V. Esboço do projecto de melhoramento da via do Madeira. - Plankroad ou madeirocarril das cachoeiras. - Sua construção e seu custo. - Ensaio da navegação a vapor. - Primeiras linhas a estabelecer. - Orçamento da despesa respectiva. - Importância total do capital da empresa.
V.
Esboço do projecto de melhoramento da via do Madeira. — Plankroad ou madeirocarril das cachoeiras. — Sua construção e seu custo. — Ensaio da navegação a vapor. — Primeiras linhas a estabelecer. — Orçamento da despesa respectiva. — Importância total do capital da empresa.
Do que tem sido mais de uma vez expendido no correr deste trabalho, se deprehende que consiste em duas obras distinctas o que há a fazer para estabelecer na linha do Madeira um sistema de meios de transporte, regular e economico:
1.º Abrir uma via terrestre para dispensar a navegação trabalhosa das cachoeiras, que separão o alto do baixo Madeira.
2.º Crear carreiras de vapores na arteria mãe do alto Madeira, isto é, no rio Mamoré e tambem em alguns de seus afluentes, as quaes entrarão em correspondencia pela estrada com a linha que em breve deve funccionar ligando os portos do Amazonas e o Atlantico a Santo Antônio, ao pé da primeira cachoeira.
Ficou manifesto que num futuro mais ou menos afastado o comércio da comunicação de que se trata, chegará às proporções mais elevadas; mas forçoso é confessar que será modesto em seu principio.
A empresa projectada vai descerrar as portas de um país dotado de uma natureza prodiga e já em parte povoado, contendo por conseguinte em si todos os elementos essenciaes para produzir e consumir em grande escala. Mas a corrente de suas transações com os outros países ou não se acha estabelecida, ou, onde já existe, se escôa em direcção diversa de comunicação que nos cccupa. Há, pois, de um lado tudo por crear, do outro que alterar um antigo estado de cousas, contrariando habitos inveterados, interesses individuaes arraigados, a que se juntará o espirito de rotina, que não deixa de despertar-se sempre que se trata de fazer opposição a qualquer reforma por mais vantajosa que ela seja.
Infallivelmente travar-se-ha a luta do costume entre as novas e as antigas vias; e enquanto a luz irrecusavel dos factos não esclarecer aos mais obstinados e não revelar que, se a innovação é prejudicial a alguns, redunda em proveito do maior numero, emquanto de outra parte, as fontes de producção não se fundarem e começarem a dar frutos abundantes, correrá algum tempo antes que a circulação da via do Madeira attinja a grandeza correspondente à extensão, à fecundidade e ao numero de habitantes do territorio, de cujo comércio é a saída natural e a mais conveniente.
Portanto, no projecto dos melhoramentos, que nella há que introduzir, convem não perder de vista, que não se trata de uma comunicação de um trafego existente em altas proporções, mas sómente de um caminho, que se pode chamar de exploração, pois que é destinado a ser o próprio creador e promotor da industria e do comércio que há de sustental-o em seus primeiros anos e depois pouco a pouco fornecer recursos para aperfeiçoal-o successivamente, satisfazendo sempre às exigencias da frequentação crescente que delle se utilise.
Assim é que o desvio das cachoeiras do Madeira não pode ser de principio um meio de viação perfeito, senão uma estrada das mais simples, cujo custo de estabelecimento possa achar compensação lucrativa nos fretes do limitado trafego, que nos primeiros tempos della se aproveite; e de sua parte a navegação a vapor do alto Madeira, cingindo-se às mesmas ideias, não deve passar de um modesto ensaio.
Entre os sistemas de vias terrestres baratas, o mais facil e comum é o que só dá lugar ao transporte com animaes de carga. Tal sistema, em sua singeleza primitiva, pode não passar de uma estreita vereda mais ou menos seguindo um rumo certo, de que não se desvia nem por causa de subidas e descidas ingremes, nem por outros impecilhos naturais, senão quando são inteiramente inaccessiveis ao pé seguro da mula ou dos outros animaes, que habitualmente carregão sobre o dorso.
