II. Ideias gerais sobre a bacia do rio Madeira. - Seu curso e seus afluentes. - Rio Mamoré, rio Grande ou Guapai. - Pirai. - Chaparé. - Securé. - Guaporé ou Itenez. - Beni. - Situação e comprimento da estrada das Cachoeiras.
II.
Ideias gerais sobre a bacia do rio Madeira. — Seu curso e seus afluentes. — Rio Mamoré, rio Grande ou Guapai. — Pirai. — Chaparé. — Securé. — Guaporé ou Itenez. — Beni. — Situação e comprimento da estrada das Cachoeiras.
A torrente, que baixa do nevado de Chacaltaia e corta a cidade de La Paz, a mais populosa e importante da Bolívia, é uma das nascentes mais remotas do Mosetenes, cujo nome se troca pelo de Beni desde o salto de Ictama[2]. Na propria cidade de Cochabamba e em suas vizinhanças se encontrão varios cursos de agua, que por duas vias differentes vão despejar ao rio Mamoré, cujo prolongamento é o Madeira. De um lado são as nascentes do Paracti e do Colomi, que são ambos afluentes principais do Chaparé ou rio de S. Matheus; do outro lado é o rio Rocha, que tambem tem o nome de Sacaba, e é um dos numerosos tributarios do Calauta, confluente do rio Grande de Chaianta, que mais abaixo se chama simplesmente rio Grande ou Guapai e é o braço mais caudaloso do rio Mamoré.
[2] Estes e os seguintes dados são, em geral, extrahidos da excellente obra — Bosquejo estadistico de Bolívia — por José Maria Dalence. Chuquisaca, 1851.
A cidade de Sucre ou Chuquisaca está situada na ramificação dos Andes, que fórma na Bolívia o divortium aquarum entre o Amazonas e o Prata. Assim as águas, que a banhão, de um lado se dirigem para o Sul pelo alveo do rio Pilcomaio, emquanto que do outro fluem para o já citado Guapai ou rio Grande.
Emfim, a cidade brasileira de Mato Grosso, antiga capital da capitania, hoje provincia do mesmo nome, demora às margens do Guaporé ou Itenez, o mais poderoso dos afluentes do Madeira, que procedem das bandas do oriente, principalmente da famosa serra dos Parecis, onde se entrelação tantos rios que engrossão as águas do Amazonas e do Prata.
O Beni, o Chaparé, o Guapai e o Guaporé são os ramos mais importantes, que compõem o volumoso tronco, que toma o nome de Mamoré desde a confluencia do Chaparé com o Guapai; recebe o de Madeira quando se lhe junta o Beni, e o conserva até que desemboca no Amazonas com um cabedal de águas tamanho, que o classifica como um de seus maiores afluentes, senão o maior.
Assim em longinquas origens de seu curso o Madeira rega as três cidades mais consideraveis da Bolívia, assim como à de mais valor que o Brasil possue em sua fronteira desse lado.
O Guapai ou rio Grande, tronco principal do Mamoré, se torna um rio notavel desde que se reune o Calauta, que vem de Cochabamba, ao rio grande de Chaianta. Nessa paragem, que se acha proximamente aos 19° de latitude, entre o povo de Uricari e o de Poroma, tem como 3 pés ou cerca de 1 metro de profundidade[3].
[3] O pé usado na Bolívia é igual a um terço de vara. Esta sendo igual a 0^m, 8359, o dito pé vale 0^m, 278.
O pé inglez é equivalente a 0^m, 3048. O pé português tem 1 1/2 palmos ou 0^m, 33, conforme o valor de 0^m, 22, adoptado como o padrão do palmo. É com pequena differença igual ao pé francez, que tem 0^m, 324. Em geral se pode tomar aproximadamente o metro por 3 pés.
Contada dahi até à foz no Amazonas, a navegação da arteria mãe do Madeira abraçaria mais de 900 leguas.
