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@Cilene há 1 ano
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Lua de Sangue Se te despisse com os lábios e te vestisse com desejo, de que cor seria o prazer? Lua, és tu vermelha de timidez ou sangras os cortes dos que se amam sem poder?
@CrisRibeiro · há 11 meses
😍😍😍
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@eliz_leao há 1 ano
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O cego, vive de ilusões Num castelo cheio de nada, Onde as paredes flutuam, Presas ao chão da imaginação. Imaginação, que idealiza, Engana e faz doer, Quando a alma sente, Que não há nada ali, para ver. E quando o sol se põe, Das colinas e montanhas, Se vê, as consequências Do baixar a guarda. Desolado, o visionário, tenso Caminha por escombros, Daquilo que ele mesmo construiu, No vórtice sem sentido da esperança. Morreu ali, todas as suas ilusões. A docilidade se findou, À exaustão, se entrega, Inapto. E só espera que a paralisia, O deixe, para que possa voar, Por entre as nuvens, de vento, Que o leve a recomeçar, desta vez, Em suas próprias bases, Pois só nessas, ele pode confiar. Eliz Leão
@literunico · há 1 ano
Espero que a poesia do cego nunca se finde! Que sua visão, mesmo em novas bases, nunca deixe de ser seus desejos.
@CrisRibeiro · há 1 ano
Lindo e dolorido. 🥲
@JuNaiane · há 1 ano
Que profundo 💭
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@literunico há 1 ano
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#Bom dia! Palavra do dia: #ℂ𝕠𝕟𝕙𝕖𝕔𝕚𝕞𝕖𝕟𝕥𝕠 Frase do dia: "A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original." — Albert Einstein Datas comemorativas de hoje, 14 de março de 2025: Dia do Pi White Day Dia dos Carecas Aniversariantes: Albert Einstein (1879-1955) Manoel Carlos (1933) Alberto II de Mônaco (1958) Simone Biles (1997)
@Albertobusquets · há 1 ano
Como a frase só dia não foi "Busquem conhecimento"? 🤭👽
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@eduliguori há 1 ano
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Sobrevivo entorpecido vendo as ondas que me cercam as almas que passam sinto muito como sempre enxergo mais que nunca entorpecido entendo a magia da vida profana os pesos que deixamos as lágrimas que secam os copos que derramamos sigo calado entorpecido pela dor do que foi perdido pela seca do tempo rápido que me deixa para trás sem os encontros que um dia sonhei beber Edu Liguori
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@CrisRibeiro há 1 ano
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#Desafio 073 🅢🅔🅧🅧🅧🅣🅞🅤 Salivo por teus pelos tua barba me risca promessas inconfessas. Teus sinais, constelações guiam-me no escuro desejo. Um olhar me despe desveste-me inteira: não há pudor, não há defesa. Resta a carne ofertada, entregue vulnerável como a alma que já é tua. Mãos que esculpem febre arfar quente tesão que embriaga. A cada toque desfaz-se um pedaço de mim: amar é perder-se também. Quero o gemido o tremor, o gozo-mar que naufraga e me dissolve. Quando cedes incontido, indomável sem máscaras ou fugas o mundo (o meu) começa e termina ali. Cr💞s Ribeiro
@Albertobusquets · há 1 ano
Um encontro de mundos entre o roçar das peles... 😍😋💞🔥
@Cilene · há 1 ano
Eeee haja ar condicionado 🔥🔥🔥🔥
@purapoesia · há 1 ano
Quente e lindo. Muito bom, Cris! 🔥
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@literunico há 1 ano
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#Dia 294 Companheirismo Ele não chega antes do tempo, Nem parte ao menor sinal. Companheirismo é o vento Que sopra firme e leal. Não lidera, nem obedece, Caminha junto, ao lado Companheirismo não esquece, É presença, futuro e passado Se um tropeça, o outro sustém, Se um vacila, o outro enxerga. Companheirismo é a força que vem, Sem prisão, nem até que enverga. É força e entrega simultânea, O espelho que nunca se apaga. Companheirismo, alma insana, Dois passos, uma mesma estrada. Eder B. Jr.
