O Livro Derradeiro: Versos à Infância O Livro Derradeiro · Capítulo 214 de 246
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O Livro Derradeiro: Versos à Infância

Versos à Infância

(Desterro)

Nos roseirais, ao vir da madrugada,

Desabrocham no val todas as rosas,

Nos galhos cheios de uma luz doirada,

Meigas e frescas, rubras, perfumosas,

Nos roseirais, ao vir da madrugada.

Como em bocas cheirosas e vermelhas

Pousam beijos de amor e de ventura,

O mel lhe sugam todas as abelhas

Pousando em cima da corola pura

Como em bocas cheirosas e vermelhas.

Desde os campos, o bosque, até aos montes

Tudo renasce num jardim de flores;

E pelo azul do céu, nos horizontes,

Há os mais vivos, raros esplendores,

Desde os campos, o bosque, até aos montes.

Pelos ninhos sonoros, delicados,

Cantam e trinam muitos passarinhos

Nos altos arvoredos enflorados,

A margem verdejante dos calminhos,

Pelos ninhos sonoros, delicados.

As borboletas brancas e amarelas,

Azuis, cor de ouro, cor de prata e brasa,

Leves, ligeiras, tênues e singelas,

Abrem a fine talagarça da asa,

As borboletas brancas e amarelas.

Tudo no val acorda de desejos

À musica dos cantos mais risonhos;

E as aves soltas, peregrinos beijos,

Dizem, cantando, que através de sonhos

Tudo no val acorda de desejos.

Na alma da infância, tal e qual roseiras,

Abrem festões de límpida fragrância

Os sonhos e as quimeras passageiras

Que são mais próprias do vergel da infância,

Na alma da infância, tal e qual roseiras.

O pequenino coração ditoso

Canta canções de uma ave pequenina;

E é um encanto ver assim radioso

No peito de uma cândida menina

O pequenino coração ditoso.

A existência de sol das criancinhas

Lembra um pomar de frutas bem serenas,

Por onde os colibris e as andorinhas

Gozam amores sacudindo as penas,

A existência de sol das criancinhas.

Não sei dizer se adore mais crianças

Ou mais também as flores de um arbusto;

Nessas tão puras, castas semelhanças

Eu, para ser bem carinhoso e justo,

Não sei dizer se adore mais crianças.

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