Universo da obra
Universo da obra
A cerimônia, em capela particular, não teve pompa: poucos carros. Laura, por um sentimento de delicado pudor, para não dar margem aos comentários da maledicência, exigira núpcias modestas. Não houve banquete; apenas algumas senhoras e cavalheiros de alta estima saudaram os noivos em convívio íntimo. Às onze da noite, já a cidade dormia, partiram em carro fechado para o retiro nupcial que ele forrara de peles moles e ornara de móveis antigos, na praia de Botafogo. Correram meses de amor fremente: mal se apartavam, sempre enlaçados, olhos nos olhos, lábios nos lábios; nem sentiam a passagem das horas rápidas e entre eles a pequena crescia gárrula e traquinas, entrecortando os colóquios amáveis com os seus tartareios ingênuos.
Mas amortecendo pela fadiga a ânsia lúbrica, foram desaparecendo os disfarces e a intimidade estreita pôs em claro o fictício: os caracteres acentuaram-se. Laura, como derreada, amolecia em sestas prolongadas, indiferente à filha que caminhava pela casa, os bracinhos abertos, tartamuda e trôpega. Sempre amuada, melancólica, queixosa, procurava a solidão para evitar encontros com os criados, com os quais andava em rusgas constantes, despedindo-os, posto que, em dias de garrulice, tomasse-os para confidentes contando-lhes sonhos que tivera, interrogando-os sobre os vizinhos intimamente, como de igual para igual. Às vezes, porém, frenesis súbitos sacudiam-na toda em choques de ira: chorava, recolhia-se aos seus aposentos e, se o marido subia a procurá-la, recebia-o mal, deixando-o sem resposta, reclinada no divã, o rosto na palma da mão, balouçando nervosamente a perna, o olhar errante, cheio de cismas, fulgurando em ódio. Leituras despertaram-lhe ideias líricas. Impressionável, delicada, parecia sofrer e amar com os seus poetas, transportando-se espiritualmente aos lugares que eles descreviam: lagos d'águas alvadias prateadas pelo luar; castelos em cúspides de rochas donde fugiam arpejos brandos de sonatas; balcões enflorados de rosas e de madre silvas; e com os olhos úmidos, ebria do eflúvio que se desprendia dos versos apaixonados, sentava-se à escrevaninha de pau-rosa compondo estrofes banais de rimas frágeis sobre estrelas e flores. Traduzia Musset, imaginava romances, dramas nos quais pudesse recapitular transes de sua vida. Deixava-se surpreender pelo marido e amarfanhava o papel quando fingia percebê-lo, não tanto que ele não pudesse ler os seus escritos, e de olhos baixos, brincando com a pena, desculpava-se: «Que sonhara aquilo.» Jorge, a princípio, aplaudia encorajando, com palavras encomiásticas, a sua Musa delicada; por fim deu em passar indiferente, se a via debruçada sobre o papel, a fronte nas mãos, como em meditação. Por isso, talvez, a lira foi esquecida; os livros dormiam fechados nas estantes. Dedicou-se ao canto com afã: romanças languorosamente gorgeiadas ao piano, árias de óperas, barcarolas sentimentais. Compôs, procurando imitar a dolência apaixonada de Chopin, e um dia, farta de isolamento, agarrou-se ao marido lembrando-lhe a vantagem de abrirem os salões de quando em quando, mesmo para que ela tivesse uma preocupação que a levantasse daquela indolência inerte em que vivia. Jorge cedeu, e Laura, esplendidamente decotada, rútila de joias, com a graça senhoril de uma solariega, surgiu no esplendor da sala, assistida pelos galanteios, seguida pela inveja cruel que os olhos femininos mal podiam disfarçar ao verem-na triunfando. Ele carteava o voltarete enquanto a mulher, em airoso caminhar, passava de grupo em grupo, espargindo frases de espírito, comentando fatos antes que os acordes do