As Ondinas
As Ondinas (Noturno De H. Heine)
Beijam as ondas a deserta praia; Cai do luar a luz serena e pura; Cavaleiro na areia reclinado Sonha em hora de amor e de ventura.
As ondinas, em nívea gaze envoltas, Deixam do vasto mar o seio enorme; Tímidas vão, acercam-se do moço, Olham-se e entre si murmuram: Dorme!"
Uma – mulher enfim – curiosa palpa De seu penacho a pluma flutuante; Outra procura decifrar o mote Que traz escrito o escudo rutilante.
Esta, risonha, olhos de vivo fogo, Tira-lhe a espada límpida e lustrosa, E apoiando-se nela, a contemplá-la Perde-se toda em êxtase amorosa.
Fita-lhe aquela namorados olhos, E após girar-lhe em torno embriagada, Diz: Que formoso estás, ó flor da guerra, Quanto te eu dera por te ser amada!"
Uma, tomando a mão ao cavaleiro, Um beijo imprime-lhe; outra, duvidosa, Audaz por fim, a boca adormecida Casa num beijo à boca desejosa.
Faz-se de sonso o jovem; caladinho Finge do sono o plácido desmaio, E deixa-se beijar pelas ondinas Da branca lua ao doce e brando raio.