Ao Dormires...
Poemas Antigos 005
Ah! Os poemas bobinhos da juventude - que vão e que voltam para nós redizer coisas que voltam a fazer sentido!...
Ao Dormires...
Ao deitares, enfim, serei teu manto
A cobrir-te inteira, e abraçar-te;
Ao dormires, serei eu, com tal encanto,
O sonho belo e profundo; e, destarte,
Neste sonho, serei eu o bravo herói,
Que então te salva das garras da maldade
E que dentro de ti a dor destrói
Para que enfim, me adores de verdade.
E, assim, ao acordares encantada
Deste sonho, perfeito conto-de-fada,
Perceba a luz que entra pela janela:
Pois serei eu, também, o brilho do desejo
Que invade o teu quarto e te dá um beijo,
E que ilumina, como o Sol, tua face bela.
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Tiago Bianchini Fidalgo
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Inspiração Enterna
A fábula das cordas
Poemas Antigos 004
Violino
Cello
Viola
Cello e Viola juntos
A fábula das cordas
- Responda, violino, onde vais tocar,
Assim, deste jeito, a nos deixar sem fala?
- Minha pobre viola, subirei no altar
E serei o centro, e serei o spalla!
- Mas, diga, violino: o que vais tocar
Para alegrar esta manhã triste?
- Meu súdito cello, tocarei eu Bach
E tocarei Mozart, e tocarei Liszt!
E serei xodó de Vivaldi, e tanto
Que ele, a mim, confiará sua primavera;
E despertarei, ao mundo, tal encanto,
Que haverão canções como nunca houvera.
Mas tu, minha irmã, se isto a consola,
Tu nunca serás, nesta vida, spalla;
1Nem nunca terás, singela viola,
Nem frase e nem palco onde possas tocá-la.
Ao passo que tu, meu simplório cello,
Jamais saberás o que é estar à frente;
E nem o que é puro, e nem o que é belo,
E não sentirão tua falta, se ausente.
Mas, eu, terei sempre os portões abertos
E receberei de todos as palmas
E emprestarei meu nome a concertos
E tocarei solos, e tocarei almas.
- Pois quanta arrogância há no teu agudo!
Meus graves jamais gostariam de sê-lo;
Voz esganiçada! Antes fosses mudo!
Saibas tu que muito me orgulho em ser cello!
- Teu grande defeito – deves percebê-lo! –
É teu timbre tosco, que cansa e que amola:
Minha voz é um veludo, e, tal como o cello,
Também eu me orgulho em ser uma viola!
Agora vai, anda! Vai tocar teu Bach!
Estoure as suas cordas, meu caro menino!
Pois sem nossa ajuda, ninguém ouvirá
O som fraco e tosco d’um reles violino!
Poemas Antigos 004
Violino
Cello
Viola
Cello e Viola juntos
A fábula das cordas
- Responda, violino, onde vais tocar,
Assim, deste jeito, a nos deixar sem fala?
- Minha pobre viola, subirei no altar
E serei o centro, e serei o spalla!
- Mas, diga, violino: o que vais tocar
Para alegrar esta manhã triste?
- Meu súdito cello, tocarei eu Bach
E tocarei Mozart, e tocarei Liszt!
E serei xodó de Vivaldi, e tanto
Que ele, a mim, confiará sua primavera;
E despertarei, ao mundo, tal encanto,
Que haverão canções como nunca houvera.
Mas tu, minha irmã, se isto a consola,
Tu nunca serás, nesta vida, spalla;
1Nem nunca terás, singela viola,
Nem frase e nem palco onde possas tocá-la.
Ao passo que tu, meu simplório cello,
Jamais saberás o que é estar à frente;
E nem o que é puro, e nem o que é belo,
E não sentirão tua falta, se ausente.
Mas, eu, terei sempre os portões abertos
E receberei de todos as palmas
E emprestarei meu nome a concertos
E tocarei solos, e tocarei almas.
- Pois quanta arrogância há no teu agudo!
Meus graves jamais gostariam de sê-lo;
Voz esganiçada! Antes fosses mudo!
Saibas tu que muito me orgulho em ser cello!