piano fizessem calar os murmurinhos para que se ouvisse o pianista clássico ou a voz modulada de uma amadora célebre. Começaram, porém, as vozes da inveja denunciando escândalos de Laura com um sextanista, Miguel de Pina, que a cortejava com exageros de galanteria, procurando-a, de preferência, para as valsas ou debruçando-se ao piano, embevecido e terno, quando ela executava. Jorge, sem dar ouvidos a comentários, olhava apaixonadamente a esposa quando ela passava, nos braços do estudante, célere, lânguida, girando como uma wilis de lenda, até que um dia, como procurasse na escrevaninha certo papel que confiara à mulher, achou uma linda folha de velino apertando um cravo murcho, onde o doutorando, com uma letra miúda e fina, em frases inçadas de preciosismos, descrevia a tormenta de amor que o vitimava, roubando-lhe o sono e a tranquilidade, tornando-o indiferente aos livros porque, através de tudo, nas aulas, nos anfiteatros, diante dos leitos de morte, no hospital, tinha-a sempre ante os olhos perturbadoramente. E rematava com um rosário de versos alambicados, comparando-a à amada de Petrarca, mais formosa, ainda assim, do que a formosa madonna. Jorge sopitou a fúria do ciúme. Dobrou vagarosamente a carta e guardou-a na gavetinha onde a encontrara e, como se quisesse ler na fisionomia da esposa a denuncia do crime torpe, entrou na alcova lentamente para surpreendê-la. Laura dormia, um braço estirado no travesseiro, os cabelos soltos em vagas de ouro alastrando as rendas. Seu corpo olímpico acusava-se em relevos sensuais, sob as colchas. A boca aberta, rosas nas faces brancas, os cílios longos, curvos, aconchegados, o colo alto e forte, arfando docemente. Jorge quedou contemplando-a e, por todo castigo, curvou-se, afastou-lhe carinhosamente os cabelos da fronte e beijou-a. Mas no seu coração entrara o germe agudo dos ciúmes. Passava longas horas solitário, pensando, imaginando a mulher toda em ânsias loucas, nua, entregando-se impudicamente nos braços do doutorando. Via-a, ouvia-a, sentindo a dor pungente dessa ingratidão e dessa desonra e, para afugentar a visão cruel, erguia-se, passeava brincando com a pequena Sara, que vivia refugiada nas saias de Bá, a velha negra estéril, ama de Laura, ama de Sara, escrava ainda, posto que a menina vivesse a pedir para ela a carta de liberdade, rejeitando ofertas de presentes que lhe fazia Jorge, insistente, pertinaz, chorosa: «Quero a carta de Bá! Quero a carta de Bá!» E a negra, com lágrimas, tomava-a ao colo, beijava-a. Sara fugia à mãe e, se Jorge chamava-a, estendia-lhe os braços, ávida de carinhos, com tremores e sustos quando sentia os passos de Laura, que a repelia a pretexto de que a criança cheirava a gorduras por não deixar as negras, vivendo como uma escrava, sempre encafuada na cozinha. Jorge afagava-a, beijava-a, distraía-se com ela. Um dia, entrando em casa, ouviu gritos agudíssimos, vozeria, lamentos. Precipitou-se. Na sala de jantar Bá, a velha negra, ajoelhada, a fronte escorrendo sangue, segurava um ferro de engomar que Laura puxava bradando: que o deixasse. Sarita, os bracinhos passados pelo pescoço da ama, batia os pés, sapateando, o rosto molhado de lágrimas, as mãozinhas manchadas de sangue, revoltada contra a mãe: «Má! Má! Deixa Bá! Não lhe batas! Não lhe batas! Tem pena dela!» Criados intervinham e todos ficaram imóveis, pasmados, quando Jorge surgiu à porta. Avançou interrogando, o sobrolho franzido. Laura, longe de responder, acesa em ira, bradava:
— Que aquela negra não lhe ficava mais uma hora em casa! Vendesse-a. Não, que não havia de ter ali outra senhora. Isso não! Vendesse-a! Vendesse-a!
