@literunico
há 11 meses
Público
#Dia 330

Desventura

Nasceu da fenda onde o acaso tropeçou,
Filha bastarda da sorte esquecida.
Desventura, em silêncio, começou
A sussurrar ruínas à própria vida.

Não clamou justiça, nem vil redenção,
Apenas carrega o que não foi dado.
Seu nome é um sopro na contramão,
Um fado sem canto, exílio calado.

Onde a esperança ensaia o alvorecer,
Ela passa e a luz se despede.
Desventura não teme perecer,

Pois já veio do que se perde.
Por mais que tente, sem poder ver
Não conseguirá nada que enverede.

Eder B. Jr.
Abrir 2 curtidas 0 comentários
@literunico
há 11 meses
Público
#Dia 329

Desalento

Cai sem ruído,
como o vestido
que escapa do altar.
Desalento não grita,
esmorece.
É o lume que desiste de iluminar.

Nos olhos, a ausência da centelha,
no gesto, o gosto de não seguir.
Desalento não mais aconselha,
apenas deixa de insistir.

Entre a esperança e o abandono,
ocupa a fresta onde tudo hesita.
É silêncio, cão sem dono,
é vontade que já não se agita.

Não há dor explícita, nem revolta,
só um vazio
que escancara o ser.
Desalento não fecha nenhuma porta
mas esquece de aberta a manter.

Eder B. Jr.
Abrir 5 curtidas 0 comentários