- Teu grande defeito – deves percebê-lo! –
É teu timbre tosco, que cansa e que amola:
Minha voz é um veludo, e, tal como o cello,
Também eu me orgulho em ser uma viola!
Agora vai, anda! Vai tocar teu Bach!
Estoure as suas cordas, meu caro menino!
Pois sem nossa ajuda, ninguém ouvirá
O som fraco e tosco d’um reles violino!
Ateliê
Poemas Antigos 003
Mais uma velharia - ops! obra vintage - para vocês. Este está mais bonitinho...
Ateliê
Meu amor é tinta diluída,
Nas saudades de uma pincelada;
E diante da tela calada,
Onde eu pinto esta minha vida,
Em luz-e-sombra, em cor esquecida
No cinza-claro, onde está traçada
Em tinta-a-óleo, sem dizer nada,
A minha Mona Lisa perdida;
És tu o brilho alvo do céu
Que guia sempre este meu pincel
Por sobre o pano, que esta dor corta;
És a mulher que me dá cor bela,
Enchendo de vida esta tela
Da minha vã natureza-morta.
Poemas Antigos 003
Mais uma velharia - ops! obra vintage - para vocês. Este está mais bonitinho...
Ateliê
Meu amor é tinta diluída,
Nas saudades de uma pincelada;
E diante da tela calada,
Onde eu pinto esta minha vida,
Em luz-e-sombra, em cor esquecida
No cinza-claro, onde está traçada
Em tinta-a-óleo, sem dizer nada,
A minha Mona Lisa perdida;
És tu o brilho alvo do céu
Que guia sempre este meu pincel
Por sobre o pano, que esta dor corta;
És a mulher que me dá cor bela,
Enchendo de vida esta tela
Da minha vã natureza-morta.
Soneto Proparoxítono
Poemas antigos 002
Seguindo a sessão nostalgia, vou postar um poema-exercício que fiz naquela época (naquela lá, nos anos 90, antes de os dinossauros se alastrarem sobre a Terra).
Pra variar, não é muito bom (afinal, é um exercício), mas traz apenas rimas proparoxítonas perfeitas. Não é fácil.
E ainda tenho que passar uma ideia (neste caso, o balanço entre o ateu e o cristão).
Lembrem-se dos meus 16 anos: Relevem.
Soneto Proparoxítono
O pensamento do cético,
Ainda que seja exótico,
Sentimental, patriótico,
E que chegue a ser patético,
Tem um ar meio profético,
Dentro de um globo ótico,
Sem que se torne neurótico,
Sem chegar a ser caquético.
Mas quem crê não é lacônico,
Seja cristão, evangélico,
De pensamento antagônico,
Até mesmo maquiavélico;
Mas nunca é catatônico
Porque crê; é um ser angélico.
Poemas antigos 002
Seguindo a sessão nostalgia, vou postar um poema-exercício que fiz naquela época (naquela lá, nos anos 90, antes de os dinossauros se alastrarem sobre a Terra).
Pra variar, não é muito bom (afinal, é um exercício), mas traz apenas rimas proparoxítonas perfeitas. Não é fácil.
E ainda tenho que passar uma ideia (neste caso, o balanço entre o ateu e o cristão).
Lembrem-se dos meus 16 anos: Relevem.
Soneto Proparoxítono
O pensamento do cético,
Ainda que seja exótico,
Sentimental, patriótico,
E que chegue a ser patético,
Tem um ar meio profético,
Dentro de um globo ótico,
Sem que se torne neurótico,
Sem chegar a ser caquético.
Mas quem crê não é lacônico,
Seja cristão, evangélico,
De pensamento antagônico,
Até mesmo maquiavélico;
Mas nunca é catatônico
Porque crê; é um ser angélico.
Soneto modernista
Poemas antigos 001
Encontrei um arquivo bem antigo, perdido em pastas perdidas de drives perdidos. Não tenho as datas, mas minha memória é ótima e sei que são de 1995-1996.
Não, não são bons, eu sei. Mas queria deixá-los por aqui. Não que a Literunico seja um depósito, mas pode ser um registro de memórias.