O rio, que a principio seguia o rumo de norte a sul, na dita latitude e na longitude de 68° O. de Paris, pouco mais ou menos, dirige-se para leste em linha quasi recta, costeando o grande esporão dos Andes, cujas contravertentes dão para o Pilcomaio. Chega assim aos 60° de longitude, perto de Abapó, onde se lhe incorpora o caudaloso rio Azero, e livre já dos obstaculos da Cordilheira torce de repente para norte, cujo rumo em geral conserva para diante nas innumeraveis sinuosidades de seu leito.
Antes de receber o Azero, já tem o Guapai duas varas ou 1^m, 66 de profundidade, e, ainda que seja pouco conhecida sua navegabilidade nestes lugares, há quem assegure que ele não tem empecilho algum, pois collocão no rio Azero uma cachoeira que consta por ahi existir.
Passa o rio Grande ou Guapai a 10 leguas de Santa Cruz de la Sierra, a cidade campestre, como a apellida de Orbigui, interessante capital do departamento de igual nome; e mais abaixo recolhe pela margem esquerda as águas do rio Pirai, que banha os arrebaldes da mesma cidade e é navegado até cerca de 30 leguas a jusante della, em um porto chamado Cuatro-Ojos.
É depois de receber o Pirai que alguns geografos dão ao Guapai o nome de Sara, que guarda até se lhe reunir o Chaparé, que, recebendo perto da boca um rio denominado Mamorechico ou Mamoré[4], transmitte este nome ao Sara, antes Guapai ou rio Grande.
[4] Mamoré significa em lingua indigena mãi dos homens. O rio recebeu este nome porque em sua fonte há um rochedo piramidal formado de três pedras sobrepostas, que se erguem à altura de mais de 20 metros, e coroado por uma gigantesca arvore de quina. Este rochedo é adorado pelos indios dessas paragens, porque é crença entre eles que devem sua origem aos amores dessa pedra com um tigre das selvas. — Podia julgar-se, acrescenta o autor de quem copiamos estas linhas, que semelhante origem devia tel-os feito selvagens e ferozes: são ao contrario meigos, humildes e serviçaes. (Favre — Apuntes sobre la navegacion de los rios de Boliiia. Cochabamba. 1858).
O Chaparé é digno de menção não tanto pelo avultado cabedal de suas águas como pela navegação franca que oferece quér em seu próprio curso, quér no de seus numerosos tributarios, entre outros o Mamoré chico, o Chimoré e o Coni.
Trazendo, como ficou dito, suas nascentes dos arredores de Cochabamba, tem a 35 leguas[5] desta cidade o porto de Vinchuta, junto à embocadura do Coni, de onde é possivel navegar a vapor até a sua foz no Mamoré; pois neste espaço, que regulará em 200 milhas[6], o rio nunca tem menos de 2 metros (6 pés) de fundo nem correnteza superior a de 1 1/2 milhas por hora ou 0, 77 metros por segundo.
[5] Alguns autores que consultamos dizem ser de 30 leguas a distancia de Cochabamba a Vinchuta; outros fazem-na de 40. Decidimo-nos pela media dos dois algarismos, aproximando-nos muito da opinião de Gibbon, que atribue 34 leguas ao mesmo caminho.
[6] As distancias em milhas que citamos são extrahidas da obra de Gibbon ou fundadas no seu mappa. Supomos ser a milha maritima de 60 ao gráo, equivalente a um terço de legua de 20 ao gráo e a 1. 852 metros. Esta legua tem pois 5. 556 metros e é pouco differente da boliviana, que é igual a 5. 564 metros.
No rio Grande ou Guapai o mesmo sistema de navegação talvez possa, na estação das águas, começar desde muito arriba no seu curso; e não é duvidoso que alcançará ao lugar chamado Pailas, situado mais ou menos fronteiro a Santa Cruz. Dahi para baixo a navegação seria desimpedida em todo o ano, se na secca não se formasse um rapido ou uma cachoeira, que difficulta a subida além de um porto conhecido pelo nome de Bivosi. Entre este e a foz do Chaparé não consta que o Guapai tenha empecilhos e dessa foz até Trinidad, capital do departamento do Beni, foi averiguado por Gibbon que a profundidade de agua na secca nunca é inferior a 7 metros, 21 pés, e a correnteza por hora não passa de 1/2 milha.
