@literunico
há 11 meses
Público
Dia 334

Fadiga

Ela não guarda, acumula.
Na visão, um vulto sem nome.
Fadiga é o corpo que recusa,
É alma que dorme com fome.

Não é dor aguda,
Nem temor, nem pranto.
É peso que nunca ajuda,
É sombras embaixo do manto.

Senta-se ao lado sem aviso,
Com cheiro do tempo vencido.
Fadiga é o gesto indeciso,
O agudo ânimo fugido.

Mesmo o riso
vem com custo.
Fadiga é o abismo,
Que nos mata de susto.

Eder B. Jr.
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@literunico
há 11 meses
Público
Você não precisa escrever como ninguém.
O mundo já tem o bastante de “cópias que vendem”.

O que falta são palavras que fazem sentir.
Livros que têm alma.
E histórias que não pedem permissão pra existir.

No Literunico, não se escreve pra ser aprovado.
Se publica pra multiplicar o dividir.

Se você carrega mundos na cabeça e verdades (ou ficções) na alma,
vem transformar isso em literatura.

A escrita não é um dom. É um incêndio.
E a gente preza por espalhar o combustível.

#EscrevaSemFiltro
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@literunico
há 11 meses
Público
#Dia 333

Desencanto

O brilho cede,
sem alarde, sem explosão.
Desencanto não fere
desvanece a ilusão.

Já foi cor, já foi vertigem,
já pulsou feito canção.
Agora é cinza que finge
não lembrar da combustão.

Não há raiva, nem lamento,
só o peso do que cessou.
Desencanto é o desalento
de quem, um dia, acreditou.

Mas mesmo ao cair da dança,
fica um traço, quase ponto.
Lembrança distante da esperança:
É a memória do Encanto.

Eder B. Jr.
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@literunico
há 11 meses
Público
#Dia 332

Fantasia

Ela não mente
Mas também não jura verdade.
Fantasia é névoa lúcida,
Realidade da liberdade.

Caminha descalça entre mundos,
Bebe do possível e do delírio.
Nem pergunta se foi profundo,
Só transborda seu martírio.

Veste mil rostos em um só espelho,
Constrói castelos no precipício
Fantasia escolhe conselho,
Pois já existe onde vê um indício.

Pode ser fuga, pode ser lume,
Pode ser máscara ou revelação.
Fantasia, visão de um perfume
Do que escancara em toda paixão.

Eder B. Jr.
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@literunico
há 11 meses
Público
#Dia 331

Renitência

Ela não se expõe,
mas se quebra em partes.
Renitência se supõe
e se comunica por artes.

Insiste onde já não cabe,
volta sem ser chamada.
É a memória que não se sabe
de uma dor reencenada.

Toda tentativa de exílio
a fortalece em segredo.
Renitência perde o brilho
Ao se vestir de medo.

É teimosa, sem piedade,
não se convence do fim.
Renitência não é saudade,
é o que insiste… ao fim!

Eder B. Jr.
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