Não se espantem. Relevem. São antigos e velhos, e resultado de experimentos. Muitos deles só foram feitos como exercício - e é ótimo registrá-los, porque demonstra que meus (poucos) poemas bons vêm de toneladas de testes e exercícios ruins. Viva a persistência!
Agora, chega de conversas e desculpas. Eis o primeiro, que se chama...
Soneto modernista
Eu poderia lhe dizer:
"Multiplique as estrelas do céu
pelas gotas do oceano, e terá uma
vaga idéia do quanto eu te amo.",
Mas eu não sou bom em matemática;
Eu poderia falar assim:
"A Lua se inspira em tua beleza prá brilhar,
E o Sol rouba de teu calor para nascer...",
Mas sou péssimo em astronomia;
Meu Deus; eu lhe poderia dizer:
"Se esta rua fosse minha, eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas de brilhante, só prá você passar.",
Mas ainda não sou tão rico assim;
Eu não sou lá muito inteligente;
Mas eu te amo.
Poemas antigos 001
Encontrei um arquivo bem antigo, perdido em pastas perdidas de drives perdidos. Não tenho as datas, mas minha memória é ótima e sei que são de 1995-1996.
Não, não são bons, eu sei. Mas queria deixá-los por aqui. Não que a Literunico seja um depósito, mas pode ser um registro de memórias.
Não se espantem. Relevem. São antigos e velhos, e resultado de experimentos. Muitos deles só foram feitos como exercício - e é ótimo registrá-los, porque demonstra que meus (poucos) poemas bons vêm de toneladas de testes e exercícios ruins. Viva a persistência!
Agora, chega de conversas e desculpas. Eis o primeiro, que se chama...
Soneto modernista
Eu poderia lhe dizer:
"Multiplique as estrelas do céu
pelas gotas do oceano, e terá uma
vaga idéia do quanto eu te amo.",
Mas eu não sou bom em matemática;
Eu poderia falar assim:
"A Lua se inspira em tua beleza prá brilhar,
E o Sol rouba de teu calor para nascer...",
Mas sou péssimo em astronomia;
Meu Deus; eu lhe poderia dizer:
"Se esta rua fosse minha, eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas de brilhante, só prá você passar.",
Mas ainda não sou tão rico assim;
Eu não sou lá muito inteligente;
Mas eu te amo.
Um poema pra se fazer pelado
(um nome sugestivo para uma sexta-feira - seria este o meu primeiro "sexxxtou" na Literúnico? Duvido que esteja nesse nível).
Um poema pra se fazer pelado
Um banho frio.
Para lavar o corpo e a alma,
Para esfriar a cabeça e as ideias.
Um banho frio
Para dizer aos músculos que eles ainda têm trabalho a fazer.
Água gelada para refrescar a noite quente,
Para colocar as coisas no seu devido lugar,
Na sua devida temperatura.
Um banho frio.
Um santo remédio contra a gripe,
O cansaço
E o mau humor.
Ajuda a combater ainda
O excesso de preguiça
E a falta de vontade...
Um banho frio:
A água que bate impetuosa sobre o corpo,
Massageando-o,
Para depois deslizar suave pelo Espírito,
Adormecendo-o.
E depois do banho frio,
Deitar na cama e aproveitar o resto da noite,
Com um travesseiro macio
Um colchão firme,
E, sobre os dois, o corpo do meu Amor,
Que é, ao mesmo tempo, macio e firme, na medida e na temperatura perfeita...
(um nome sugestivo para uma sexta-feira - seria este o meu primeiro "sexxxtou" na Literúnico? Duvido que esteja nesse nível).
Um poema pra se fazer pelado
Um banho frio.
Para lavar o corpo e a alma,
Para esfriar a cabeça e as ideias.
Um banho frio
Para dizer aos músculos que eles ainda têm trabalho a fazer.
Água gelada para refrescar a noite quente,
Para colocar as coisas no seu devido lugar,
Na sua devida temperatura.
Um banho frio.
Um santo remédio contra a gripe,
O cansaço
E o mau humor.
Ajuda a combater ainda
O excesso de preguiça
E a falta de vontade...