Proseguindo em condições de prestar trânsito a vapores sem necessidade de obras de arte, o Mamoré passa perto de Exaltacion, outra cidade do Beni, e cada vez com mais fundo e corrente menos rapida, chega à confluencia do Guaporé ou Itenez, proximamente a 120 milhas da cidade de Trinidad.
Este ultimo rio, que reune a maior massa, que engrossa o Mamoré pela margem do Oriente, é formado pelo concurso de muitos mananciaes que descem da serra dos Parecis, com outros que provêm da de Aguapehi e das vertentes e lagôas da provincia de Chiquitos. Tendo, porém, as fontes de seu tronco principal na serra dos Parecis, aos 14^o 42' de latitude e a 2 leguas das do Juruema, braço importante do rio Tapajoz, outro grande affluente do maximo Amazonas, o Guaporé, se precipita pelas encostas das montanhas, de onde se origina, em saltos a cachoeiras repetidas, que não facultão senão mui embaraçada à navegação até cidade de Mato Grosso. Corre primeiro a SO até os 15^o, 10' de latitude, seguindo parallelo ao curso do Jaurú, tributario do rio Paraguai, e depois volta bruscamente tornando o rumo de nordeste, que conserva até desembocar no Mamoré, aos 11^o 54' 46" de latitude é 68^o 1' 30" de longitude oeste de Paris.
Seus confluentes mais notaveis são na margem direita o Sararé e o Galera; e na esquerda o Barbados, o Verde, o Branco ou Baures e o caudaloso Magdalena ou Itonama.
É pelo rio Barbados e seu affluente, o rio Alegre, que cruza as nascentes com o Aguapehi, tributario do Jaurú, que o é do Paraguai, que será possivel estabelecer o mais curto canal de união entre as águas do Amazonas e do Prata, cortando o isthmo que separa o Alegre e o Aguapehi e que se estreita a ponto de reduzir-se à largura de 5. 280 metros ou 2. 400 braças do Brasil.
O Guaporé, desde a povoação de Mato Grosso até a sua boca, na extensão de 205 leguas[7], não tem saltos nem grandes cachoeiras, mas sómente alguns rochedos e muitos baixios, estes produzidos pelo excessivo espraiamento do seu alveo e que no tempo da secca não permittem chegar áquella cidade embarcações de mais de 1 metro ou três pés de calado.
[7] Esta distancia é tirada do roteiro da comissão portugueza de limites, que cursou o Madeira e seus afluentes nos anos de 1780 e seguintes. Si a legua desta medição não fôr a maritima de 20 ao gráo, deve ser a de 17 1/2 ao gráo, que parece foi a estipulada nos tratados de então entre Portugal e Hespanha.
Na enchente porém, que se eleva de 10 metros ou 30 pés, como não há correntezas fortes, navios de maior porte e movidos a vapor até lá poderão ir; e supõe-se que em qualquer tempo navegarião sem estorvo, pelo menos até o forte do Principe da Beira e mesmo talvez, segundo outra opinião, até defronte das serranias de S. Carlos, a 70 leguas proximamente a jusante da dita cidade de Mato Grosso.
Depois de receber o Guaporé ainda corre o Mamoré sem embaraço algum por espaço de 26 leguas, no fim das quaes apresenta-se a corredeira de Guajaramirim, o primeiro da longa serie de obstaculos, que interrompem a continuidade da navegação entre o alto e o baixo Madeira.
Até ao ponto em que o Mamoré, assoberbado com as águas do Beni, adopta o nome de Madeira, ele contém, numa distancia de 18 leguas, 5 cachoeiras, denominadas na ordem da descida Guajaramirim, Guajaraassú, Bananeiras, Páo Grande e Lagens.