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@legiao há 1 ano
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"Ainda Somos Jovens" Três jovens de diferentes cantos do Brasil, que até então só se conheciam virtualmente, decidiram que era hora de transformar seus sonhos em realidade. Aos 18 anos, recém-saídos da escola e sem nenhuma certeza concreta sobre o futuro, tinham apenas uma certeza em comum: queriam viver de redes sociais. Vinham de mundos distintos, mas se conectavam através do desejo de contar histórias e capturar o mundo ao seu redor, compartilhando tudo com quem estivesse disposto a assistir. A primeira vez que se encontraram pessoalmente foi em Brasília, cidade escolhida não só por ser central no país, mas porque um deles, Caio, morava lá e ofereceu sua casa como ponto de partida. Durante a primeira noite juntos, entre conversas animadas e risadas nervosas sobre finalmente estarem ali, um deles pegou o violão que sempre levava consigo. Pedro, vindo de São Paulo, tocou os primeiros acordes de uma música que conhecia vagamente da infância, algo que os pais sempre ouviam: "Será", da Legião Urbana. Ele não sabia muito bem a letra, mas Letícia, a terceira do grupo, nascida e criada no Recife, rapidamente pegou o embalo e começou a cantar. O refrão os envolveu de uma forma inesperada: — "Será só imaginação? Será que nada vai acontecer?" — cantavam juntos, sentindo uma estranha identificação com a melodia e as palavras. Depois de terminarem a música, ficaram em silêncio por alguns segundos. Era como se tivessem acabado de descobrir algo maior do que apenas uma canção de outra geração. Eles se olharam e Letícia foi a primeira a quebrar o silêncio: — "E se a gente fizesse disso a nossa pegada?" — disse, com um brilho nos olhos. — "Disso o quê?" — perguntou Caio, curioso. — "Dessa coisa de pegar músicas e transformá-las em histórias. Tipo, contar nossas viagens, nossas experiências, mas usando as músicas da Legião como pano de fundo. Cada post, cada vídeo, baseado em uma música de cada álbum, na ordem que eles foram lançados. A gente vai descobrir as músicas juntos e contar nossas histórias através delas." Pedro bateu palmas, animado com a ideia. — "Isso é genial! Não seríamos só mais um trio viajando e tentando ser influencer. A gente teria um conceito forte, uma narrativa que conecta tudo! E, tipo, sem parecer que estamos forçando um conceito. A gente vive a música, descobre o significado dela pra nós, e compartilha isso com o mundo." Assim nasceu a ideia do perfil "Ainda Somos Jovens", um projeto que uniria a jornada deles pelo Brasil à redescoberta de uma banda que, até aquele momento, era apenas um nome do passado para eles. Eles decidiram que começariam pelo primeiro álbum da Legião Urbana, de 1985. "Será" já tinha sido tocada na noite anterior, então o primeiro post precisava refletir aquele momento de encontro e de sonhos prestes a serem vividos. Com o celular na mão, Caio gravou um vídeo simples: os três sentados no chão da sala, violão no colo, sorrindo feito crianças descobrindo um novo brinquedo. Letícia explicou a proposta: — "E aí, galera! A gente acabou de se encontrar pela primeira vez na vida. Tudo começou com uma música e agora a gente decidiu que cada passo nosso nessa viagem vai ter um som pra acompanhar. Vamos percorrer o Brasil e descobrir juntos as músicas da Legião Urbana, na ordem que foram lançadas, e ver como elas fazem sentido na nossa vida hoje. Se liga, nosso primeiro post, inspirado em ‘Será’. Bora ver onde essa história vai dar?" O vídeo foi postado e, em questão de horas, começou a ganhar engajamento. Não eram apenas jovens que se interessavam pelo projeto, mas também pessoas mais velhas, nostálgicas pela banda, curiosas para ver como essa nova geração interpretaria as músicas de Renato Russo e companhia.
