Stella Crisálidas · Capítulo 3 de 32
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Stella

Stella (1862)

Ouvre ton aile et pars... Th. Gauthier

Já raro e mais escasso A noite arrasta o manto, E verte o último pranto Por todo o vasto espaço.

Tíbio clarão já cora A tela do horizonte, E já de sobre o monte Vem debruçar-se a aurora.

À muda e torva irmã, Dormida de cansaço, Lá vem tomar o espaço A virgem da manhã.

Uma por uma, vão As pálidas estrelas, E vão, e vão com elas Teus sonhos, coração.

Mas tu, que o devaneio Inspiras do poeta, Não vês que a vaga inquieta Abre-te o úmido seio?

Vai. Radioso e ardente, Em breve o astro do dia, Rompendo a névoa fria, Virá do roxo oriente.

Dos íntimos sonhares Que a noite protegera, De tanto que eu vertera Em lágrimas a pares,

Do amor silencioso, Místico, doce, puro, Dos sonhos de futuro, Da paz, do etéreo gozo,

De tudo nos desperta Luz de importuno dia; Do amor que tanto a enchia Minha alma está deserta.

A virgem da manhã Já todo o céu domina... Espero-te, divina, Espero-te, amanhã.

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