As Ondinas Crisálidas · Capítulo 21 de 32
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As Ondinas

As Ondinas (Noturno De H. Heine)

Beijam as ondas a deserta praia; Cai do luar a luz serena e pura; Cavaleiro na areia reclinado Sonha em hora de amor e de ventura.

As ondinas, em nívea gaze envoltas, Deixam do vasto mar o seio enorme; Tímidas vão, acercam-se do moço, Olham-se e entre si murmuram: “Dorme!"

Uma – mulher enfim – curiosa palpa De seu penacho a pluma flutuante; Outra procura decifrar o mote Que traz escrito o escudo rutilante.

Esta, risonha, olhos de vivo fogo, Tira-lhe a espada límpida e lustrosa, E apoiando-se nela, a contemplá-la Perde-se toda em êxtase amorosa.

Fita-lhe aquela namorados olhos, E após girar-lhe em torno embriagada, Diz: “Que formoso estás, ó flor da guerra, Quanto te eu dera por te ser amada!"

Uma, tomando a mão ao cavaleiro, Um beijo imprime-lhe; outra, duvidosa, Audaz por fim, a boca adormecida Casa num beijo à boca desejosa.

Faz-se de sonso o jovem; caladinho Finge do sono o plácido desmaio, E deixa-se beijar pelas ondinas Da branca lua ao doce e brando raio.

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