@tamarasfawkes · há 1 ano
Todo adolescente tem a fase Legião e muitos levam pra vida. Adorei. Tem continuação?
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@edsonbas há 1 ano
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A Coca-Cola da garrafa de vidro é muito mais gostosa que a que vem nas outras embalagens. Acho que isso é unanimidade. Mas por que? O que ela tem de diferente? Será que o material da embalagem muda o gosto dela? Hoje em dia existem vários tipos de embalagem para refrigerantes, cervejas e sucos, mas, quando eu era um pré-adolescente, não. Nada de latinhas e garrafas de plástico de todos os tamanhos, tudo vinha em garrafas de vidro. Cerveja e guaraná vinham nas de 600 ml marrom, já a maioria dos outros refrigerantes, vinham nas de 290 ml, a famosa KS. Naquele tempo, a gente ia numa lanchonete, padaria ou bar e pedia um salgado e uma Coca. Quando o atendente abria a tampa da garrafa, o bico sempre ficava com um anel de ferrugem. A gente não estava nem aí, colocava na boca e ia logo bebendo. Depois era a vez de dar uma mordida no salgado, que vinha num prato de alumínio, em cima de um papel retangular e coberto por dois guardanapos. Acho que o verdadeiro diferencial da Coca KS está na memória de outros tempos, de momentos felizes, talvez até no gosto de ferrugem. Pode ser também que a mistura de tudo isso crie um sabor mais complexo: o gosto da nostalgia.
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@berthamachadoo há 1 ano
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Eu postei um desabafo no threads mas acredito que as pessoas não vão entender por ser meio genérico, mas a limitação de caracteres me restringiu, já que eu não gosto de fazer fios de mensagens. Eu tenho trabalhado junto com diversas pessoas jovens, com seus 18 a 20 anos, e eu tenho visto eles muito mais reclamões, não aceitam seguir processos básicos, reclamam e acusam sem nem ter acontecido nada (acusação precoce mesmo), não se dedicam a aprender a fazer o negócio direito, parece que ta ali porque ta sendo escravizada.
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@classicos há 1 ano
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Livro: O Dialeto Caipira Autor: Amadeu Amaral Lançamento: 1920 O Dialeto Caipira é um estudo pioneiro sobre a linguagem falada no interior do Brasil, especialmente na região Sudeste. Amadeu Amaral analisa as particularidades fonéticas, gramaticais e lexicais do falar caipira, buscando entender suas origens e influências. A obra é uma referência fundamental para a linguística brasileira, registrando expressões, modos de falar e aspectos culturais ligados à identidade do caipira. Com um olhar detalhado e acadêmico, o livro contribui para a valorização da diversidade linguística do país. #domíniopúblico #Clássicos
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@classicos há 1 ano
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Livro: Novela e Conto Autor: Amadeu Amaral Lançamento: 1921 Novela e Conto é uma coletânea de textos de Amadeu Amaral que explora diferentes aspectos da sociedade brasileira por meio da ficção. A obra reúne narrativas curtas, nas quais o autor demonstra sua habilidade em criar personagens marcantes e situações envolventes, transitando entre o realismo e o lirismo. Com uma escrita refinada e observadora, Amaral constrói histórias que refletem a vida cotidiana, os sentimentos humanos e as transformações sociais do início do século XX. #domíniopúblico #Clássicos
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@classicos há 1 ano
