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@cassescreve há 1 ano
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#Link365TemasLivros 107 - Fale sobre um livro que tenha cerimônias religiosas. Ainda não li O Nome da Rosa de Umberto Eco, mas pela pergunta descobri que o livro aborda cerimônias religiosas dentro de um mosteiro medieval, enquanto desenrola um mistério intrigante. Por ser um romance que mistura investigação policial, filosofia e debates sobre conhecimento e poder, a trama acompanha o monge William de Baskerville, que precisa solucionar uma série de mortes suspeitas em meio a conflitos religiosos e segredos ocultos. Parece ser uma obra que une suspense, história e reflexão, tornando a leitura envolvente e cheia de camadas!
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@literunico há 1 ano
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#IdiomaMonar DICA 2 — "As Primeiras Palavras São Raízes" A LÍNGUA MONAR BROTA DE PALAVRAS FUNDADORAS Toda língua nasce de poucas palavras e essas palavras são raízes. Na MONAR, cada raiz carrega não apenas um som, mas uma história invisível. VOCABULÁRIO INICIAL MONAR EXEMPLOS DE COMBINAÇÃO MONMI → A casa da mãe (lugar de origem) VIRSOL → Ver a luz LARMI → Lugar do amor APLICAÇÃO DIRETA NA MENSAGEM CIFRADA Agora, ao olhar para: ⍃𐍒𐌷 𐍈 ⍁𐍈 𐌷𐌏 ⍁𐌹𐌴 𐍉𐌿 ⍁𐌷𐌕 Você já reconhece: 𐍈 = MON (mãe, origem) 𐍉 = FAR (pai, força) 𐌷 = SOL (luz) 𐍒 = VIR (ver) E começa a entender: Três (⍃) veem (𐍒) a luz (𐌷) As raízes não descrevem o mundo. Elas fundamentam.
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@MarU · há 1 ano
Três veem a luz A origem com a origem O sol se manifesta A força gera a luz
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@wilcipolli há 1 ano
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Não gosto de sirenes. E quem gosta? O terror do neandertal residia na possibilidade de algum indivíduo demonstrar um comportamento súbito e histérico, pois certamente o cheiro de sangue rondaria seus narizes. Desde o princípio, o sujeito — com lama nas nádegas, peles apodrecendo sobre os ombros e as mãos mais lascadas do que as pedras que tentava fazer chispa — já saía gritando e pulando ao avistar um cavaleiro igualmente fétido se aproximando para saquear a tribo. Com o tempo, esse comportamento foi substituído por alguém encarregado de alarmar a aldeia, de modo mais civilizado, mas não menos barulhento e histérico, batendo sinetas presas aos portões da comunidade. Assim, no meio da noite, todos pulavam de seus barracos e se refugiavam nas florestas, tentando escapar das invasões bárbaras. Os pais tapavam a boca das crianças que resfolegavam forte — mas o maldito cachorro não cessava seu latido, e, dessa forma, ele próprio servia de chamariz aos invasores, que, guiados pelo som do cão, encontravam a família escondida e a degolavam. Mais tarde, ainda não menos barulhentos, mas certamente mais eficientes, surgiram as sirenes antiaéreas, soando quando avistavam os terríveis aviões bombardeiros. Porque não basta a matança ser mais eficaz, nem a tecnologia evoluir absurdamente em relação aos primeiros povos — é preciso também aprimorar a técnica de agredir-nos os ouvidos e gerar pânico generalizado. Antes fosse uma sirene que causasse surdez espontânea; assim, a pessoa morreria em paz, bastaria fechar os olhos, e seria como morrer dormindo. Ao menos, não morreria ao som da sirene. Diga-me: quem se agrada ao ouvir uma sirene? Ainda hoje, ela é símbolo de ocorrência, caos e sofrimento — pois, se não for crime, é incêndio, enchente ou algum moribundo clamando por socorro
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@fksilvain há 1 ano
