Décimo Primeiro Quadro - Parte 2 O Pássaro Azul · Capítulo 31 de 33
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Décimo Primeiro Quadro - Parte 2

O CÃO, [soltando de repente verdadeiros uivos de desespero e lançando-se sobre as crianças, a quem cobre de carícias violentas e tumultuosas.]

Não, não!... Não quero!... Não quero!... Falarei sempre!... Agora me compreenderás, não é, meu pequeno deus?... Sim, sim, sim!... E diremos tudo um ao outro, tudo, tudo!... E serei bem ajuizado... E aprenderei a ler, a escrever e a jogar dominó!... E estarei sempre muito limpo... E não roubarei mais nada da cozinha... Queres que eu faça alguma coisa espantosa?... Queres que eu beije a Gata?...

MYTYL, [à Gata.]

E tu, Tylette?... Não tens nada a nos dizer?

A GATA, [afetada, enigmática.]

Eu vos amo a ambos tanto quanto mereceis...

A LUZ

Agora, por minha vez, meus filhos, que eu vos dê o último beijo...

TYLTYL e MYTYL, [agarrando-se ao vestido da Luz.]

Não, não, não, Luz!... Fica aqui conosco!... Papai não dirá nada... Diremos a Mamãe que foste boa...

A LUZ

Ai de mim! não posso... Esta porta nos está fechada, e devo deixar-vos...

TYLTYL

Para onde irás sozinha?

A LUZ

Não muito longe, meus filhos; para lá, no país do Silêncio das coisas...

TYLTYL

Não, não; não quero... Iremos contigo... Direi a Mamãe...

A LUZ

Não choreis, meus queridos pequenos... Não tenho voz como a Água; tenho apenas minha claridade, que o Homem não ouve... Mas velo por ele até o fim dos dias... Lembrai-vos bem de que sou eu quem vos fala em cada raio de lua que se derrama, em cada estrela que sorri, em cada aurora que se levanta, em cada lâmpada que se acende, em cada pensamento bom e claro de vossa alma... [Soam oito horas atrás do muro.] Escutai!... A hora soa... Adeus!... A porta se abre!... Entrai, entrai, entrai!...

[Ela empurra as crianças pela abertura da pequena porta que acaba de se entreabrir e se fecha sobre elas. — O Pão enxuga uma lágrima furtiva; o Açúcar, a Água, toda em pranto, etc., fogem precipitadamente e desaparecem à direita e à esquerda, nos bastidores. Uivos do Cão fora de cena. A cena permanece vazia por um instante; depois, o cenário que representa o muro da pequena porta abre-se pelo meio, para descobrir o último quadro.]

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