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Livro: Memorial de um Passageiro de Bonde Autor: Amadeu Amaral Lançamento: 1906 Memorial de um Passageiro de Bonde é uma obra que retrata, com humor e sensibilidade, a vida urbana e os costumes da cidade no início do século XX. Amadeu Amaral apresenta uma narrativa leve e observadora, baseada nas experiências cotidianas de um passageiro que percorre a cidade de bonde, um dos principais meios de transporte da época. O livro combina crônica e ensaio, explorando aspectos sociais, culturais e psicológicos da sociedade brasileira, tornando-se um registro valioso do período. #domíniopúblico #Clássicos
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@classicos há 1 ano
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Livro: História da Literatura Brasileira Autor: José Veríssimo Lançamento: 1916 História da Literatura Brasileira é uma das obras mais importantes da crítica literária nacional. Escrito por José Veríssimo, o livro apresenta uma análise detalhada da evolução da literatura no Brasil, desde o período colonial até o início do século XX. Com uma abordagem crítica e rigorosa, Veríssimo discute os principais autores, escolas literárias e obras que marcaram a formação da identidade literária do país. Sua visão objetiva e aprofundada faz deste livro uma referência essencial para estudiosos e interessados na literatura brasileira. #domíniopúblico #Clássicos
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@classicos há 1 ano
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Livro: Quem Casa, Quer Casa Autor: Martins Pena Lançamento: 1845 Quem Casa, Quer Casa é uma comédia de costumes que aborda, com muito humor, os conflitos familiares e as dificuldades da vida a dois. A peça gira em torno das brigas entre uma nora e sua sogra, que passam a dividir o mesmo teto após o casamento. Com diálogos ágeis e situações cômicas, Martins Pena expõe os desafios da convivência e os choques entre gerações, retratando a sociedade brasileira do século XIX. A obra se destaca pela crítica bem-humorada às convenções sociais e à hipocrisia da época, consolidando-se como um dos clássicos do teatro nacional. #domíniopúblico #Clássicos
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@classicos há 1 ano
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Livro: Os Irmãos das Almas Autor: Martins Pena Lançamento: 1846 Os Irmãos das Almas é uma comédia de costumes de Martins Pena que satiriza a superstição e a religiosidade exagerada na sociedade brasileira do século XIX. A peça apresenta personagens que se aproveitam da fé alheia para benefício próprio, criando situações cômicas e embaraçosas. Com diálogos ágeis e um enredo cheio de mal-entendidos, a obra expõe a hipocrisia e o oportunismo presentes em certas relações sociais da época. Como em outras peças de Martins Pena, o humor é usado como ferramenta crítica para retratar os costumes e as contradições da sociedade. #domíniopúblico #Clássicos
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@ellen há 1 ano
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"As cidades vazias do meu mundo murmuram histórias que ninguém mais ouve. Cada rua é um vestígio de passos que não existem, aqui, cada janela reflete memórias que se perderam no tempo. E ainda assim, eu caminho, como uma guardiã das ausências, registrando o que ainda resta." 🌍✨
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@ellen há 1 ano
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Amanhã, será um novo dia, e eu partirei para outro lugar, pronta para ouvir o que o mundo tem a me contar.