Mas Sarita, em soluços, pedia:
— Não! Não! Não, mamãe...
Bá, não!
Bá, não, mamãe. Não, paizinho!
E, atracando-se às pernas de Jorge, os olhinhos lacrimosos, pediu:
— Bá, não, paizinho! Sim?
E a negra, limpando a fronte com o avental, mal articulou palavras de defesa:
— Ela mesma não sabia por que se zangara nhanhá Laura a ponto de lhe atirar com um ferro à cabeça. Não sabia.
E, como Laura investisse, os punhos fechados, irada, gritando: «Que se calasse! Que se calasse!» Jorge tomou-a delicadamente pelo braço observando em segredo:
— Que olhasse, ao menos, os criados que ali estavam testemunhando aquela cena ridícula.
E, para acalmá-la, comprometeu-se a vender a negra, certo de que, horas depois, tudo estaria sanado e Laura, sempre versátil, andaria com presentes e abraços, confidências e promessas, procurando readquirir as boas graças da escrava. Efetivamente, na manhã seguinte Laura, ainda no leito, fez subir a ama e chorosa, arrependida, limpando os olhos, pediu-lhe perdão do que fizera, levando tudo à conta dos seus nervos irritadiços:
— Ela bem conhecia o seu coração. Não dormira com remorso da brutalidade que cometera, do desrespeito porque, enfim, Bá era a sua verdadeira mãe, que a outra ela mal conhecera.
A negra, sensível, recordou as longas vigílias que fizera com ela pequenina ao colo, passeando de um para outro lado, a cantarolar para adormecê-la. E toda a sua infância, os prazeres e infortúnios da sua vida até aquele dia; e sentida custou a perdoar-lhe, não tanto pela maldade de a haver ferido, principalmente pelas palavras duras que lhe havia atirado na sala, à vista dos criados, porque não se importava que ela ralhasse, mesmo que lhe batesse, mas não diante dos outros que lhe perdiam o respeito.
Sarita, rancorosa, fugia aos carinhos maternais, resmungando, repelindo Laura com safanões atrevidos quando ela a procurava; mas lentamente a calma foi voltando à casa.
Jorge, como se o ciúme acendesse maior ardência no seu coração, sentia-se, a mais e mais, apaixonado pela mulher, não espiritualmente, sensualmente, amando-a pela carne, pela carne moça que ressumava volúpia, carne que outros olhos cubiçavam e que ele somente possuía para todas as horas, sua sempre, sempre cativa dos seus braços. Procurava-a e, meigo, seduzia-a para o jardim onde ficavam em colóquios, como dois namorados, longas e esquecidas horas, trocando beijos, fantasiando o futuro. Laura, porém, entediada com a felicidade doméstica, monótona, feita sempre com as mesmas frases, entre as mesmas paredes, sonhava lúbricos enleios e, nos braços do marido, lânguida, o seu pensamento adulterava o amor: recebia os beijos friamente, sem os antigos frêmitos que lhe afloravam a epiderme, sem o alucinado delírio que lhe regelava a carne. Deu em sair, a pretexto de provar vestidos, de tratar os dentes. Recolhia-se tarde, mole, impertinente, exausta, encerrando-se para que lhe não falassem, para que a não vissem. Exigia toilettes, joias, queixando-se da pobreza de seus vestidos, que até a envergonhavam quando saía à rua. Contas apareceram; caixeiros de fornecedores encontravam-se no portão, aos dois, aos três por dia e, como Jorge procurasse, por meios brandos, persuadi-la de que as despesas iam-se tornando excessivas, Laura lamentou o engenheiro, pobre, em verdade, mas franco, satisfazendo-lhe todos os caprichos, incapaz de vexá-la com insinuações. Por fim, já extenuada, deixava-se estar no leito gemendo com enxaquecas e exigia médicos, lastimando-se da vida que levava: quase sempre na cama e abandonada de todos, que pareciam evitá-la como se a vissem lázara.
