#desafio 365 dias
Dia 47 - Retalhos
Porque algumas pessoas têm o dom de tornar o mundo mais confuso, mesmo que não queiram. Era, justamente, o que eu tentava, sem sucesso, explicitar, quando encontrei mais ou menos isto confidencialmente perdido em uma rede social.
Claro que minha veia de escritora não me deixaria apresentar a frase como se fosse minha, mas também não seria justo recitá-la assim, como se exprimir o que eu sentia nas exatas palavras não fosse mérito meu.
Engraçado que eu, até ontem, transcendia, em poesia, o que era segredo. Uma forma de revelar-me em palavras que se fingiam endereçadas a todos que as lessem, quando, na verdade, havia um só destinatário. Eu escolhia os códigos e me esquecia em questionamentos se você os compreenderia.
Eu ria sozinha, imaginando situações prováveis, quando você perceberia, numa palavra-espelho, o seu rosto. Mas pra que pressa? Eu despedaçava o espelho em metáforas mil, para que seu trabalho de juntar os cacos se tornasse mais infértil e você desistisse. Afinal eu queria um mundo simples.
E sempre havia um quê de voz na minha apreensão, quando conversávamos. E essa frase também não é minha, porque o que me resta dizer, se o segredo já não há? A poesia sempre me foi dizer o que era preciso ser deixado no quase esquecimento. Quase. Quase porque uma lembrança, com um resquício de vida, ainda brinca por aqui.
O mais importante era que eu sou uma casa de cômodos repetidos. O poeta da rede social, de quem roubei os versos, que me desculpe, mas tudo que eu fizera, tudo que eu dissera, só havia significado uma coisa e uma coisa apenas. E eu não tenho como dizer isto melhor.
Últimas respostas
Profunda reflexão! Sempre, ainda quando era apenas leitora, ficava imaginando quanto do poeta havia em seus textos? Ou quantos textos, seria capaz de simular o poeta? A verdade que hoje, como poeta, ainda me questiono se sou interpretada da mesma maneira! E me divirto imaginando, que em meus textos, também o leitor me veja interpretando o que descrevo. 😅🙃❤️
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