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#Desafio dos 365 dias, dia 23:

"A corda torceu a pele do pulso ao puxar os braços para cima, a dor quente da fricção quase imperceptível perto da dor aguda e contínua no ombro torcido. Os pés queriam deslizar no chão gelado, ignorando o esforço que Aleixo fazia para se manter em pé. A água gelada escorria do pano molhado enfiado na garganta para evitar os gritos e cristalizava na barba pelo contato com o ar gelado do inverno que entrava pela janela. O inquisidor não se importava, estava enrolado em um grosso casaco com peles."

O conto "Me perdoe, padre" foi publicado na antologia "Os Horrores da Inquisição", da editora Cartola.

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#Desafio dos 365 dias, dia 22:

Já imaginou como seria se o Grilo Falante vivesse nos dias atuais? Eu já.

"Meus lábios se aqueceram com o café e o gosto amargo encheu minha boca e alma. Em todos os longos anos nesse corpo novo, gerações e gerações de homens e mulheres, o café era o único amor que sempre me acompanhava, desde lá do velho mundo até aqui. Dei uma mordida no pão de queijo – e esse amor era novo – e observei Samanta com carinho.
— Amiga, espera. — Engoli apressado para aproveitar a pausa. — Como você vai investir todo esse dinheiro? De onde ele saiu?
— Ah, Grilo, eu vou pegar um empréstimo.
— Samanta, você ainda nem terminou de pagar aquele treinamento que você fez! — A voz de Bruna se mantinha doce, mesmo com a bronca. Eu havia acabado de conhecê-la, mas já gostava dela. Ela seria uma ótima consciência."

O conto "Consciência Cansada" foi publicado na antologia "Era uma vez", da editora Cartola

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#Desafio dos 365 dias, dia 21:

"— Chegou a hora da sopa de pedra! – disse Roisin, segurando os suspensórios como se o ajudassem a ficar em pé. Marino se assustou e esticou o pescoço para olhar dentro da bacia, e ali no meio da água quente estava uma pedra redonda — As algas dão um sabor intenso, Marino, o real sabor da Ilha Esmeralda.
Roisin sorriu para Marino, mostrando seu dente de ouro e coçando a barba ruiva, fazendo-o ter certeza de que aquilo era uma brincadeira com o estrangeiro. Ele olhou para Ciara, que também sorriu mas se levantou ao perceber a dúvida no olhar do amigo e encheu sua tigela. Ele a seguiu e quando se sentou novamente olhou para a sua cumbuca de madeira. Era só água quente ali. Não havia tempero ou sal, estava tudo limpo. Como isso seria o sabor da Irlanda? Ele pegou uma colher e a levou até a boca, cheio de suspeitas. Mas o que ele sentiu em sua língua foi o sabor do mar, tão indescritível quanto as ondas, tão poderoso quanto as marés."

O conto "A pedra na sopa" foi publicado na antologia Ilha Esmeralda, da editora Cartola.

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