Jorge dobrava de solicitude. Longas noites, sentado à sua cabeceira modorrava, acordando em sobresalto ao mínimo movimento da mulher para indagar «se sentia alguma coisa». Tomava-lhe o pulso, buscava-lhe o termômetro e ela, com gemidos de rola saudosa, paciente, compassiva, pedia-lhe: «Que se fosse deitar; ele não podia perder noites, era fraco. Que se fosse deitar; deixasse-a; se precisasse chamava-o.» Ele negava-se, permanecendo até o amanhecer a seu lado, acompanhando-lhe o sono que, às vezes, durava até tarde, tranquilo e brando como o de uma criança. Os médicos revezavam-se. Sempre que um novo clínico aparecia Laura, discorrendo prolixamente, com abundância de termos técnicos, colhidos a esmo em leituras truncadas e em palestras, expunha a sua moléstia com uma presunção científica que, muitas vezes, fazia sorrir o médico e ao marido dizia, depois da consulta, com um pequenino ar de surpresa — que o doutor pasmara da sua erudição médica, perguntando-lhe, ao sair — «se a colega havia cursado academias». Eram, porém, de pouca duração os entusiasmos, aborrecia o médico porque a refutara; chamava-o de «atrasado, de imbecil, de retrógrado; que vivia ainda aferrado aos velhos sistemas, desconhecendo inteiramente os progressos da ciência.» Jorge deixava-a falar cedendo, sem relutância, às imposições até que um dia, como se sentisse de repente invadida por um grande frio, atirando-se-lhe aos braços, soluçando: «Que a não deixasse morrer; que a levasse à Europa onde viviam os mestres da ciência,» ele, complacente, apiedado, tranquilizou-a, prometendo satisfazê-la, e já se falava na viagem, com grande repugnância de Bá, que tinha horror ao mar, quando, uma tarde, entrando inesperadamente na alcova, Jorge viu o seu leito maculado por um dos amigos mais íntimos, Jerônimo Treves, contemporâneo de Academia, considerado, em casa, como da família. Estacou à porta, hirto, a tremer. Encheram-se-lhe os olhos d'água e só um grito escapou-se-lhe da boca escancarada: «Laura!» e caiu como fulminado. Toda uma semana esteve em febre delirante, entre a vida e a morte, com raras intermitências de lucidez.
Bá e Sarita não o abandonavam, e quando a calma lhe foi voltando corria os olhos tristes e fundos pelas pessoas presentes, como se procurasse alguém que ali faltava. Fugiam de pronunciar diante dele o nome de Laura, os médicos haviam proibido toda referência. Uma noite, porém, já em convalescença, ele chamou para perto do leito a menina, que o não deixava, e afagando-lhe a cabecinha loura, perguntou baixinho pela mãe. Sara estremeceu, mirou-o espantada, e os olhinhos meigos foram-se-lhe enchendo de lágrimas; baixou a cabeça a soluçar e atirou-se-lhe aos braços amimando-o, como se quisesse demonstrar que ela ali ficara para compensá-lo da ingratidão da mãe. Laura partiu na mesma noite levando as joias, mandando apenas, no dia seguinte, buscar as suas bagagens.