Um banho frio:
A água que bate impetuosa sobre o corpo,
Massageando-o,
Para depois deslizar suave pelo Espírito,
Adormecendo-o.
E depois do banho frio,
Deitar na cama e aproveitar o resto da noite,
Com um travesseiro macio
Um colchão firme,
E, sobre os dois, o corpo do meu Amor,
Que é, ao mesmo tempo, macio e firme, na medida e na temperatura perfeita...
Quando se Perde
Crônica
Acabo de ler um poema espetacular do @luscaluiz , e me lembrei que, há quase 30 anos, escrevi uma série de crônicas sobre a Copa de 1970 (que não assisti, senão em vídeos posteriores).
Segue, então, um desses textos, chamado "Quando se Perde".
Relevem a falta de técnica, eu era um rapazinho de 16 anos que achava que produzia textos maravilhosos... e acabei deixanto-os assim mesmo, para sempre me lembrar da evolução que tive desde então.
Crônica
Acabo de ler um poema espetacular do @luscaluiz , e me lembrei que, há quase 30 anos, escrevi uma série de crônicas sobre a Copa de 1970 (que não assisti, senão em vídeos posteriores).
Segue, então, um desses textos, chamado "Quando se Perde".
Relevem a falta de técnica, eu era um rapazinho de 16 anos que achava que produzia textos maravilhosos... e acabei deixanto-os assim mesmo, para sempre me lembrar da evolução que tive desde então.
Reborn
(Um poema disforme, sem métrica nem pé nem cabeça. Mais ou menos como anda o mundo.)
Crianças que querem brincar de adulto;
Em seu mundo de faz-de-conta, a arrumar a cama,
A fazer comidinha, servindo à boneca que reclama,
A fazer comprinhas ou namorar um amigo oculto.
A brincar de carrinho - Vruum! Vruum!
Ou a brincar de guerra - Ratatatá!
A brincar de médico, que irá curar
Doenças imaginárias, sem temor algum.
Crianças que já se imaginam crescidas:
Racionalizando conversas e fingindo estudo,
Se metendo em assuntos sérios e querendo saber tudo,
Achando-se senhoras das suas próprias vidas.
Adultos que querem brincar de criança;
Procrastinando leituras e estudos mais,
Indo-e-vindo em Uber, sentados no banco de trás,
Reclamando de como dirigir todo dia cansa.
A escolher matar e morrer em guerras reais,
a fugir de decisões pelas quais se é responsável,
A viver como se tudo fosse permitido e descartável,
A tratar como brincadeiras suas doenças mentais.
Buscando prazer num estranho para trair seu par,
Fugindo das responsabilidades, em busca de diversão;
A gastar mais do que pode, e estourar o cartão,
A procurar o colo de um pai que já não vai voltar.
Crianças maduras, adultos infantis; buscando o que os torne
O ideal do outro, abandonando o que não lhes agrada,
E dedicando-se a uma vida que se resume a nada:
Amores fake, vidas plásticas, sensações vazias, bebês reborn.
(Um poema disforme, sem métrica nem pé nem cabeça. Mais ou menos como anda o mundo.)
Crianças que querem brincar de adulto;
Em seu mundo de faz-de-conta, a arrumar a cama,
A fazer comidinha, servindo à boneca que reclama,
A fazer comprinhas ou namorar um amigo oculto.
A brincar de carrinho - Vruum! Vruum!
Ou a brincar de guerra - Ratatatá!
A brincar de médico, que irá curar
Doenças imaginárias, sem temor algum.
Crianças que já se imaginam crescidas:
Racionalizando conversas e fingindo estudo,
Se metendo em assuntos sérios e querendo saber tudo,
Achando-se senhoras das suas próprias vidas.
Adultos que querem brincar de criança;
Procrastinando leituras e estudos mais,
Indo-e-vindo em Uber, sentados no banco de trás,
Reclamando de como dirigir todo dia cansa.
A escolher matar e morrer em guerras reais,
a fugir de decisões pelas quais se é responsável,
A viver como se tudo fosse permitido e descartável,
A tratar como brincadeiras suas doenças mentais.
