#Dia 331
Renitência
Ela não se expõe,
mas se quebra em partes.
Renitência se supõe
e se comunica por artes.
Insiste onde já não cabe,
volta sem ser chamada.
É a memória que não se sabe
de uma dor reencenada.
Toda tentativa de exílio
a fortalece em segredo.
Renitência perde o brilho
Ao se vestir de medo.
É teimosa, sem piedade,
não se convence do fim.
Renitência não é saudade,
é o que insiste… ao fim!
Eder B. Jr.
#Desafio 133
(Imersa)
Aturdida.
Invadida.
Molhada.
Ar?
Suspiros
cor/ta/dos.
Naufrágio.
(Só o doce)
Não-tragédia
é desejo.
Desejo o fundo:
insanamente.
Virar água.
E sal.
E ti.
Me dissolver em você.
E depois,
talvez,
nascer
de novo.
Mais uma vez
renascer.
(Ou não.)
Cr💞s Ribeiro
O tema do Livro que apoia o #desafio de hoje é:
132- Fale sobre um livro que trate de imortalidade.
Não é segredo que sou fã de Anne Rice e ainda mais do vampiro gostoso Lestat, com toda aquela rebeldia dele.
Neste livro, ele abre mão de sua imortalidade por um tempo determinado, combinando com um bruxo uma troca de corpos, para experimentar outra vez a sensação de ser humano. Mas, na hora de destrocar, ele é logrado e o cara foge com o corpo dele (um corpo perfeito, poderosíssimo e imortal). Acho que é o meu segundo livro preferido nas Crônicas Vampirescas.
#Link365TemasLivros
Você lê.
Devagar.
Experimentando.
Meu texto desliza.
Palavras invadem.
Fronteiras somem.
Entre linhas.
Você sente.
Finge que não.
Cada ponto.
Suspiro.
Cada vírgula.
Desvio.
Te prendo nas entrelinhas.
E você deixa.
Gosta.
Minha palavra entra.
Te atravessa.
Te faz arder.
Página após página.
Você treme.
É só vontade?
Eu escrevo.
Você se entrega a leitura.
Silenciosa.
Mas eu escuto.
O som do seu corpo lendo.
Ofegante.
Não termine agora.
Leia de novo.
Recomece.
Te espero no próximo parágrafo.
Quer que eu continue?
Não vou dizer que sei o que digo
nem irei afirmar que tenho ritmo
ensaio muito mas não sei se rimo
uvas passas não são feitas de figos
as vezes sem razão perdido desafino
outras me ergo incólume não afino
não sei onde andam meus amigos
nem pergunto dos seus desatinos
mas estou certo quando aqui afirmo
teu amor é couro é um grande perigo
sem agouro contigo eu sim me firmo
daqui não saio nem insano desdigo
porque meu amor é teu e confirmo
Edu Liguori
Homenagem a Edward Lear (1812–1888).
Foi um artista, ilustrador, músico e escritor inglês, mais conhecido por seus poemas nonsense e por popularizar a forma poética chamada limerique (limerick, em inglês). Ele teve uma vida curiosa e multifacetada, marcada por talento artístico, humor excêntrico e uma sensibilidade po
200 limeriques de Edward Lear para ler e para ver: <a href="https://www.literunico.com.br/books/546">Aqui!</a>
#aniversárioliterário
#diadecelebrarescritor
Homenagem a Rubem Fonseca (1925-2020)
"A vida é difícil, mas quem não enfrenta a dificuldade não sabe o que é viver."
Rubem Fonseca foi um dos mais importantes escritores brasileiros do século XX, conhecido por sua escrita direta, crua e muitas vezes brutal. Nascido em 1925, no Rio de Janeiro, ele teve uma carreira multifacetada, com uma produção literária que inclui romances, contos e roteiros de cinema.
Feliz ano novo: <a href="https://www.literunico.com.br/books/545">Aqui!</a>
#aniversárioliterário
#diadecelebrarescritor
Bem vinda!
