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Canções de um Sourdough

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Canções de um Sourdough

Capítulo 8 · Canções de um Sourdough

A Canção Do Escravo Assalariado

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A CANÇÃO DO ESCRAVO ASSALARIADO

Quando o longo, longo dia acabar, e o Grande Patrão me der meu pagamento,
Espero que não seja fogo do inferno, como dizem alguns pastores.
E espero que não seja o céu, com alguns pastores que conheci —
Tudo o que quero é apenas silêncio, apenas descansar e esquecer.
Olha meu rosto, sulcado de labuta; olha minhas mãos calejadas;
Mestre, cumpri Tua ordem, trabalhei em Tuas muitas terras —
Trabalhei para os pequenos senhores, barrigudos são eles, e ricos;
Fiz-lhes a vontade por uma diária, e morro como cão numa
vala.
Usei a força que Tu me deste, Tu sabes que não me furtei;
Sessenta anos de trabalho — Teu seja o labor do longo dia.
E agora, Grande Mestre, estou quebrado, curvado, torcido e marcado,
Mas conservei meu posto, e Tu o sabes, e não me julgarás
com dureza.
Tu sabes que meus pecados são muitos, e muitas vezes fiz papel de tolo —
Uísque, cartas e mulheres fizeram de mim instrumento do diabo.
Eu era como criança com dinheiro: lancei-o fora com uma praga,
Banqueteando um parasita adulador, ou enchendo a bolsa de uma prostituta,
Depois de volta aos bosques, arrependido, de volta ao moinho ou à mina,
Eu, trabalhador dos trabalhadores, capaz de tudo no meu ramo.
Tudo o que fosse duro, menos trabalho de cabeça (não tinha mais miolos que um menino),
Um bruto com força bruta para labutar, fazendo o que me mandavam;
Vivendo em acampamentos com homens, vida solitária e sem amor;
Jamais conheci beijo de namorada, jamais carinho de esposa.
Um bruto com força bruta para labutar, e elas tão acima estavam —
Contudo eu teria ido alegre à forca por um pequeno olhar de Amor.
Eu, com a força de dois homens, selvagem, tímido e bravio —
Contudo, como teria guardado uma mulher, e o doce, quente beijo de uma criança.
Bem, este é Teu mundo, e Tu o sabes. Blasfemo, e meus modos são
rudes;
Mas vivi minha vida como a encontrei, e fiz o possível para ser bom;
Eu, o trabalhador primitivo, meio nu, e sujo até os olhos,
Suando fundo em suas valas, chafurdando cru em seus chiqueiros,
Derrubando florestas diante de mim, lançando pontes sobre ribeiros tumultuosos;
Lá embaixo na vala, erguendo acima de mim palácios mais belos que sonhos;
Furando a rocha até o veio de minério, abrindo a estrada através do pântano,
Resoluto, mudo, sem queixa, um homem num mundo de homens.
Mestre, cumpri meu contrato, trabalhei em Tuas muitas terras;
Não por meus pecados me julgarás, mas pelo trabalho de minhas mãos.
Mestre, cumpri Tua ordem, e a luz se apaga no poente,
E o longo, longo turno terminou... Mestre, eu o mereci — Descanso.

SORRIA

Se estás contra um brutamontes e apanhas de todo lado —
Sorria.
Se te sentes bem grogue, e estás vencido sem dúvida —
Sorria.
Não deixes que ele veja teu medo, mostra-lhe a cada pancada,
Embora teu rosto esteja moído em polpa, teu coração, bendito, é valente;
Fica firme sobre as pernas até o miserável te pôr fora de combate —
E sorria.

Esta vida é uma maldita batalha, e o mesmo conselho vale,
De sorrir.
Se estás em maus lençóis, então é só mais uma contra ti,
Portanto sorri.
Se o futuro é negro como trovão, não deixes que vejam tua tristeza;
Cultiva apenas um sorriso de ferro, alegre o dia inteiro;
Se te chamarem “Pequeno Raio de Sol”, deseja que _eles_ também não tenham problemas —
Podes — sorrir.

Canções de um Sourdough

Sinopse

Coletânea poética de Robert W. Service sobre o Yukon, a vida de fronteira, a solidão, a aventura e os homens atraídos pelo Norte, em tradução literária para português do Brasil.

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