Capítulo IX - Arre, burra! O Chapéu de Três Bicos · Capítulo 11 de 38
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Capítulo IX - Arre, burra!

Capítulo IX - Arre, burra!

Por onde quer que passassem o personagem e seu apêndice, os lavradores deixavam as tarefas e se descobriam até os pés, mais por medo que por respeito; depois do que diziam uns aos outros em voz baixa:

-- Cedo vai hoje à tarde o senhor Corregedor visitar a sinhá Frasquita!

-- Cedo... e sozinho! -- acrescentavam alguns, acostumados a vê-lo sempre fazer aquele passeio em companhia de várias outras pessoas.

-- Escuta aqui, Manuel: por que será que o senhor Corregedor vai sozinho hoje à tarde visitar a navarra? -- perguntou uma aldeã ao marido, que a levava na garupa da besta.

E, ao mesmo tempo que fazia a pergunta, deu-lhe cócegas, por malícia.

-- Não pense mal, Josefa! -- exclamou o bom homem. -- A sinhá Frasquita é incapaz...

-- Não estou dizendo o contrário... Mas nem por isso o Corregedor é incapaz de estar apaixonado por ela... Ouvi dizer que, de todos os que vão às patuscadas do moinho, o único que leva má intenção é esse madrilenho tão chegado a saias...

-- E que é que você sabe se ele é ou não chegado a saias? -- perguntou por sua vez o marido.

-- Não digo por mim... Ele bem se guardaria, por mais corregedor que seja, de vir me dizer que tenho olhos negros!

A que assim falava era feia em grau superlativo.

-- Pois olha, filha, eles que se arranjem! -- replicou o chamado Manuel. -- Não acredito que o Tio Lucas seja homem de consentir... Bonito gênio tem o Tio Lucas quando se zanga!...

-- Mas, enfim, se ele vir que lhe convém!... -- acrescentou a Tia Josefa, torcendo o focinho.

-- O Tio Lucas é homem de bem... -- tornou o aldeão --, e a um homem de bem certas coisas nunca podem convir...

-- Pois então você tem razão... Eles que se arranjem! Se eu fosse a sinhá Frasquita!...

-- Arre, burra! -- gritou o marido, para mudar de conversa.

E a burra saiu a trote; com isso não se pôde ouvir o resto do diálogo.

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