#Desafio 217
Do Amor, Restou a Louça
Café sem açúcar,
beijo sem língua.
A rotina os risca
com navalha cínica.
“Quer jantar fora?”
ele ousa dizer.
“Quero sair de mim”,
ela pensa, a arder.
A carne esfria,
o vinho se esconde.
Brindam o tédio
com gelo e remédio.
Corpos colidem,
sem se entender.
Costas se amam
pra não doer.
E nas fotos, a farsa:
sorrisos domados.
O amor? Um ladrão —
roubou-se calado.
E pairando no ar,
um aviso sutil:
Cuidado: o amor vence,
mas morre em abril.
Cr💞s Ribeiro
Amor próprio é lindo
mas não tem cheiro de outro
não tem gosto de outro
não tem calor de outro
e outro
só o outro me leva
a morte que eu gosto
e me faz sentir vivo
Edu Liguori
Carlos Lopes Pires é um poeta português conhecido por sua poesia sensível e profunda.
Sua obra reflete uma busca pela simplicidade e pela espiritualidade, afastando-se da poesia
convencional.
Com mais de 40 livros publicados, ele é um dos nomes importantes da literatura contemporânea,
sempre explorando temas humanos e existenciais.
A inclinação das ervas: <a href="https://www.literunico.com.br/books/1078">Aqui!</a>
#CarlosLopesPires #PoesiaPortuguesa #Literatura #Literunico
#Desafio 216
Sentido Único
(com duplo sentido)
Ando por ruas
que me atravessam.
Viro esquinas,
mas sou eu que desvio
do que não sei nomear.
O destino,
é só um acidente
que se vestiu de escolha.
Todo dia é expediente,
mas nunca o bastante
para dar conta
do que lateja
entre um suspiro e outro.
O que sinto
varia.
Com juros,
sem carência.
Na vitrine da vida,
tudo reluz.
Mas o que é ouro?
E o que é purpurina
que finge profundidade?
Lugar de fala se vende.
Silêncio, não.
Tem quem ouça com a epiderme
e quem veja com os móveis da sala.
Sou poeta.
Inquilina do avesso.
Moro na dobra das palavras,
na rachadura
entre o sentido e o delírio.
Meu vocabulário é torto
feito corpo apaixonado.
Mas minha fé…
essa caminha
descalça
e não
tropeça,
mesmo
nas
ruínas.
Cr💞s Ribeiro
<div style='text-align: center;'><p><img src='https://www.literunico.com.br/storage/app/public/creations/covers/Y7NH0ABCQikC2xQ3ZGzDZ0ul0foWksJ87ro5L4YX.png' style='max-width:50%; height:auto;'></p><p><a href='https://www.literunico.com.br/creations/48' target='_blank'><strong>Torh Ius IV - O Ultimo Herdeiro</strong></a></p><p><a href='https://www.literunico.com.br/creations/48/chapters/224' target='_blank'>Clique aqui para ler o capítulo "Capítulo II - As Cinzas" completo</a></p></div>
Poema do Eterno Amor
(Poemas Antigos)
Sinta-me,
Como jamais sentiu ninguém nesta tua vida;
E toque-me,
Sem o pudor que se dispensa a um amigo.
Beije-me,
Sem se importar com a censura aturdida;
E leve-me;
Pra onde for, onde quiser; irei contigo.
Veja:
Chove lá fora, cai a chuva, molha a Terra;
Mas veja:
A Lua brilha e traz de volta a esperança.
Cresça:
Eu quero ser o homem que em teu corpo encerra;
Creia:
E quero nos teus braços me sentir criança.
Brilhe
Com teu olhar cheio de luz, o meu caminho;
Vista
Com tua aura de ilusão, o meu destino.
Ouça;
Cantam os pássaros a saudade em cada ninho;
E Saiba
Que és a rainha do meu reino pequenino.
#Desafio 215
Entre o Verbo e a Viga
Há de ver, cidade.
Tanta pressa no passo,
tanto peso no prazo.
O afeto:
moeda mais cara da praça.
Tem quem trabalhe por amor
e receba cansaço.
E segue:
amar é teimosia.
Na ladeira dos dias,
subo ereta,
mas o coração
escorrega.
Sanidade,
às vezes,
é só não sentir.
Forma demais,
fome de menos.
Paz armada
até os dentes.
Verso
vira prosa.
Prosa
vira nada.
Milagre
só com carimbo
e firma reconhecida.
Vou entre:
tempo & templo,
santo & centro,
ser & servir…
Pedem silêncio.
Dou.
Não é paz,
é sede
de alguma verdade.
Verso é bisturi:
corta,
sangra,
cura bonito.
Já fui verbo,
viga,
vírgula.
