As Ventoinhas Crisálidas · Capítulo 27 de 32
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As Ventoinhas

As Ventoinhas (1863)

Com seus olhos vaganaus, Bons de dar, bons de tolher. SÁ DE MIRANDA

A mulher é um catavento, Vai ao vento, Vai ao vento que soprar; Como vai também ao vento Turbulento, Turbulento e incerto o mar.

Sopra o sul: a ventoinha Volta azinha, Volta azinha para o sul; Vem taful; a cabecinha Volta azinha, Volta azinha ao meu taful.

Quem lhe puser confiança, De esperança, De esperança mal está; Nem desta sorte a esperança Confiança, Confiança nos dará.

Valera o mesmo na areia Rija ameia, Rija ameia construir; Chega o mar a vai a ameia Com a areia, Com a areia confundir. 24

Ouço dizer de umas fadas Que abraçadas, Que abraçadas como irmãs Caçam almas descuidadas... Ah que fadas! Ah que fadas tão vilãs!

Pois, como essas das baladas, Umas fadas, Umas fadas dentre nós, Caçam, como nas baladas; E são fadas, E são fadas de alma e voz.

É que – como o catavento, Vão ao vento, Vão ao vento que lhes der; Cedem três coisas ao vento: Catavento, Catavento, água e mulher.

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