O Beni, que como vimos, vai buscar sua origem dos picos nevados vizinhos de La Paz, ou mais longe ainda, conforme affirma Dalence, de perto de Oruro nos altos de Pongo e Calliquiri, aos 18^o de latitude, se une ao Mamoré aos 10^o, 22', 30", tendo então a largura de 640 metros e a profundidade de 18^m ou 54 pés (Gibbon). Consta que seu curso é obstruido por muitos bancos, saltos e cachoeiras, dos quaes são nomeados o salto de Ictama, onde o Beni deixa de chamar-se Mosetenes, e dois que se encontrão a poucas leguas acima da confluencia com o Mamoré, o Salto de Iata e a Cachoeira de Borda, tão temiveis que impedirão o passo à expedição do boliviano D. Agustin Palacios, quando em 1846 pretendeu subil-os para explorar o mesmo Beni. É sabido, porém, que os indios de suas margens viajão-no em balsas desde o Povo de Reies e outros muito arriba no seu curso, e diz-se não ser impossivel levar a navegação pelo seu ramo, o rio Coroico, até o lugar deste nome, pouco distante da cidade de la Paz. Faltão, comtudo, dados exactos sobre a navegabilidade do rio Beni, que até hoje carece de uma exploração scientifica.
O Madeira, ao formar-se pela juncção do Beni ao Mamoré, tem a largura de uma milha ou 1. 852 metros e profundidade que attinge a mais de 30. Prosegue ainda ao rumo de norte, em que vinha o Mamoré, e não corre grande trecho antes de despenhar-se em uma cachoeira, que leva seu próprio nome e dá principio à serie das 12, encadeadas por espaço de 65 leguas (de 20 ao gráo) até alcançar as águas placidas do baixo Madeira, que sem mais tropeço algum conduzem ao Amazonas e dahi ao Oceano.
Os 12 degráos, que interceptão o leito do Madeira formando outros tantos obstaculos, são conhecidos pelos seguintes nomes de cima para baixo: Madeira, Misericordia, Ribeirão, Araras, Pederneiras, Paredão, Três Irmãos, Giráu, Caldeirão do Inferno, Morrinhos, Salto Teotonio e Santo Antônio, de entre os quaes os de passagem mais difficultosa são os saltos Ribeirão, Giráu e Teotonio.
Gibbon avalia em 250 milhas a distancia ocupada tanto por estes impecilhos como pelos do rio Mamoré e nota que na parte correspondente os dois rios descrevem uma curva, que tem a concavidade voltada para leste e cujos ramos, um mede 190 milhas em rumo geral de norte, desde Guajamirim até às immediações da cachoeira das Pederneiras, ou melhor até à ponta do Abuna, como denominarão os geografos portugueses este ponto, um dos mais ocidentaes do territorio brasileiro; e o outro ramo tem 150 milhas dahi à cachoeira de Santo Antônio, em rumo de ENE.
A linha recta, que fórma a corda da mesma curva, se estende toda em terras do Imperio e mede proximamente 180 milhas de extensão, seguindo a direcção de NE — SO.
Desde o pé da cachoeira de Santo Antônio, que se entra na região do baixo Madeira, o qual se desenvolve por 170 leguas mais ou menos, sempre com grande fundo e velocidade de águas muito moderada, até que desemboca no Amazonas, na latitude de 3^o 23' 43" e longitude de 61^o 37' 55", O de Paris e na distancia aproximada de 270 leguas do Atlantico, pelo canal do grandioso rio.
Portanto, o unico obstaculo que se oppõe à comunicação do Oceano com o vasto país banhado pelo Mamoré e seus tributarios, o qual se pode designar como a bacia do alto Madeira, são as 17 cachoeiras, que se succedem no espaço de 250 milhas, desde a de Guajaramirim no Mamoré ate à de Santo Antônio no Madeira.