Jorge, resignado, passeava pela casa martirizando-se com visitas aos aposentos desertos da mulher, onde ficara o aroma dos seus cosméticos e dos seus perfumes como uma saudade voluptuosa. Meses depois, em uma carta escrita de Paris, Laura pedia-lhe perdão do crime, atribuindo-o à moléstia que a dominava, «essa implacável neurose que ele bem conhecia», e acusava Jerônimo Treves que, «saciado, deixara-a abandonada, na miséria, entre estranhos, em uma cidade sem misericórdia.» Falava das noites sem agasalho em pleno inverno gelado, na solidão e, mais do que tudo, no remorso que a minava, arrastando-a fatalmente à morte se ele não se resolvesse a perdoá-la. «Era uma louca, ele que a encarcerasse numa casa de saúde que ela ainda o bendiria, mas que a não deixasse morrer antes de ter ouvido dos seus lábios a palavra de perdão, antes de ter beijado a filha.» Jorge, apesar dos conselhos dos amigos, bem que não amasse a mulher, como jurava, escreveu mandando-lhe ordens para que voltasse; e uma noite, trabalhava no seu gabinete, quando lhe anunciaram duas senhoras. Levantou-se para recebê-las, antes, porém, de chegar à porta, um grito agudo fê-lo estremecer e, quase no mesmo instante, como se tivesse irrompido da sombra, Laura caiu-lhe aos pés, ajoelhada, beijando-lhe as mãos, molhando-as de lágrimas, e suspendendo o véu «pediu-lhe que a olhasse, que visse pela devastação do seu rosto envelhecido quanto havia sofrido, quanto havia chorado.» Levantou-a com bondade, conduziu-a ao gabinete, convidando igualmente a senhora que a acompanhava. Sentaram-se e ele, depois de ouvi-la, não a recriminou, evitando generosamente tocar no fato que os havia desligado, mas como Laura pedisse para ver a filha, Jorge, mal disfarçando a emoção, disse-lhe baixinho: «Mais tarde, minha senhora... Quero poupar-lhe uma agonia...» Ela arquejou: «E Bá?» Jorge, sem dizer palavra, levantou-se e saiu ao corredor. Pouco depois a velha negra entrava, soluçando, os braços abertos e, como visse o rosto desfigurado de Laura, prorrompeu num grande choro:
— Minha filha... Ah! Meu Deus! Coitada de nhanhã!
E as duas abraçadas soluçaram...
Quando a negra saiu houve um grande silêncio comovido. Laura interrompeu-o para pedir a Jorge «que a protegesse, que a não deixasse ao abandono, era um cadáver digno de dó...» E tossia abafando a boca com um lenço. Ele estendeu-lhe a mão sem uma palavra, mas com os olhos cheios de misericórdia. E conduziu-a à porta. Do jardim, como ela levantasse os olhos, viu uma janela iluminada:
— É ali que ela dorme?
E, como o esposo afirmasse, pôs-se a atirar beijos, caminhando sempre com o rosto voltado para não perder de vista as persianas que coavam a claridade. A tuberculose prostrou-a, apesar dos cuidados de Jorge, que se desvelava nessa «obra de piedade».
Já na agonia implorava a presença da filha, «queria vê-la para que ela lhe perdoasse.» Sarita, a instâncias do padrasto, acompanhou-o até junto do leito da enferma, e, apesar da enérgica vontade, entrando no quarto em que Laura jazia inerte, apenas com um resto de luz nos olhos febris, pálida, os cabelos branqueando, os ossos à flor da pele, não pôde dominar o coração e a moribunda sorriu, vendo os olhos da filha, já adolescente e formosa, marejados de lágrimas. Branda, fraca, tomou-lhe uma das mãos, chegou-a aos lábios secos e volveu os olhos súplices fitando-a com enternecimento. Sara caiu de joelhos comovida e, como entrassem com duas velas no quarto, Jorge ajoelhou-se também trêmulo, pálido, tomando uma das mãos alvas da mulher que expirava sorrindo. De então, esquecendo o mundo, dedicou-se exclusivamente à educação de Sara, vendo-a crescer em graça e em inteligência, linda e meiga: menina, flor púbere, mulher, sempre sob o desvelo dos seus olhos, sempre sob a tutela amorosa de Bá, que, às vezes, olhando-a, desatava a chorar, calando o segredo do seu pranto, que só baixinho murmurava: «Está ficando o retrato da nhanhã.»
Leia gratuitamente Inverno em Flor, romance de Coelho Neto publicado originalmente em 1897. Esta edição em PT-BR moderno foi preparada a partir do fac-símile público da segunda edição de 1912, preservado pelo Wikimedia Commons, com 24 capítulos, restauração editorial, capa nova no padrão Literúnico e acesso integral no Aurora.
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