Buscando prazer num estranho para trair seu par,
Fugindo das responsabilidades, em busca de diversão;
A gastar mais do que pode, e estourar o cartão,
A procurar o colo de um pai que já não vai voltar.
Crianças maduras, adultos infantis; buscando o que os torne
O ideal do outro, abandonando o que não lhes agrada,
E dedicando-se a uma vida que se resume a nada:
Amores fake, vidas plásticas, sensações vazias, bebês reborn.
Lá vai um poema.
Não tem nome nem rima.
E só vou postar porque uma IA amiga minha me disse que é muito bom (é claro, duvido muito, mas IAs sempre estão querendo nos bajular e agradar).
Lá vai:
Sou um bom leitor de almas,
Dos que lêem nas entrelinhas.
Não faço questão de me meter,
Mas estou aqui, sempre, a observar.
Guardo nos olhos palavras perdidas
De amigos, amigas e desconhecidos;
Sem opiniões nem julgamentos,
Lendo as mentes e mentiras mal-contadas.
Sou um bom leitor, só não pareço.
Não me exibo nem me mostro.
Prefiro as sombras dos cantos humanos,
De onde posso observar sem ser visto.
E, de ler almas e mentes,
De criar conexões e intimidades,
Me torno invisível e confiável,
Como todo amante deve ser.
E de ser amante dos seres humanos,
Crio-os, eu próprio, nos contos,
Detalho-os, moldo-os, e submeto
Às minhas vontades, suas psiquês imperfeitas.
Eis a vida de um escritor: amar uma Você imaginária,
Sem coragem de me expor, ou de tirar-te do papel,
Amar alguém que não existe,
Imaginando ser feliz e completo.
Eis, pois, a mim: um desconhecido invisível,
Amador de pessoas que não conheço.
Criador de cenários e histórias felizes,
Onde podem coexistir o Eu e o Você.
Não tem nome nem rima.
E só vou postar porque uma IA amiga minha me disse que é muito bom (é claro, duvido muito, mas IAs sempre estão querendo nos bajular e agradar).
Lá vai:
Sou um bom leitor de almas,
Dos que lêem nas entrelinhas.
Não faço questão de me meter,
Mas estou aqui, sempre, a observar.
Guardo nos olhos palavras perdidas
De amigos, amigas e desconhecidos;
Sem opiniões nem julgamentos,
Lendo as mentes e mentiras mal-contadas.
Sou um bom leitor, só não pareço.
Não me exibo nem me mostro.
Prefiro as sombras dos cantos humanos,
De onde posso observar sem ser visto.
E, de ler almas e mentes,
De criar conexões e intimidades,
Me torno invisível e confiável,
Como todo amante deve ser.
E de ser amante dos seres humanos,
Crio-os, eu próprio, nos contos,
Detalho-os, moldo-os, e submeto
Às minhas vontades, suas psiquês imperfeitas.
Eis a vida de um escritor: amar uma Você imaginária,
Sem coragem de me expor, ou de tirar-te do papel,
Amar alguém que não existe,
Imaginando ser feliz e completo.
Eis, pois, a mim: um desconhecido invisível,
Amador de pessoas que não conheço.
Criador de cenários e histórias felizes,
Onde podem coexistir o Eu e o Você.
O abraço
Vem. Me abraça.
Me faça sentir-me perto.
Um aperto de mãos da alma,
Que acalma, que acalma...
Vem. Me abraça.
Amassa, com seus braços delicados,
Meus pecados; me acolhe em tuas melenas
Em tuas mãos pequenas, morenas...
Vem. Me abraça.
Me enlaça como um casulo
E em teu ósculo quero me afogar,
Neste mar, a te amar!...
Vem. Me abraça.
Me faça sentir-me perto.
Um aperto de mãos da alma,
Que acalma, que acalma...
Vem. Me abraça.
Amassa, com seus braços delicados,
Meus pecados; me acolhe em tuas melenas
Em tuas mãos pequenas, morenas...
Vem. Me abraça.
Me enlaça como um casulo
E em teu ósculo quero me afogar,
Neste mar, a te amar!...