Sem duvida esta especie de caminhos realisa a extrema barateza, mas em contraste é tambem do mais insignificante efeito util, quanto ao trabalho que nelles fazem os motores empregados, comparativamente a outras vias de transporte menos imperfeitas.
É sabido, com efeito, que o producto do trabalho dos animaes, quando carregados sobre o dorso, é muito inferior ao de sua força de tracção, aproveitada em conduzir pesos por meio de vehiculos de rodas, cuja ação mecanica ocasiona a multiplicação da potencia motriz diminuindo proporcionalmente as resistencias passivas, que se oppoem ao movimento.
Destas resistencias a mais importante é o attrito entre o contorno das rodas e a superficie do solo, attrito cuja intensidade depende principalmente do gráo de solidez e de lisura do material sobre que as rodas girão.
De taes principios, baseados nas leis fisicas e confirmados pela experiência, procede a superioridade consideravel das estradas de rodagem sobre os caminhos de cargueiros, e, confrontados entre si os diversos sistemas daquellas, a superioridade das de leito empedrado sobre as que o tem do terreno natural, a dos madeiro-carris ou plankroads sobre as empedradas e a excellencia sobre todas as outras dos carris de ferro ou railwais.
Se, pois, no projecto da linha do Madeira se pretender, como de razão, poupar força motriz, e com isto realisar economia e presteza nos transportes, cumpre prescindir de adoptar ahi um caminho de cargueiros, preferindo-lhe uma estrada propria para vehiculos de rodas.
E, como, convem reduzir quanto possivel o capital necessário para sua construção, a escolha de entre os differentes sistemas de taes estradas deve fixar-se na que concilie melhor, no caso presente, os requisitos de viabilidade e barateza.
A estrada das cachoeiras do Madeira, provavelmente virá a ser um ferro-carril, com o decorrer dos anos, quando já esteja desenvolvido na grandeza a que pode attingir o comércio da dilatada bacia do Alto Madeira.
Por ora, porém, o alto preço da fundação deste sistema de viação exclue sua aplicação, não só no estado perfeito em que é adoptado à locomoção a vapor, como mesmo no menos dispendioso em que só serve para a de motores animaes.
Tambem não é admissivel o emprego das mais baratas de entre todas as estradas de carros, quaes as que têm o leito do próprio solo natural, porque em uma região chuvosa e humida, como é em geral o valle do Amazonas, elas serião quasi sempre intransitaveis.
Resta a escolher entre as estradas empedradas e os madeiro-carris.
Partindo de que seja uma companhia que construa e explore a estrada do Madeira, o monopolio do trânsito é condição implicita de sua concessão. Por conseguinte, o movimento do trânsito pode ser submettido a uma certa organisação methodica, fazendo-o por combois de carros, que como os trens das vias ferreas partão a horas fixas, caminhem com uma velocidade conhecida e se cruzem com os vindos em sentido opposto em lugares de antemão determinados.
Isto permitte realizar uma economia importante na construção de qualquer sistema de estrada com fazel-a em quasi toda sua extensão sómente com a largura indispensavel para a passagem de um vehiculo, dispondo de distancia em distancia logares com dupla largura, para o cruzamento dos carros, precisamente como sóe ser nos ferro-carris a vapor de uma só via; com a differença porém de que empregando-se motores animaes as collisões são isentas de perigos e por conseguinte o telegrafo electrico, que nos ferro-carris, é destinado a prevenil-as, deixa de ser um acessorio imprescindivel.
Dado pois que o leito da estrada das cachoeiras só tenha a largura necessária ao trânsito de um carro, a qual pode não exceder de 3 metros, a consideração das circumstancias peculiares do terreno que tem de percorrer e da facilidade de tracção ou viabilidade nos induz a preferir para sua consolidação uma superstructura de madeira em vez de um empedramento.
