Quinto Quadro - Parte 4 O Pássaro Azul · Capítulo 18 de 33
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Quinto Quadro - Parte 4

Espera, meu pequeno deus... Deixa-me te beijar. Pronto, uma boa lambida... Isso te fará bem... Fica bem atrás de mim... Eles já não ousam aproximar-se... Sim!... Ei-los que voltam!... Ah! desta vez, é sério!... Fiquemos firmes!...

TYLTYL, [deixando-se cair no chão.]

Não, já não é possível...

O CÃO

Alguém vem!... Ouço, farejo!...

TYLTYL

Onde?... Quem?...

O CÃO

Ali! ali!... É a Luz!... Ela nos encontrou!... Salvos, meu pequeno rei!... Beija-me!... Salvos!... olha!... Eles desconfiam!... Afastam-se!... Têm medo!...

TYLTYL

A Luz!... A Luz!... Vinde, pois!... Apressai-vos!... Eles se revoltaram!... Estão todos contra nós!...

[Entra a Luz: à medida que ela avança, a Aurora se ergue sobre a floresta, que se ilumina.]

A LUZ

Que é isto?... Que há?... Mas, infeliz! então não sabias!... Gira o Diamante! Eles voltarão ao Silêncio e à Obscuridade; e tu já não verás seus sentimentos...

[Tyltyl gira o Diamante. — Imediatamente, as almas de todas as Árvores precipitam-se para dentro dos troncos, que se fecham de novo. — As almas dos Animais desaparecem igualmente; e veem-se, ao longe, uma Vaca e um Carneiro pacíficos pastando, etc. — A Floresta torna-se novamente inocente. Espantado, Tyltyl olha ao redor.]

TYLTYL

Onde estão eles?... Que tinham?... Estavam loucos?...

A LUZ

Mas não, são sempre assim; apenas não se sabe, porque não se vê... Eu bem te dissera: é perigoso despertá-los quando não estou aqui...

TYLTYL, [limpando seu canivete.]

Ainda assim; sem o Cão e se eu não tivesse tido meu canivete... Nunca teria acreditado que fossem tão maus!...

A LUZ

Vês bem que o Homem está sozinho contra todos neste mundo...

O CÃO

Não estás muito ferido, meu pequeno deus?...

TYLTYL

Nada grave... Quanto a Mytyl, não a tocaram... Mas tu, meu bom Tylô?... Estás com a boca ensanguentada, e tua pata está quebrada?...

O CÃO

Não vale a pena falar disso... Amanhã, já não se verá nada... Mas a coisa foi quente!...

A GATA, [saindo de um moital, mancando.]

Creio bem!... O Boi me deu uma chifrada no ventre... Não se vê o sinal, mas me dói muito... E o Carvalho quebrou minha pata...

O CÃO

Eu bem gostaria de saber qual...

MYTYL, acariciando a Gata.

Minha pobre Tylette, é verdade?... Onde estavas?... Não te vi...

A GATA, [hipocritamente.]

Pequena mãe, fui ferida logo no começo, ao atacar o vil Porco que queria comer-te... Foi então que o Carvalho me deu esse grande golpe que me atordoou...

O CÃO, [à Gata, entre os dentes.]

Tu, sabes, tenho duas palavras a te dizer... Não perdes por esperar!...

A GATA, [plangente, a Mytyl.]

Pequena mãe, ele me insulta... Quer fazer-me mal...

MYTYL, [ao Cão.]

Queres deixá-la em paz, bicho feio...

Saem todos.

PANO

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