Hoje sou
ponto de interrogação
pedindo colo
no travesseiro da pressa.
No fim, eu sei:
viver é verbo
que pede conjunção.
E o amor…
ainda é a melhor delas.
Cr💞s Ribeiro
Gosto da lua de traço
esse filete de espaço
gosto da lua de graça
a semana que passa
gosto da lua cheia
ela que me despenteia
olhe longe para o céu
na via láctea o véu
e a verdade de quem somos
pequenos cromossomos
Edu Liguori
Nicolas Malebranche foi um filósofo francês do século XVII, conhecido por suas
contribuições à filosofia da mente e à metafísica.
Suas ideias sobre a relação entre Deus, a mente humana e a percepção influenciaram
profundamente o pensamento moderno.
Malebranche acreditava que vemos o mundo através da "visão em Deus", ou seja, nossa
percepção está sempre mediada pela divindade.
Seu trabalho desafiou as ideias da época e continua a ser estudado por suas inovações
filosóficas.
A Busca Da Verdade: <a href="https://www.literunico.com.br/books/1076">Aqui!</a>
#NicolasMalebranche #Filosofia #Pensamento #Literunico
#Desafio 207
*A vida*
Sinto
meus batimentos cardíacos,
o ar entrando
e saindo dos meus pulmões.
A temperatura do vento
nas narinas
sai quente,
entra fria
ao som da minha respiração.
Sinto
um frio na barriga
e algo que me impulsiona
e me energiza.
Sinto, ao mesmo tempo,
fadiga no pensamento
que intensifica.
Sinto
que faz tanto sentido…
e sei
não haver sentido nenhum.
Sinto
a alegria repentina
e esmoreço no trajeto,
fazendo uma reflexão:
Por que tem que ser tão difícil?
Por que não podemos
simplificar tudo isso?
A vida,
ávida,
me avisa,
às vistas
de uma percepção.
MarU
Corpo Fraco
Fraco, corpo fraco, suor perdido, suspiro caído, cansaço doído!
Bambo, parco e duvidoso, não se pode confiar no corpo!
Frouxo, flácido e troxo, perde a vida num encosto! Morre cedo num tropeço!
Que no fim nos reste a alma pois se tudo for só corpo, nosso fim será o escuro!
E no escuro só se vê o vazio do além tudo.
Promete...
Que ainda vai me amar amanhã,
Quando os remédios fizerem efeito
e você se sentir um pouco sã.
Amanhã...
Você se curará
da febre de amar,
e seu serei então
seu pretérito mais-que-perfeito.
Você se livrará do efeito
que torna teu ar rarefeito;
Voltará a respirar, e então
eu serei como aquele balão,
que você deixou escapar.
Me prometa que não.
#desafio 365/209
#Desafio 214
RUÍDO BONITO
A cidade
é um ruído bonito:
todo mundo grita.
ninguém escuta.
Meu peito,
rádio velho,
chiando em estação
no dial errado.
Tenho medo
de virar rodapé
que ninguém lê,
mas que,
de repente,
toca num lugar escondido
de alguém distraído.
Escrevo cartas
com cheiro de adeus.
Não envio.
Não sei pra onde.
Só sei que doem menos
quando viram papel.
Desejo menos dor,
ou — que ousadia —
um cafuné decente,
de olhos fechados,
sem urgência.
Sei que sou difícil,
não me edito.
Amo com todas as falhas
e ainda assim,
não sou esse erro
que tentam deletar
com frieza e clique.
Ás vezes
acordo flor
e o dia me cinza:
me apago devagar.
Mas logo
me rego
com café forte,
lágrima quente
e poesia crua.
Essa noite sonhei
com uma voz que sussurrava:
“tá tudo bem não saber.”
Acordei com essa frase
pendurada no peito
feito medalha
ou promessa.
Se me cruzar por aí,
me lê devagar.
Tenho entrelinhas,
sou cheia de espinhos,
mas também escondo abraços
em tudo o que escrevo.
(talvez até em você)
com amor
(e esse medo bonito
de quem sente demais),
Cr💞s Ribeiro
#Desafio 213
Fé
Fé?
Fé é ficar de pé
com o joelho do mundo
no seu pescoço.
É rir no esboço,
amar no esgoto,
escrever poesia
com o cotovelo
pressionando o rosto.
Não é trocadilho,
minha filha,
é trauma com rima.
Porque verso
não é enfeite
é arma branca,
lâmina linguística,
faca sem cabo
cravada no dicionário.
E eu sigo:
entre ser verbo
ou virar silêncio.
Entre rimar com raiva
ou calar com senso.
Mas hoje eu falo.
Hoje eu rasgo.
Hoje eu rimo.
Porque palavra é bala
e eu
sou o gatilho.
Cr💞s Ribeiro