@literunico
há 11 meses
Público
O tema do Livro que apoia o #desafio de hoje é:
104 - Fale sobre um livro que tenha cenas de contemplação da natureza, artística, de deuses, qualquer tipo de admiração dos personagens por algo.
#Link365TemasLivros
Abrir 1 curtidas 0 comentários
@literunico
há 11 meses
Público
#Dia 307

Frenesi

Fala alto.
Anda rápido.
Ri sem notar o riso.

Frenesi nunca espera resposta,
não escuta conselho,
não lê rodapé, nem aviso

Quer tudo.
Agora.
Com sabor de urgência
Gosto de exagero.

Das mãos, o abuso
Põe tudo pra fora
O corpo, a pungência
Desespero?

Frenesi é falta de centro,
vértice girando o arco
Visão, paladar, tato!

Onde estariam sentidos?

No fim...
Quando o ar some
e a vertigem dorme
Frenesi fica ali:
meio rindo, meio por cair
meio querendo
Tudo de novo.

Eder B. Jr.
Abrir 3 curtidas 0 comentários
@literunico
há 11 meses
Público
Dia do Hino Nacional

Vamos lá...

"Ouviram do Ipiranga as margens plácidas / De um povo heroico o brado retumbante"

Aqui parece lindo: o povo brasileiro gritando liberdade às margens do Rio Ipiranga. Só que... não foi o povo. Quem, talvez, tenha gritado, não como na pintura do quadro de Pedro Américo, independência foi Dom Pedro I, um príncipe europeu, filho do rei de Portugal. O povo mesmo? Seguiu pobre, escravizado e explorado.

Esse "povo heroico" nem sabia o que estava rolando.

"E o sol da liberdade, em raios fúlgidos / Brilhou no céu da pátria nesse instante"

Liberdade pra quem? Porque quando o Brasil virou independente de Portugal, a escravidão continuou firme e forte por mais de 60 anos. A liberdade que o hino canta aqui é uma liberdade da elite, da monarquia, dos donos de terra. Não era do povo preto, dos indígenas, nem dos pobres.

"Se o penhor dessa igualdade / Conseguimos conquistar com braço forte"

Qual igualdade? O Brasil nasceu desigual. Concentrando terra, dinheiro e poder nas mãos de poucos. O braço forte que eles falam pode ser dos bandeirantes matando índios para desbravar as terras e converter os locais ao catolicismo. Violência, não justiça social.

"Entre outras mil, és tu, Brasil, ó Pátria amada"

Beleza, amamos o Brasil. Mas o Brasil sempre foi feito pra poucos. Enquanto um canta "pátria amada", outro passa fome. Não dá pra romantizar sem encarar a verdade.

Segunda parte...

> "Deitado eternamente em berço esplêndido"

Sabe o que é esse "berço esplêndido"? É a terra rica em ouro, diamante, madeira, café, petróleo, tudo sendo explorado desde sempre. Primeiro por Portugal, depois por elite interna, depois por empresas estrangeiras. O Brasil deitado... enquanto outros vêm e levam.

"Teus risonhos, lindos campos têm mais flores"

Tem sim. Mas também tem gente sendo expulsa do campo. Tem grileiro, tem desmatamento, tem indígena sendo morto pra que o agronegócio continue ganhando bilhões.

"Verás que um filho teu não foge à luta"

Essa parte é forte. O povo brasileiro realmente luta. Mas não deveria precisar! É um chamado do poder para que, agora sim, o único momento em que o povo é lembrado, eles seja usado pelos governantes para alguma luta dos interesses dos poderosos.
O espírito de um nacionalismo sendo enraizado para uma ideia de domínio.

Nosso hino realmente foi feito para parecer lindo e emocionante, mas tenta nos enganar o tempo todo!
Que possamos superar nossos principais problemas para que em algum momento possamos voltar nossos esforços para a criação de um novo hino, mais condizente com seu povo.
Abrir 7 curtidas 1 comentários
@literunico
há 11 meses
Público
Aniversário do Junior, ontem, que nasceu no mesmo ano que eu e completou 41 anos.
Acordei com "Enrosca" na minha cabeça e vários pensamentos malucos decorrentes da música, constatações.
Primeiro, que estamos tão velhos que já passou até da fase da terceira geração poder gravar esse sucesso.
Em seguida, vem uma constatação de que fora no funk, não temos uma nova geração musical brasileira diversificada, o suficiente sequer para ter um "grande" representante gravando "Enrosca".
Falem o que for do Junior, o cara cresceu na música, ótimo instrumentista e se tornou um enorme sucesso.
E a MPB está congelada, das músicas românticas, passando pelo Rock, até o samba. Onde está a nova geração musical explodindo com o potencial das redes sociais, além dos MC diminutivos de alguma coisa exótica?
Então, foi só um desabafo mesmo, de quem está percebendo a mudança dos tempos, na expectativa de não ser apenas uma constatação saudosista sem validade, como as das gerações anteriores (Que até podemos enxergar validade, agora!)
Abrir 4 curtidas 2 comentários
@literunico
há 11 meses
Público
Escuta…

Teu corpo não me interessa inteiro...
Me interessa em pedaços.

Na curva distraída do pescoço,
No canto da boca que hesita,
Na dobra do pensamento
Antes de virar palavra.

Me interessa a demora dos teus gestos,
O tropeço nos teus olhos,
O deslize quase sem querer
Da tua pele chamando a minha.

Não me excita o fácil.
Me excita o quase.
O que escapa.
O que se prende no ar.

Me excita tua pressa contida,
teu desejo domesticado,
Sua vontade intensa demais
Pra ser mentira.

Eu não te quero urgente.
Eu te quero atenta.
Inteira.
Lenta.

Mas voraz.

Porque toque tem gosto.
Porque cheiro tem memória.
Porque pele tem história.

E eu?
Eu só tento ser sua poesia
Quando mordo tua palavra
Antes de dizer teu nome.
Me mantendo fEliz.

Eder B. Jr.

#
Abrir 7 curtidas 3 comentários
@literunico
há 11 meses
Público
#Dia 306

Incredulidade

Ah.
Claro.
Mais uma promessa.
Mais um discurso
perfeito, redondo,
falso.

Incredulidade não se apressa,
não levanta a sobrancelha.
Ela observa.
Ela esvazia.

Já viu demais.
Já ouviu além do necessário.
Palavras são balões.
Estouram fácil.

Ela aprende a arte
do silêncio que morde por dentro.
Não briga,
não explode,
não acredita.

Incredulidade é muro liso,
onde discurso nenhum escala.
É o brinde não erguido,
o aplauso que não veio,
o olhar que já viu tudo.

E ri,
por dentro,
porque já sabia.

Eder B. Jr.
Abrir 3 curtidas 0 comentários