Não resta duvida que elas interpõe uma barreira invencivel a qualquer genero de navegação regular; pois assim não se pode qualificar a que hoje atravez dellas tem lugar, correndo innumeros riscos e pesadissimos trabalhos, descarregando a cada passo as embarcações e levando as cargas por terra e por vezes arrastando os próprios vehiculos por caminhos marginaes em longos trechos. Para dar ideia das contrariedades que encontra esta viagem, basta mencionar que as canôas de comércio gastão até 5 mezes em subir as cachoeiras, entretanto que a descida se pode realizar em 12 dias, como a fez Gibbon, e até em 7 1/2 como aconteceu ao engenheiro brasileiro Coutinho.
A exploração profissional, que ora devem estar levando a efeito por ordem do governo imperial os illustrados engenheiros Keller, resolverá com dados positivos — si essas cachoeiras podem ser canalisadas para prestar navegação desimpedida, quaes as obras necessárias a este efeito e emquanto importaráõ. À vista, porém, das noticias de expedições anteriores, desde a da comissão portugueza demarcadora dos limites de 1777 até às modernas do boliviano Palacios, do norte-americano Gibbon e do brasileiro Coutinho, nada há de temerario em assegurar que a canalisação das cachoeiras do Madeira, sem ser um projecto inexequivel, é obra de tal magnitude e por conseguinte exigirá tão enormes capitaes, que não é para ser tentada no presente, nem está em relação com a grandeza dos interesses, que por meio della se pretende promover.
Para supril-a de prompto e quiçá preparar as cousas para sua futura execução, a opinião geral propende para uma outra empresa, que evitará a travessia das cachoeiras em vez de removel-as, sendo mais realisavel por ser menos custosa. É a de abrir uma via terrestre desde Santo Antônio até Guajaramirim, seguindo mais ou menos a corda do arco que descreve o rio, cujo comprimento Gibbon avaliou em 180 milhas isto é, 60 leguas de 20 ao gráo[8]. Esta estrada, que toda ficará em territorio do Brasil, tem segundo o mesmo viajante todas as probabilidades de percorrer um terreno livre de inundações, sem ser muito accidentado.
[8] O distincto engenheiro Coutinho e com ele o Dr. Tavares Bastos e outros illustres brasileiros, que modernamente se hão ocupado da comunicação do Madeira, dão à mesma linha o comprimento de 50 leguas. A differença deste numero para o que apresentamos e que em diante adoptaremos, provém da especie de legua considerada. Assim a extensão de 180 milhas, reduzida a leguas de 20 ao gráo ou de 5. 555 metros, produz 60 leguas; às de 18 ao gráo ou de 6. 173 metros sómente 54 e às de 3. 000 braças ou 6. 600 metros apenas 50. Sem duvida o engenheiro Coutinho considerou as leguas desta ultima especie, que são as mais usuaes no Brasil. Se não o seguimos nesta parte, é porque adoptando a legua de 5. 555 metros reduzimos facilmente as medições de Gibbon, avaliadas em milhas maritimas, e sobretudo porque, referindo-nos frequentemente aos roteiros da Bolívia, era a que mais convinha por ser a de valor mais aproximado ao da boliviana, que como já foi dito tem 5. 564 metros.
Os que fazem a estrada das cachoeiras sómente de 32 leguas, provavelmente supõem-na começando não de Guajaramirim, mas da boca do Beni, conservando a navegação das 18 leguas do Mamoré, onde há cinco cachoeiras.
É por tal meio que nos parece se devem unir os valles do alto e do baixo Madeira, abrindo assim caminho franco ao comércio da Bolívia com o Atlantico pelas águas do Amazonas. Conjunctamente com o beneficio desta estrada, o vapor sulcará as águas do Mamoré e de suas grandes ramificações, e aproveitando-se da navegabilidade que estes rios oferecem nas extensas planicies de Mojos, Santa Cruz e Chiquitos, irradiará em todos os sentidos e irá fecundar com a industria e com o comércio a um vasto país, que para desenvolver-se e prosperar sómente aguarda a possibilidade de exportar o seus productos. É a extensão do seu territorio, sua população e seu comércio e os recursos que contem em si o que revistaremos em seguida, a fim de deduzir os elementos com que se pode contar para retribuir os capitaes necessários à empresa de tornar regulares e expeditos os transportes por toda a via do Madeira.