É que nos parece que o traçado da estrada em questão terá de se desenrolar, parte nos terrenos de alluvião que constituem as immensas planuras do valle do Amazonas, parte nas fraldas e encostas da cadeia de montanhas, cujo encontro com o curso do Madeira dá lugar às cachoeiras deste rio e que deve ser um prolongamento da serra dos Parecis, onde consta ser o grèz vermelho a rocha dominante. A ser assim, é de crer que em grande extensão da linha a pedra seja escassa e até possa faltar, e na parte em que abunde seja de uma qualidade pouco adequada à construção de empedramentos solidos. Entretanto que as grandiosas florestas, que cobrem o o mesmo terreno, oferecem uma provisão inesgotavel de madeiras rijas e duradouras, que as mais das vezes nem será preciso cortar de proposito, mas apenas escolher as mais convenientes das derrubadas feitas para desassombrar o caminho.
Com troncos falquejados numa face compor-se-hão os dois carris parallelos, sobre que as rodas dos carros devem assentar e que para mais firmeza serão apoiados em madeiros transversaes enterrados. O intervallo entre os carris, onde hão de caminhar os animaes no trabalho da tracção, será consolidado ou tambem com madeira ou com materiaes pedregosos, onde estes se encontrem mais a mão.
O plankroad, executado sob estas prescripções, além de ter a seu favor mais probabilidades de construção facil e barata do que a estrada empedrada, apresenta ainda a vantagem essencial de oppor menos resistencia à tracção, sendo por conseguinte mais viavel do que ela. Na verdade, a experiência tem provado que, ao passo que numa via macadamisada horizontal um cavallo de força média não puxa nos carros usuaes mais de 2. 100 kilogrammas, ou cerca de 175 arrobas de 25 libras, num madeiro carril tambem de nivel, transporta até 4. 900 kilogrammas ou perte de 400 arrobas, sendo que nas declividades sempre se dá vantagem para esta especie de caminho, embora com menos differença.
Os algarismos aduzidos servem igualmente para dar a medida da grande superioridade das vias de rodagem a que eles se referem, sobre as que só prestão para animaes de carga, quando em confrontação se considera que um cargueiro conduz ordinariamente 10 arrobas, 250 libras ou cerca de 120 kilogrammas, isto é, menos de 1/18 de peso que o mesmo animal é capaz de transportar em carro sobre estrada empedrada e 1/40 do que pode fazel-o sobre carris de madeira, sendo em ambos os casos o terreno horizontal. Subindo planos inclinados, as ditas relações tornão-se menos avultadas, porém até os declives de 3 e 5% ainda denotão que é muito mais vantajoso utilizar os animaes pela força de tracção do que carregando-os sobre o dorso.
Contra os madeiro-carris não há que objectar senão a pouca duração do material de sua structura superficial, sujeito a deteriorar-se promptamente nas condições em que permanece, exposto à ação simultanea do calor atmosferico e da humidade perenne do solo. Este inconveniente, que tambem assiste às estradas de ferro, onde na generalidade se empregão dormentes de madeira, não obstante aggravar consideravelmente as despesas de conservação, decresce de importancia na estrada de que se trata, porque as madeiras ahi são abundantissimas. Demais há todo o fundamento para presagiar que o madeiro-carril será um sistema provisorio, a que succederá um ferro-carril de sangue ou quiçá de vapor depois de um curto periodo, logo que tenhão fructificado os germens de industria e civilisação que a abertura definitiva da comunicação do Madeira vai derramar no solo fecundo das províncias da Bolívia e do Brasil, situadas no valle superior do mesmo rio. E com taes vistas é mais uma razão para antepôr o madeiro-carril às simples estradas de rodagem o ele assemelhar-se na fórma e no serviço às vias ferreas, cujo percursor tem de ser, esboçando no terreno o traçado e nivelamento, que posteriormente só carecerão de aperfeiçoamento nas curvas e nos declives para receber os rails e dar passo à veloz locomotiva.
Admittido, pois, que a estrada das cachoeiras seja um madeiro carril de tosca superstrutura, composto como acima foi descrito; supondo demais que ele se amolde às sinuosidades do terreno, quanto seja compativel com uma tracção regular, adopte pontes e obras de arte, da construção mais singela e economica, e emfim cinja-se em todas as suas partes às condições menos dispendiosas; porque preço poderá ser construido?
