A Caridade Crisálidas · Capítulo 8 de 32
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A Caridade

A Caridade (1861)

Ela tinha 7 no rosto uma expressão tão calma Como o sono inocente e primeiro de uma alma Donde não se afastou ainda o olhar de Deus; Uma serena graça, uma graça dos céus 8 , Era-lhe o casto, o brando, o delicado andar, E nas asas da brisa iam-lhe a ondear Sobre o gracioso colo as delicadas tranças.

Levava pela mão duas gentis crianças.

Ia caminho. A um lado ouve magoado pranto. Parou. E na ansiedade ainda o mesmo encanto Descia-lhe às feições. Procurou. Na calçada À chuva, ao ar, ao sol, despida, abandonada A infância lacrimosa, a infância desvalida, Pedia leito e pão, amparo, amor, guarida.

E tu, ó Caridade, ó virgem do Senhor, No amoroso seio as crianças tomaste, E entre beijos – só teus – o pranto lhes secaste Dando-lhes leito e pão, guarida e amor 9 .

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