Chegamos com ela no colo. Assim que abri a porta, o odor de alfazema, tão familiar, me deu a sensação de estar de volta ao lar. Coloquei a caminha no chão, na lateral do sofá. E ele a ajeitou cobrindo-a com um pequeno cobertor reservado especialmente para sua chegada.
Cansados do dia, nos sentamos no sofá planejando assistir algo na TV.
Percebi que ela estava andando pela sala, cheirando cada cantinho e arrastando o cobertor que ainda estava em suas costas.
— Como ela é linda — falei sorrindo com os olhos brilhando.
Foi quando ela se aproximou e pulou para cima do sofá.
— Aqui não — disse ele empurrando-a de volta para o chão.
Ignorando, ela subiu novamente.
— Aqui não. Não quero cachorro no sofá. — Subindo o tom.
— Como você é chato. — Tentando dissuadi-lo.
— Eu já aceitei o cachorro que você tanto queria. Mas nada de subir no meu sofá.
— Mas qual o problema?
— Não quero pelo de cachorro e cheiro de cachorro no meu cantinho. Já permiti que ela fique dentro de casa. Você deveria estar satisfeita.
— Coitadinha — disse tentando comovê-lo.
— Não quero — respondeu firme.
Ela tentou por várias vezes e em todas ele a empurrava e repetia: “aqui não”. Até que foi vencida pelo cansaço.
Já era tarde e eu também estava cansada, então fui dormir. Lembro-me que ele estava no sofá e ela deitada em sua caminha.
Por volta das três da manhã, acordei assustada e ele não estava ao meu lado. Levantei-me, abri a porta do quarto bem devagarinho para não os assustar, e lá estavam eles dormindo abraçados no sofá.
Naquele dia descobri quem seria a nova dona da casa.
A Menina que Conversava com a Chuva
Ela era diferente. Falava com as plantas, com o vento, com a chuva. E chorava por coisas que ninguém via. Era chamada de “estranha”, “esquisita”, “drama”. Mas ela apenas sentia. Sentia mais.
Aos poucos, foi se calando. Escondeu os cadernos, trancou a voz, parou de dançar. Aprendeu que o mundo prefere quem finge. Quem sorri. Quem não incomoda.
Mas a dor… essa não se esconde. Ela escorre.
E um dia, voltou a chover. Ela tirou os sapatos, pisou na lama como antes. E ali, entre o trovão e o vento, voltou a ouvir. Voltou a escrever.
Hoje, essa menina cresceu. E virou mulher que escreve pra curar. Curar a si mesma e quem mais precisar.
Você ainda consegue ouvir a criança sensível que um dia foi silenciada?
As Coisas que Deixei para Ser Eu
Já deixei uma vida inteira pra trás. E quando digo isso, não falo de mala, roupa ou endereço. Falo de crenças. De expectativas. De gente que eu amava, mas me sufocava.
Deixei uma versão minha que sorria sem vontade. Que dizia “tá tudo bem” quando estava desabando. Que aceitava migalhas emocionais com gratidão.
E olha… não foi bonito. Nem rápido. Foi rasgando. Como quem arranca pele. Mas a liberdade tem esse preço. Ela nunca vem com laço, vem com corte.
Hoje, sou outra. Ainda cicatrizando. Mas leve. Olho no espelho e reconheço: “Essa sou eu, sem filtro, sem máscara, sem esforço”.
Ser você mesma pode custar muito. Mas custa ainda mais fingir.
E você? Do que ainda precisa abrir mão pra se encontrar de verdade?
Mulher-Árvore
Cresci ouvindo que mulher tinha que ser delicada. Mas a vida me ensinou a ser firme. Não com os outros comigo mesma. Tive que aprender a me sustentar em ventos que quase me arrancaram do chão.
No começo, doía não ser aceita. Ser muito alta, muito brava, muito sonhadora, muito calada. “Você é muito”, diziam. E eu achava que era erro.
Mas árvores também são “muito”. Muito altas, muito firmes, muito resistentes. E ninguém reclama delas.
