deixar acontecer
evitam assim cicatrizes
não reproduzem emoções
atores e atrizes
elaboradas interpretações
não há mais amor
já temos outras dores
uma vida sem humor
muitas telas e computadores
a poesia tenta e resiste
com seu pedido desesperado
provoca e ainda insiste
em busca do último enamorado
Edu Liguori
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Público
O único poema que me vem hoje a mente
ainda não foi escrito, fala do amor que não veio
e por isso a mão dormente não escreve, não sente
só imagino a hipótese de calado me aninhar em teu seio
sei que não há um sonho mais doce do que o que cometi
te cantei cem fábulas e me apaixonei deveras por ti
enfim reflito pausadamente sobre quão doce foi tua verdade
que mesmo ao dizer não, depositou carinho e realidade
esse poema desconhecido, jamais celebrado ou rimado
ficará para a história obscuro e não será lido ou amado
ele conta sem dizer nada a aventura deste poeta que ousou
conquistar sua amada pedindo que ela fosse livre (e ela voou)
Edu Liguori
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Público
Quero te comer feito rapadura
quebra-queixo, gostosura
lamber os beiços babados
estremados, desleixados
ser teu carma, teu ódio, teu amor
arma dura, sódio, teu calor
quero te saborear feito líquido
sorver e beber todo teu fluido
suco de manga, maçã e pêssego
botar fim no teu último sossego
comer tua alma, tua paz, tua flor
consumir e exterminar tua dor
ser homem, ser mago, ser paixão
tu mulher, colher, minha mão
nessa loucura incontida e safada
minha fada, nossa foda, uma estrada
dou um trago, te estrago e sorrio
tu rebolas, gargalhas o que sentiu
um par ímpar de tão incomum
sertão, mar, camarão e jerimum
enquanto começo a te navegar
venha com fé e força delirar
não há nada que se possa perder
quebra-queixo, deixo, entreter
Edu Liguori
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Público
O que será dessa vez
o relógio já marca mais de uma da manhã
a goteira persistente irrita os nervos
o barulho da chuva lá fora molha os intestinos
pega a seda, enrola um cigarro e fuma
a cama foi abandonada, está de novo sobre o teclado
não tem absolutamente nada para dizer
apenas precisa escrever
sem razão aparente o sono não vem
os minutos passam juntos com os carros
a garganta arranha a fumaça já exagerada
a luz amarela do abajur e vermelha do computador
Espanha
não, nada de espanhol
só o lençol bagunçado
a mente ansiosa, entediado
de mais uma noite longa e molhada
os poetas não dormem
bebe mais um copo d'água
outro trago e o silêncio misturado
com o maldito som da goteira
outra noite igual a tantas outras
a mente que trabalha um verão
e atrapalha o sono frio
do dono destas palavras sem sentido
não sabe como encerrar o poema
já deu boa noite há muito tempo
engole seco o pigarro amargo
coça a cabeça vazia de ideias
esqueça, só mais um anoitecer
de poeta
e os poetas não dormem
falecem
Edu Liguori
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Público
No espaço vazio que penso que ocupo
há muito mais do que creio ou conheço
cego não enxergo nem me preocupo
não sei se existe um fim e ou um começo
deitado e calado aqui de olhos fechados
não sei se havia verdade ou pura ficção
enquanto a pé atravessava o cerrado
uma linda zebra era beijada por um leão
destemido me jogo sem saber o caminho
sigo sonhando a viagem mais colorida
ilusão da razão perdida num gesto de carinho
depois dela sou assim uma tela divertida
louco entorpecido perdido na geografia
surge o mar com ondas de espumas brancas
flutua Afrodite em sonora e elevada harmonia
danço sob o encanto de suas fartas ancas
agora sou deus sou Botticelli sou só um homem
então beijo a zebra o leão a letra e o chão
são as drogas ou os desejos que me consomem
no mar por fim me afogo entre a deusa e a paixão
Edu Liguori
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Público
Entre meus olhos
e meu sincero desejo
espero o encontro entre
o parágrafo e o ponto
sobre linhas e predicados
o verbo que dá sentido
ao nosso verso mais bonito
Edu Liguori
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Público
Amor vamos pra ilha
vamos pra Havana
vamos pra Cuba
amor vamos com a família
viver numa branca cabana
nem que seja em Ubatuba
amor vamos sonhar com a utopia
na pátria grande talvez em Araruama
o amor o mar e a sombra da munguba
Edu Liguori
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Fechamos o balanço até 2024!
"Noites em Claro" vendeu 63 livros em versão impressa
"Perdições" foram 8 impressos e 10 digitais + 704 páginas lidas no KU
Vamos continuar sonhando e esperando que mais leitores entrem em contato com nossa obra.
Agradeço de coração todos que compraram os livros, mais ainda aqueles que comentaram, avaliaram e ajudam na divulgação.
Somos pequenos, mas temos muito orgulho do que já entregamos!
Feliz 2025 para todos os amantes da literatura e da poesia!
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Público
Se você não gosta
deixa o outro gostar
cada um tem um gosto
e um desgosto
nada vai mudar
nem ficar como está
dezembro ou agosto
o importante é degustar
quer apostar?
Edu Liguori
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