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O tema do Livro que apoia o #desafio de hoje é: 116 - Fale sobre um livro que tem histórias com explosões nucleares (ou vazamentos). Acho que não li nada do tipo. Então vou trocar explosão nuclear por incêndio. 🤭 Tinha a maior curiosidade de ler este livro e, infelizmente, descobri que a premissa é melhor que o romance em si. Gosto de distopias, mas algo no ritmo desta não me prendeu muito. #Link365TemasLivros
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@eduliguori há 1 ano
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Caminhando pelas hipotenusas da vida buscando cada atalho evito catetos o tal papo reto não sou arquiteto me embaralho na entrada e na saída de todos os medos aqui tem poesia curto-circuito de sons de pássaros marrons Edu Liguori
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@EscritosdeVitorHugo há 1 ano
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CASCA Veneno, corre como veneno. A peste da adultice te dizendo: "Pense assim, pense acolá!" Te impedindo de imaginar. O Embrolho, o Enruste, o injusto capitalismo. O executor de todos os sonhos, o carrasco do imaginário, a guilhotina do senso crítico. Lute, corra, procure, ache logo esse maldito túmulo, pois pra viver tem que morrer! Morre o seu espírito, morre a esperança, morre o seu eu criança. Então lute! Lute pelo seu futuro luto. Terno limpo, paletó liso, cinto apertado, bem apertado, até sobrar o que é preciso: lucro, dinheiro. E a gravata te sufocando, e o cinto te apertando, até que de você não sobre nada! E então, no final da vida, verá que pouco dela foi vivida, mas muito foi sobrevivida! Mas agora já é tarde, não dá pra voltar atrás. Agora, depois de tudo, só te restou a sua casca.
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@EscritosdeVitorHugo há 1 ano
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SOMBRA DA NOITE Mais uma entrevista, mais uma moça simpática que me disse: "Vamos entrar em contato". No entanto, a essa altura, só me resta a esperança de ao menos me avisarem do "não". Entro em casa derrotado, me encontro com a solidão, vou à sala e vejo lá minha velha poltrona. Eu me sento, apago as luzes, fecho os olhos e me lamento internamente, pois, de tão sozinho, não tinha ninguém para dizer como me sinto. O dono dessa poltrona e a esposa que ele amava se foram; o destino os tirou de mim, e agora percebo o quão inútil eu sou. E por isso, permaneço de olhos fechados, me açoitando, me cortando e me torturando, fazendo do meu corpo o inferno da minha alma. E quando me saciei da minha própria dor, abri os olhos e então eu vi. Vi, em meio à escuridão da noite, a silhueta de um homem, uma sombra. Eu não via o seu rosto, mas sentia; na verdade, eu sabia que ele estava olhando para mim, me observando, me julgando, me lembrando daquilo que eu merecia, mas meus pais é que levaram. Eu também olhava para ele fixamente. Eu estava paralisado, não conseguia mover um músculo; tudo o que conseguia era olhar. Olhar para a escuridão daquele corpo, olhar para milhares de abismos que, ao se chocarem, moldaram sua forma. Tudo o que podia fazer era sentir. Sentir o frio gélido que me congelava até que todo o quente se fosse. Só me restava ouvir. Ouvir os gritos de agonia das vidas que despencavam, se prendiam na espiral de espinhos lá de dentro do abismo. Suas peles eram rasgadas feito roupa sendo rasgada, suas carnes eram arrancadas e seus ossos triturados, feitos grãos da existência. E depois de tudo isso, só havia a inexistência. Tinha medo e desejo. Eu queria e não queria. Lá, parado e indeciso, mantive tudo escuro. E a sombra se aproximava, seus abismos me fitando, salivando, cheios de fome! E a sombra vinha, vindo, me esganava e estrangulava, seus abismos me puxavam, me jogavam nos espinhos. O ar já não sobrava. Estava perto, estava perto! A dor logo passaria! Mas o medo me alcançou, me puxou e me levou, levou de mim a minha mão, que, indo até o interruptor, finalmente ligou a luz! Não foi dessa vez que a sombra da noite me levou.
