O Livro Derradeiro: Castelã O Livro Derradeiro · Capítulo 218 de 246
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O Livro Derradeiro: Castelã

Castelã

Bela e mais encantadora

Do que todas as belezas,

Graça leve de pastora

Que canta pelas devesas.

Enleios de passarinho

E brilhos de primavera,

Com magnetismos de vinho

No olhar azul de quimera.

Feita de um jorro sadio

De auroras purpureadas

Carne mais fresca que um rio

De frescas águas prateadas.

Tudo é frio e tudo é raso

Para dizer-te a capricho

Que és magnólia para um vaso,

Que és arcanjo para um nicho.

És um mito da Alemanha

Vivendo em montanha alpestre,

No castelo da montanha,

Como ardente flor silvestre.

E tens as pomas à farta

Polposas, cheias de aromas.

És assim a loura Marta

Com abundância de pomas.

Esse príncipe que te ama,

Cismando, trágico e grave,

quando o luar se derrama

Cuida ouvir-te os vôos de ave.

Ele vive, airoso e belo,

Como se vive num sonho,

No seu nevoento castelo

Junto de um lago tristonho.

E através do pó flutuante

Do luar saudoso e vago

Julga que és a garça errante

Das águas verdes do lago.

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