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Canções de um Sourdough

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Canções de um Sourdough

Capítulo 17 · Canções de um Sourdough

* * * * *

17 de 20 ≈ 4 min de leitura

Vê o passo soturno, alto coroado de neve,
Onde afegãos se encolhem com olhos de ódio reluzente.
Arremessa-se contra o inimigo oculto.
Tentam reagrupar-se — ah, tarde demais, tarde demais!
De novo, indefeso, com olhos ferozes que aguardam
A morte, ele se ergue, como touro provocado e acuado,
E afronta os bôeres, naquele dia louco de Majuba.

Vê outra vez o Sudão assassino,
Saciado de sangue e varrido pela rapina. Parece estar
Sobre a planície sangrenta de Omdurman.
Então Magersfontein, e o comando supremo
Sobre seus Highlanders. Para apertar-lhe a mão
Um rei se orgulha, e príncipes o chamam amigo,
E a glória coroa-lhe a vida — e agora o fim.

O fim terrível. Seus olhos se escurecem de destino;
Ouve o estilhaço dos obuses guinchar sobre a cabeça:
Vê as fileiras devastadas, a treva golpeada de fogo.
Oh, ter caído! O campo de batalha por leito,
Com Wauchope e seus gloriosos irmãos mortos.
Por que foi poupado para isto, para isto? E agora
Ele ergue o revólver até a fronte.

* * * * *

Em muita casa das Highlands, em moldura de arte rude,
Encontrarás seu retrato, tosco, severo e quadrado:
Está gravado no coração do felá de Fuyam;
O gurkha o lê em sua prece da tarde;
As terras brutas o conhecem, onde os sóis ferozes fulgem;
O dervixe o teme. Honra ao seu nome,
Que mantém erguido o escudo da fama da Inglaterra.

Chorai por nosso herói, homens da raça do Norte!
Não conhecemos seu pecado; sabemos apenas
Que sua espada era afiada. Riu da morte face a face,
E desferiu, por causa do Império, um golpe de gigante.
Seu braço era forte. Ah! bem o aprenderam os inimigos.
O eco de seus feitos ainda ressoa,
Há de ressoar para sempre. Todo o mais... deixemos esquecer.

A MULHER E O ANJO

Um anjo cansou-se do céu, enquanto se espreguiçava na rua de ouro;
Sua auréola pendia de lado, e sua harpa jazia muda a seus pés;
Então o Mestre inclinou-se, em Sua piedade, e deu-lhe licença para ir,
Pelo espaço de uma lua, ao mundo da terra, misturar-se aos homens lá embaixo.

Despiu suas vestes celestes, mal se detendo para deixá-las em ordem;
Despediu-se de Pedro, que estava junto ao portão de ouro;
Os cantores sem sexo do céu entoaram um terno adeus,
E os diabretes olharam para cima, correndo pelas lajes rubras do inferno.

Jamais se viu anjo igual: olhos de azul celestial,
Feições que envergonhavam Apolo, cabelos de matiz dourado;
As mulheres simplesmente o adoravam, seus lábios eram como o arco de Cupido;
Mas nunca ousou usá-los — e por isso o julgaram lerdo.

Até que enfim veio Uma Mulher, maravilha de formosura,
E sussurrou-lhe: “Tu me amas?” E ele respondeu àquela
mulher: “Sim.”
E ela disse: “Põe os braços em torno de mim, beija-me, segura-me — assim —”
Mas ele recuou com ardor, dizendo: “Isto é errado, e eu sei.”

Então docemente ela zombou de seus escrúpulos, e suavemente o enfeitiçou:
“Tu, que és verdadeiramente homem entre homens, falas com língua de criança.
Nós já superamos os velhos padrões; rebentamos, como uma
correia apertada demais,
As antigas, gastas, puritanas tradições do Certo e do Errado.”

Então o Mestre temeu por Seu anjo, e chamou-o de novo a Seu lado,
Pois oh, a mulher era prodigiosa, e oh, o anjo foi provado.
E, no fundo de seu inferno, cantou o Diabo, e era este o tom de sua
canção:
“As antigas, gastas, puritanas tradições do Certo e do Errado.”

A RIMA DOS INQUIETOS

Não conseguíamos sentar e estudar direito;
A estagnação de um banco não podíamos suportar;
Pois nosso sangue turbulento fervia, e não precisávamos de muito estímulo
Para excitações e excessos que são proibidos.
Então nos entregamos ao vinho, à bebida e a outras coisas,
E o diabo em nós lutou para ser livre;
Até que nossos amigos se ergueram em ira, e apontaram o caminho,
E pagaram nossas dívidas e nos despacharam pelo mar.

Oh, sacudiram-nos de si e nos embarcaram para além da espuma,
Para as terras maiores que seduzem o homem a vagar;
E aceitamos a chance que nos deram
De uma cova distante e estrangeira,
E dissemos adeus para sempre ao lar.

Canções de um Sourdough

Sinopse

Coletânea poética de Robert W. Service sobre o Yukon, a vida de fronteira, a solidão, a aventura e os homens atraídos pelo Norte, em tradução literária para português do Brasil.

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