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@MarU há 1 ano
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#Desafio 115 *O amor é um absurdo* Como falar o que palavras não expressam? Que no coração aperta, silente… Talvez, no silêncio, a gente se entende… E aprende a decifrar nossos olhos, traduzir ânsias do coração, calar as angústias e deixar falar a emoção. Talvez, alma com alma, falando sem fala, possamos compreender por dentro, sem precisar verter sangue do peito. Talvez seja o jeito mais impróprio e inglório, mas é nosso jeito simplório de viver esta paixão: Com dor e ardor no coração, sem poder controlar o que a boca não fala. Sentindo, sentimos… Tentamos! Não conseguimos, apesar de nossos caminhos. O amor é um absurdo! se perguntar, eu nego tudo… Apesar do meu coração me desmentindo. MarU
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Belo poema
Lindo poema, como sempre amiga🥰! Sem dúvidas o amor é o mais complicado dos sentimentos! É um sentimento que rende poemas infinitos 😅
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@literunico há 1 ano
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O tema do Livro que apoia o #desafio de hoje é: 116 - Fale sobre um livro que tem histórias com explosões nucleares (ou vazamentos). #Link365TemasLivros
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@literunico há 1 ano
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#Dia 318 Romantismo Caminha com flores nos lábios, E tempestades no peito. Romantismo não tem lados Ama inteiro e sem jeito. Ergue castelos em sonhos, Faz do efêmero eternidade. Romantismo é a bobagem dos risonhos Instantes de fragilidade. Mas em suas nuances, Sem nem saber do que é capaz Crescem seus rompantes Desejo que não se desfaz. Onde o mundo se faz calculado, Ele entrega sem medida. Onde o medo ataca, acuado Ele contorna e entorna toda a vida. E quando vê a realidade Romantismo assoma: torna o amor a claridade, Num gesto abre a redoma Eder B. Jr.
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@Albertobusquets há 1 ano
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Petrichor (II) Chuvinha boa dessas que perfumam as janelas com os sonhos da terra e agarram-se a qualquer brisa, alçando voo além das copas das árvores para lembrá-las que, um dia, já foram chão. As gotas se lembram; as árvores, talvez não. Alberto Busquets. #Desafio 115
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@CrisRibeiro · há 1 ano
👏❤️🌹
@MarU · há 1 ano
Acho que a árvore responderia para a chuva, que suas raizes seguem cravadas na terra, nutrindo-se dela, alimentando-se dela e pedindo dia após dia, de galhos estendidos aos céus, que derramem sua chuva sobre ela e sobre suas terras. 🥰🤌👏👏🥹 Que poema lindo!
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@danielmareis há 1 ano
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Tem novidade por aqui! Tornando-se assinante, você recebe com exclusividade uma amostra do meu novo lançamento: a adaptação em áudio do meu romance Se eu pudesse me perdoar. 😍
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@MarU · há 1 ano
Parece mágica! 😍 Me inscrevi e recebi na hora o presentinho no meu direct do Literúnico. Adorei tudo, a msg, a história a voz, a criatividade, o carinho transmitido pela mensagem. Parabéns! ❤️
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@tamarasfawkes há 1 ano
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Hoje saiu um pedacinho novo ♥️ Enquanto muitos aprendem a cobrar, exigir e mesmo ameaçar o próprio Deus, aquele com "D" maiúsculo mesmo; um ser observa e balança a cabeça. Ora ri, ora estreita seus olhos negros, ora afia uma unha e mira. O que deseja (e muitas vezes faz) é que virem pó; todas as vozes se calem transformadas em poeira que o vento leva... — Escrevendo em terceira pessoa novamente, senhor? — Tentando, Lord Shiva. Ouça isso: "enquanto tramas mesquinharias, suspiro e novos mundos surgem. Como podes sequer imaginar que tua vontade tenha peso diante de mim?". Pensei em escrever 'sequer' com letras maiúsculas. — Que tal em itálico, senhor? Soaria mais como és. Elegante. Refinado. Sem exagero. Sem barulho. — Humm… A pena dançava enquanto aqueles dois seres sobrenaturais pensavam em como escrever o pergaminho. O cenário? Um escritório repleto de livros de todas as épocas e um teto com vista para um céu entre muitos, completamente estrelado. FONTE: rascunhos "EU SOU ONI" por © 𝐓𝐚𝐦𝐚𝐫𝐚 𝐒. 𝐅𝐚𝐰𝐤𝐞𝐬, 𝟐𝟎𝟐𝟓 🪶 Considere Apoiar Minha Campanha de Edição do Meu Primeiro Livro através do post fixado — ou ainda — contribuir com qualquer valor pelo Pix 71991708188 [a partir de R$2 receba um capítulo de amostra :) ]
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@tamarasfawkes · há 1 ano
Obrigada pelos comentários, pessoal 🤍
Parabéns minha cara! Tá incrível! Tô ansioso pro lançamento!
