@literunico
há 10 meses
Público
Deságua em mim
um silêncio sem margem.
Sou o leito que cede
ao toque da lembrança.

As pedras não falam,
mas guardam os gestos.
E eu, rio contido,
revivo o que escoamos.

Entre curvas e suspiros,
não fui tua nascente,
mas fui o caminho
onde tua essência nadou.

Não fazes pegadas,
mas ondas.
E toda vez que cerro os olhos,
elas me buscam,
me dobram,
nos desenham, nas almas.

Sou o som sem o ar.
Sou o fluir do molhar.
Sou o depois do ainda.
Depois.

Eder B. Jr.
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@literunico
há 10 meses
Público
#Dia 309
Rejeição

Negou-se (três vezes?) em voz sutil e decidida,
Um gesto padrão, quase distraído.
Mas fez do sim a porta recolhida,
Do afeto um fim não acolhido.

O riso emudeceu, fugiu do rosto, Restou silêncio em cada intenção. Rejeição não precisa de desgosto, Só da ausência moldando a negação.

E mesmo sem palavra ou despedida, Ela marca o chão, deixa o sinal:
O vazio de uma oferta não recebida, O peso de um desprezo sem igual.

Não foi não
e não foi dito

Fiicou no ar sem som sem volta
sem aviso
Mas caiu

Toque sem pele, o nome sem boca
O sim que morreu no antes.
O tempo que não estende fases.

Eder B. Jr.
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@literunico
há 10 meses
Público
Hoje é o Dia Mundial da Voz. E, ironicamente, também é aniversário de Charlie Chaplin.

Enquanto celebramos a importância da voz, essa ferramenta vital para a comunicação, para o afeto, para o trabalho e para a vida, lembramos que ela também precisa de cuidado, atenção e respeito. A voz é ponte, identidade, presença. É com ela que pedimos ajuda, expressamos dor, e também encantamos o mundo.

Mas Chaplin nos mostrou outra faceta da expressão: aquela que fala com o corpo, com o olhar, com a alma. Ele, que nasceu no dia 16 de abril de 1889, provou que mesmo em silêncio é possível comover multidões, sem deixar de nos lembrar como a voz é importante,.

A coincidência da data nos lembra que toda forma de expressão é valiosa, mas que a voz, quando bem cuidada, pode ser ainda mais poderosa do que imaginamos.
Em todos os sentidos!
Neste 16 de abril, cuidemos da voz. E celebremos quem nos ensina a ouvir o que não é dito.
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@literunico
há 10 meses
Público
#Dia 308

Arrebatamento

Chegou qual vendaval sem advertência,
Trazendo o fôlego em contravenção.
Desfez da calma, sua tênue resistência,
E impôs-se ao pulso tal exaltação.

O olhar perdeu-se em luz vertiginosa,
A fala cedeu à combustão do afeto.
Arrebatada a mente tumultuosa,
Qual lâmina de ardor em peito aberto.

Não fora amor, tampouco só delírio,
Mas algo entre o excesso e o esplendor.
Um êxtase que, sendo quase empírio,

Roubou uma alma e a devolveu com cor.
E ao fim, jazendo brando, exaurido
Restou-lhe apenas sombras da dor.

Eder B. Jr.
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@literunico
há 10 meses
Público
Hoje também celebramos o nascimento de Robert Walser (15 de abril de 1878), autor suíço cuja escrita singela, introspectiva e profundamente humana ainda ressoa com leitores em todo o mundo.
Com obras como Jakob von Gunten, Walser mergulha nas contradições do eu, nas margens da liberdade, e nos gestos invisíveis da existência.

Sua prosa, delicada como neve caindo, carrega uma beleza melancólica que dança entre o absurdo e o sublime — como se cada palavra fosse escrita andando, em silêncio, na beira de um mundo que só ele via.

"A liberdade é fria e bela... nunca se apaixone por ela."
Palavras que deslizam como gelo sob os pés — frágeis, fugidias, eternas.
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@literunico
há 11 meses
Público
Hoje, o mundo celebra a linguagem que dispensa tradução: a arte.

15 de abril marca o nascimento de um dos maiores gênios da humanidade, Leonardo da Vinci, e com ele, a lembrança de que criar é uma das expressões mais puras da alma humana.

Da Vinci não foi apenas um artista. Foi inventor, cientista, poeta, anatomista, músico, e muito além disso: foi curiosidade viva, olhar inquieto, mente sem limites.

A citação dele que trago para a data é:
"A pintura é uma poesia muda, e a poesia é uma pintura cega."
Leonardo da Vinci, Trattato della Pittura

Que a arte siga nos salvando em silêncio ou em grito. Que siga nos permitindo existir além da matéria. Que siga sendo o que sempre foi: essencial.

Aproveite o Dia Mundial da Arte!
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@literunico
há 11 meses
Público
"Sair de um ventre de mulher, para entrar no ventre da terra!... Eis tudo que se sabe."
Aluísio Azevedo

Hoje celebramos o nascimento de um dos mestres do Naturalismo brasileiro.
Aluísio Azevedo não apenas escreveu, ele escancarou as misérias, os desejos e as contradições humanas com um olhar nu, cru e profundamente humano.
Entre o nascimento e a morte, ele nos legou palavras que ainda nos estremecem.

Seu legado permanece vivo, como um sonho ligeiro… entre dois nadas.
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