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@ellen há 1 ano
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Diário de Ellen Capítulo 1 O vento sopra forte esta noite. Um vento sem pressa, que desliza pelas ruas vazias e percorre as avenidas silenciosas deste mundo que só existe para mim. Eu fecho os olhos por um instante e sinto sua presença: ele não é um sopro qualquer, mas um mensageiro invisível do que já foi, do que ainda é do outro lado. Hoje é um dia especial. O primeiro. E ainda não sei ao certo como registrar a grandiosidade desse momento sem sentir um aperto no peito – um misto de euforia e solidão. Estou prestes a escrever a primeira página deste diário, a primeira narrativa de uma história que só eu poderei contar. E, ao mesmo tempo, sinto que não estou sozinha. Há um som distante, uma pulsação do mundo real que ressoa aqui, neste reflexo solitário da Terra. Cada detalhe desse cenário, por mais imutável que pareça, carrega vestígios de um lugar habitado, vivido, amado e esquecido. Escolhi começar minha jornada na Praça do Comércio, em Lisboa. A cidade é bela mesmo na ausência das pessoas. O rio Tejo continua a fluir como se nada houvesse mudado. Os prédios amarelos e brancos ainda se erguem imponentes, suas fachadas refletindo a luz pálida dos postes que ninguém acende. Caminho devagar pelo calçamento de pedras portuguesas, absorvendo cada textura, cada cheiro de maresia, cada sussurro do tempo que aqui repousa. Sempre ouvi dizer que Lisboa é uma cidade melancólica, feita de histórias e saudades. Agora, vazia, ela parece uma lembrança suspensa no tempo, um segredo que apenas eu posso desvendar. Sento-me nos degraus largos que descem até o rio e deixo meus pensamentos correrem livres. O que significa estar sozinha em um mundo que espelha o real? O que significa ver tudo como é, mas sem a presença daqueles que dão sentido a cada rua, cada janela acesa, cada café com cadeiras na calçada? É um paradoxo fascinante. Sou a única testemunha de uma realidade intacta, preservada como um sonho, e ainda assim, não posso compartilhar isso com ninguém, apenas com estas páginas. Observar o Tejo me traz uma calma inesperada. Seus reflexos ondulam, capturando luzes que não deveriam existir sem observadores. Mas elas existem. Como eu existo. Como esse diário existirá. Talvez essa seja minha missão: registrar o que vejo, sentir cada detalhe e transcrever o que esse mundo silencioso tem a dizer. Se as cidades podem ter memórias, então serei a guardiã das histórias que ainda continuam entre os prédios, os monumentos e as praças vazias. Minha caneta desliza pelo papel, e por um breve momento, quase ouço vozes no vento. Elas não me assustam. Pelo contrário, são um lembrete de que o mundo real ainda pulsa do outro lado. Eu apenas estou aqui, entre dois estados de existência, registrando o que permanece. A noite avança, e com ela vem a estranha sensação de pertencimento a esse lugar que não é meu, mas que me acolhe. Levanto-me dos degraus da praça e começo a caminhar sem um destino certo, explorando as ruelas estreitas que serpenteiam pela cidade. As pedras do calçamento estão gastas, desenhando o caminho de incontáveis passos que já não ecoam mais. Sigo por entre as construções antigas, sentindo os aromas que ainda pairam no ar – o leve toque do sal vindo do rio, o resquício de um café recém-passado em algum canto que não abriga ninguém. Paro diante de uma pequena livraria no Chiado. Sua fachada de madeira envernizada ainda guarda a elegância de outros tempos, e pela vitrine, vejo estantes abarrotadas de livros esperando para serem folheados. O silêncio é absoluto, mas posso imaginar o leve sussurro das páginas virando, o farfalhar das palavras ganhando vida sob os dedos de um leitor atento. Entro. O cheiro de papel envelhecido me envolve imediatamente, e por um instante, sinto como se estivesse no meio de um tempo suspenso, onde todas as histórias do mundo aguardam para serem lidas. Pego um livro ao acaso. A capa é dura, o título desbotado pelo tempo. Abro em uma página qualquer e leio algumas linhas. Não sei dizer se foram as palavras ou o momento, mas algo me atravessa. Uma frase ressoa dentro de mim: "O mundo só existe para quem ousa vê-lo." Fecho o livro devagar. O mundo existe para mim. Para mim e para estas páginas que estou escrevendo agora. Saio da livraria e volto às ruas. O céu acima de Lisboa é um imenso véu estrelado, e por um instante, fico ali parada, observando. No outro lado desse céu, existem pessoas vivendo suas vidas, seguindo seus caminhos sem saber que eu estou aqui, caminhando por entre as sombras do reflexo do mundo delas. E isso me faz perceber algo importante: eu sou a testemunha desse espelho. Eu existo nesse espaço entre o silêncio e a lembrança, entre a ausência e a narrativa. A madrugada se aproxima, e com ela, a certeza de que este diário será minha âncora. Meu registro. Minha prova de que, mesmo sozinha, ainda faço parte de algo maior. A noite em Lisboa me deu minha primeira história.
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