Impossivel é resolver esta questão com exactidão, quando não há, como acontece no caso actual, conhecimento completo do terreno, que a linha tem de percorrer, sendo no emtanto indispensavel para organisar um orçamento regular de qualquer via estudos previos e minuciosos de seu traçado e de seu nivellamento longitudinal e transversal. Na falta total de taes dados, só nos resta o recurso de aventurar uma estimativa provavel fundando-a no preço médio, que comummente poderá custar um madeiro-carril em circunstancias naturais, parecidas às que attiribuimos à da linha das cachoeiras, onde não supozemos que o terreno seja de todo facil nem tambem que se encontrem obstaculos de grande vulto e em extremo custosos de vencer.
Nesta conformidade, apoiando-nos na autoridade de engenheiros competentes e em alguma pratica que temos de obras semelhantes, nos abalançamos a orçar o preço geral do madeiro-carril das cachoeiras em 20 contos do réis ou 10. 000 pesos por cada legua (de 5. 555 metros); importancia que não excederia uma via da mesma especie, através de florestas, em qualquer parte do Brasil, com o preço dos salarios e dos materiaes, mais comum no país e num terreno da natureza antes difficultosa do que facil.
Adoptada esta estimativa, as 60 leguas de estrada do Madeira importaráõ em 1. 200 contos de réis ou 60. 000 pesos. A este custo, que é o da via unicamente, há que aggregar o do material, carros e animaes, o das estações terminaes com seus armazens de deposito, o das intermedias para pousadas e casas de posta com os campos e culturas necessárias, e o de outros acessórios mais, que a comunicação exigir. Dando que nisto se dispenda até 300 contos ou 150. 000 pesos, chega-se ao total de 1. 500 contos ou 750. 000 pesos para a importancia do estabelecimento completo da estrada em questão.
Falta computar o capital preciso para simultaneamente com a abertura desta estrada introduzir a navegação a vapor no tronco e nos ramaes do Mamoré.
Quando se reflecte no processo a seguir na execução da estrada, aparece o mais conveniente acommetter os trabalhos della a um tempo pelos dois extremos, por Santo Antônio no baixo Madeira e por Guajaramirim no Mamoré.
Daquelle lado se receberião para a obra operarios, instrumentos de trabalho e meios de manutenção de Crato e de Borba no baixo Madeira, dos portos do Amazonas e até do Pará, aproveitando para isto a comunicação já contractada e que em breve estará funccionando até o pé da primeira cachoeira. Mas para manter relações promptas e regulares de Guajaramirim com Trinidad, Exaltacion, Santa Cruz e as demais povoações da Bolívia Oriental, donde é possivel tirar a maior cópia de recursos, conviria lançar um ou dois vapores nas águas dos rios que a elas conduzem.
Bastarião para este fim simples lanchas movidas por machinas locomoveis, com capacidade de rebocar canôas, pranchas e barcas chatas de lotação moderada.
O casco destas lanchas, se de necessidade devem ser de ferro, poderia ser transportado através das cachoeiras em seções de pouco peso, juntamente com os orgãos componentes de suas machinas motrizes, da mesma fórma porque até agora se levão as cargas que por ahi transitão. Talvez tambem não fosse impossivel conduzir as mesmas lanchas inteiras, se suas dimensões e seu peso não excedessem às dos barcos que desde tempo remoto sobem o Madeira até Mato Grosso, passando através das cachoeiras, cuja lotação alcança a 2. 000 arrobas de 32 libras, proximamente 30 toneladas metricas. No caso porém, de não haver inconveniente de serem de madeira as lanchas a vapor, em vez de transportar os cascos dellas a grande custo, seria preferivel fabrical-as em Guajaramirim, reunindo ahi para este fim carpinteiros, seja bolivianos de Santa Cruz ou de Mojos, seja brasileiros levados do Amazonas com a primeira expedição destinada ao serviço da estrada. Qualquer porém que seja o meio de obtel-as nas águas do alto Madeira, as lanchas de que nos ocupamos serão as iniciadoras da navegação a vapor neste rio e em seus tributarios, servindo a transportar operarios, animaes e provisões para os trabalhos da estrada, auxiliando desde logo ao comércio existente e predispondo as populações ribeirinhas, instruindo-as pela experiência pratica das vantagens dos navios movidos a vapor, a se apromptarem a utilisar-se em escala maior do beneficio completo da estrada e da navegação a vapor definitiva.
