Ondas 🦆 Contos e Recontos · Capítulo 7 de 8
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Ondas 🦆

Podia ouvir meu coraçãozinho.

Meu corpo tremia. Minhas mãozinhas também.

A cerâmica era tão dura, tão fria. E som das ondas, assustador.

Toda vez que se quebravam, meu coração acelerava. Me via afundando em meio ao mar azul, enquanto o Senhor Oliver se afastava, cada vez mais.

Tentei alcançá-lo. Estiquei meu bracinho. Meus dedos roçaram suas asas de borracha…, mas ele deslizou sobre a água, deixando-me só.

– …

– Alya?

Congelei, engolindo em seco, e ergui o olhar, apenas para encontrar minha mãe, confusa, inclinada sobre mim.

Suas feições endureceram logo que notou as lágrimas em meu rosto avermelhado.

– O que aconteceu, meu amorzinho? – Se abaixou, pondo a mão em minhas costas.

– O… o senhor Oliver… – Murmurei, chorosa.

Seu olhar seguiu o meu, pousando sobre o patinho - já longe sobre a piscina.

– Por que não vai atrás dele?

– …eu…

– Você…?

Fitei a água, estremecendo em seu abraço.

– …parece… tão fundo…

Seus lábios se curvaram em um sorriso.

– Não disse que queria ser como as moças da tv e ganhar uma medalha de ouro?

– …eu… não quero mais!

– Mesmo? – Ela se levantou, deslizando para o abraço das ondas.

Meus dedos tremeram. Temi que se afogasse. Mas a água mal tocou seus joelhos e, gentil, ela me estendeu sua mão.

– Não podemos abandonar o senhor Oliver.

– …ele é só um patinho…

– E você é só uma criança. E ainda assim, sonha com bem mais.

Podia ouvir meu pulso. Sentir meu corpo tremer. Mas suas palavras, tão… tão estranhas. Me fizeram ceder.

Meu peito doía. Mesmo assim, me levantei. Forcei meus joelhos trêmulos a se assentarem e, temerosa, envolvi seus dedos em minha mãozinha, deixando que guiasse meus passos - um a um, para o abraço onírico daquele véu azulado.

Estremeci. A água estava fria.

Temi afundar, mas não o fiz. O nível da água mal chegava ao meu peito e - ao notá-lo - corri até Oliver, tomando-o em meus braços.

Nunca mais o deixaria partir.

– Então, – minha mãe cruzou os braços, curvando os lábios em uma firmeza que falhava em esconder seu orgulho – pronta para tentar?

– …não. Mas… eu quero. Me ensina a nadar! Eu quero ser uma andadora olímpica!

– … – Ela não se aguentou, desatando a rir, e saiu para pegar um macarrão.

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