Então, comecei a me ver assim. Raiz profunda, tronco marcado, copa que se abre quando o sol permite.
Não nasci forte. Fui crescendo. E cada queda virou adubo. Cada abandono virou espaço pra crescer mais reta. Hoje, carrego galhos que acolhem e sombra que acalma.
E sim, às vezes ainda me sinto sozinha. Mas árvores grandes não têm medo de se destacar.
Você tem regado a sua raiz ou tem tentado se podar pra agradar os outros?
A Fé das Coisas Simples
Minha avó não falava de teologia, mas orava com os gestos. Passava o café como quem oferecia incenso. Ajeitava o lençol como quem prepara altar. Era fé no feijão, no banho de cuia, na vela da sala.
Nunca vi ela pedir nada gritando. Ela falava com Deus como quem conversa com um velho amigo. E dizia: “Deus não gosta de escândalo, Ele gosta de rotina”.
Na infância, eu achava graça. Como Deus podia morar numa casa tão pequena, com telhado de amianto e fogão de duas bocas? Mas hoje entendo: Ele mora onde O deixam entrar.
Não preciso de cenário. Preciso de presença.
E ela me ensinou isso sem palavras, só vivendo.
Hoje, faço meu café e lembro. Não oro em voz alta. Mas sinto. No cheiro da água fervendo, na luz que entra pelas frestas, no suspiro profundo quando o mundo me cansa.
Talvez a fé não more nos céus. Talvez ela more mesmo nas coisas simples.
Corpo que Veste Silêncios
Cresci apertando o corpo pra caber no que diziam ser certo. Cintura marcada, perna cruzada, cabelo esticado, voz baixa. Diziam que era ser feminina. Mas era só mais uma maneira de me calar.
Demorei anos pra perceber que o que me vestia não eram roupas, era culpa. Era o medo de parecer demais. O medo de chamar atenção, o medo de parecer livre. Porque liberdade assusta. E mulheres livres… essas são sempre olhadas de lado.
Meu corpo era casa onde ninguém queria morar. E eu? Eu era inquilina dos padrões. Até que um dia, num espelho sem moldura, olhei fundo nos meus próprios olhos e pensei: "Quem decidiu que isso aqui não é bonito? Quem me ensinou a me odiar em silêncio?"
Foi ali que ouvi, baixinho, como só as avós sabem falar: “Tua carne é de guerreira. Teu cabelo é de tempo. Tua pele é de história”. E eu chorei. Porque entendi: eu sou feita das que resistiram.
Hoje, quando me visto, penso: quero me caber. Não mais me esconder. Quero ser presença, não pedido de desculpas.
E você? O que veste quando ninguém está olhando?
Te reconheço daqui
Te reconheço no silêncio da tua força,
no modo como insiste em continuar
mesmo quando tudo em volta
sopra ao contrário do teu passo.
Você carrega um mundo nos olhos
e ninguém nunca te perguntou
quantas vezes precisou sorrir por fora
pra não desabar por dentro.
Mas eu vejo.
Vejo o grito que você guarda no peito
e a luz que ainda insiste em brilhar,
mesmo coberta de escuridão.
Não se engane:
o universo inteiro se curva
quando alguém escolhe resistir
e amar sua própria história,
sem aplausos, sem plateia,
só com fé.
Se você sentiu que essa poesia falou contigo,
é porque somos da mesma tribo.
E mesmo de longe, eu te reconheço daqui.
Reflexos de uma Vida Verdadeira
Olhe no espelho e veja além da imagem,
Descubra o que a vida realmente significa.
Cada olhar carrega histórias não contadas,
Cada suspiro é uma possibilidade.
Quem você é de verdade?
O que você realmente deseja?
Há um mundo inteiro esperando por você,
E ele começa nas páginas que você ainda não leu.
Siga-me.
Vamos escrever juntos uma história que fará diferença.
Meus livros são a ponte entre quem você é
E tudo o que você pode vir a ser.
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