Esta não seria inaugurada senão depois de concluida a estrada das cachoeiras, por onde serião levados sem estorvo os barcos adequados, ou por partes assim como suas machinas, se é que eles devessem ser de ferro, ou sómente estas, no caso de serem os cascos de madeira e estes construidos em Guajaramirim, como acima propuzemos.
Para encetar a navegação a companhia empresaria poderia aplicar sómente dois vapores; um destinado a cursar o Mamoré e o Chaparé, com escalas em Exaltacion, Trinidad e Loreto, até o Porto de Vinchuta; outro a seguir sempre o tronco principal do Mamoré o Sara e o Guapai, seus prolongamentos, até o porto fronteiro à Santa Cruz de la Sierra. A estes dois vapores se juntarião as duas lanchas já referidas, que servirião para supril-os e coadjuval-os nas respectivas carreiras e para entreter uma comunicação periodica pelo Guaporé acima, que chegaria pelo menos até o forte do Principe da Beira, em qualquer estação do ano e na enchente quiçá até à cidade de Mato Grosso, recolhendo no trajecto os productos das missões de Chiquitos e Guaraios, que existem às margens dos tributarios meridionaes do dito Guaporé.
Com estes quatro barcos a vapor e mais o numero conveniente de barcaças, canôas e embarcações proprias para andar a reboque, a companhia teria o material suficiente para ensaiar o seu primeiro trafego.
Este material, avaliado com largueza, não excederá de 300 contos ou 150. 000 pesos, distribuidos como se segue:
Dois vapores de calado de menos de dois metros, machina de 50 a 80 cavallos, capazes de conduzir no casco ou a reboque de 150 a 200 toneladas, comprehendido o respectivo transporte até o porto superior das cachoeiras 100. 000 pesos.
Duas lanchas a vapor com os mesmos gastos de transporte 30. 000 »
Embarcações diversas proprias para andarem a reboque, etc., etc 20. 000 »
Somma 150. 000 »
Sobre esta somma deverá a companhia ter à disposição mais uns cem contos ou 50. 000 pesos para construir pontes de embarque e desembarque, com armazens, etc., nos pontos principais, e crear factorias ou agencias de deposito na embocadura do Beni e de alguns confluentes do Mamoré e do Guaporé, em cujo curso haja povoados donde convenha facilitar as transações com o interior por meio dos vapores. Serião por conseguinte 400 contos de réis ou 200. 000 pesos no todo, o capital preciso para organisar as primeiras linhas de paquetes no alto Madeira.
Adicionando a mesma quantia à de 1. 500 contos ou 750. 000 pesos, importe da estrada das cachoeiras, acha-se a somma de 1. 900 contos ou 950. 000 pesos; a que acrescentando mais 100 contos ou 50. 000 pesos para despesas gerais e imprevistas, deduz-se a final a cifra redonda de 2000 contos ou 1 milhão de pesos, como sendo capital necessário para levar a efeito a comunicação expedita pela via do Madeira; não, por certo, de um modo perfeito, mas como convém que principie, nas proporções de um ensaio dos mais modestos, porém em sua essencia adequado a transformar-se progressivamente, aperfeiçoando-se na razão do incremento que o trafego tiver.
Resta agora, partindo dos fretes admittidos em um dos capitulos precedentes, deduzir-se a quantidade do trafego que deve circular annualmente na via de que se trata, para que não só se consiga renda com que cobrir as despesas do custeio, como tambem sobra capaz de compensar os interesses do capital, no valor qne vimos de fixar-lhe.