@literunico
há 11 meses
Público
#Dia 323
Elã

Surge como centelha no vácuo,
Num ímpeto súbito e sem previsão.
Elã não se apresenta num palco
Não cabe num momento vão.

Sua razão é a de uma criança,
Ao fulgor que o peito reclama.
Não é desejo nem esperança,
É mais: a urgência que exclama

Vai onde o cálculo recua,
Inventa um sim no precipício.
Elã é sopro que perpetua
O gesto antes do artifício.

Não há método em sua pressa,
Nem cálculo que a contenha.
É a loucura que rompe a promessa
E o sonho que a mente desenha.

Eder B. Jr.
Abrir 2 curtidas 0 comentários
@literunico
há 1 ano
Público
#Dia 322
Volição

Ergue-se o ver antes do gesto,
Na roupagem oculta da vontade.
Volição, rito antigo, manifesto
Que impele a alma à realidade.

Não nasce do impulso que vacila,
Nem do capricho breve e volúvel,
Mas de arcana centelha que destila
Um desejo firme, quase indissolúvel.

Sua mente, é ordem que se revela,
Seu choro, é olhar que não fraqueja.
Volição não se curva à cautela,
É a batalha esquecida de toda peleja.

Quem a escuta, marcha ao destino,
Não por sorte, ou rota imposta.
Mas por um ímpeto puro, genuíno
A escolha que a si mesma aposta.

Eder B. Jr.
Abrir 1 curtidas 0 comentários
@literunico
há 1 ano
Público
#Dia 321
Peregrinidade

É do passo, não do chão,
É da estrada que se desfaz.
Peregrinidade, contradição:
Raiz que brota no que jaz.

Não busca pátria, nem abrigo,
Mas o risco que deixa ao partir.
Fluxo do tempo em desabrigo,
Toda certeza de prosseguir.

Na bagagem, memórias líquidas,
Na alma, uma geografia viva.
Não pertence às moradas obtidas,
Seu destino é o movimento que cativa.

É quem crê na travessia,
Mesmo sem saber onde termina.
Peregrinidade é ponte da poesia
De quem viaja pra longe... na esquina.

Eder B. Jr.

#Neologismo
Abrir 2 curtidas 1 comentários
@literunico
há 1 ano
Público
#Dia 320

Inefabilidade

Há coisas que o verbo profana ao tocar,
Sentires que escorrem sem nome ou contorno.
A Inefabilidade, ao invés de falar,
Se assenta no peito, silêncio em retorno.

Mais que a beleza, além da razão,
É prece sem luz, é vertigem sem queda.
É quando a emoção, por não ter noção
Desfaz-se em presença que não se delega.

O olhar se prolonga, o toque se ausenta,
Não há palavra, ideia que comporte.
Inefabilidade, ponte sedenta

Entre o instante divino da carne mais forte.
E quem nela habita, enfrenta a tormenta.
Já viu, no indizível, o que acha que é sorte.

Eder B. Jr.
Abrir 4 curtidas 0 comentários