@MarU · há 1 ano
Estou amando acompanhar o desenvolvimento de “Eu sou Oni”. Gostaria de apoiá-la aqui no Literúnico! Posso sugerir algo que fiz e foi ótimo pra mim, voltado para os usuários da plataforma? Disponibilize o capitulo mencionado a um valor abaixo de R$5,00 (R$2,00 por exemplo) assim, as pessoas que quiserem ler o capítulo aqui, poderão te apoiar com recursos disponíveis na carteira da plataforma. O valor fica na sua carteira e você pode transferir pra si mesma. 🙃Se tivesse essa opção, eu teria feito agora a contribuição.
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@fksilvain há 1 ano
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O tema do Livro que apoia o #desafio de hoje é: 115 - Fale sobre um livro que tem viagens interplanetárias. Lembro de já ter indicado "Xisto no espaço", acho que "Xisto e o pássaro cósmico" ainda não. Como os anteriores, li na minha adolescência, sei que adorei e lembro pouco do enredo. 🤷🏻‍♀️ Talvez até tenha este em casa, vou procurar. #Link365TemasLivros
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@fksilvain há 1 ano
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O tema do Livro que apoia o #desafio de hoje é: 114 - Fale sobre um livro que tem sotaques! Este livro tem o meu sotaque: sotaque porto-alegrense. Do Falero só não li Vera, o último, mas ganhei de aniversário e já está na minha prateleira. Prefiro este autor nos contos e crônicas, mas claro que é impossível negar que este romance tem um imenso valor na literatura brasileira contemporânea, especialmente na literatura marginal. Curiosidade que eu já devo ter comentado: José Falero estudou na escola onde hoje dou aula, na periferia de Porto Alegre, bairro Lomba do Pinheiro (para onde me mudei recentemente). #Link365TemasLivros
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@edsonbas há 1 ano
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Acho que o “Professor” nunca havia dado aula, simplesmente se autodenominava assim. Ele apareceu um dia na cantina da faculdade e se tornou frequentador. Ficava o dia quase todo por lá, tomava café, almoçava e jantava. Não tinha nenhuma educação para comer, às vezes uma parte da comida que havia acabado de pôr na boca caía de volta no prato e na mesa, enquanto mastigava com a boca aberta e com aquele roach que subia e descia. Já conversei com ele por um bom tempo observando um fiapo de couve que estava pendurado no canto de sua boca, até cair e ficar pendurado no bolso da sua camisa. Tinha uma conversa envolvente, falava sobre tudo quanto é tipo de assunto e, embora emitisse uns assobios por causa do roach mal encaixado, conseguia prender a minha atenção. Andava mancando e levava na mão um livro escrito em alemão com um marcador de página que estava sempre na mesma posição. Gostava dos Beatles também. Um grupo considerável de pessoas, às quais chamava de “alunos”, parava para ouvi-lo. Enquanto falava, ia tomando água na pequenina tampa da garrafinha de plástico, entre uma tragada e outra num cigarro que sustentava uma torre de cinzas que nunca caía. Quando chegava no filtro, usava o finalzinho da brasa para acender o próximo cigarro. Não me lembro de tê-lo visto sem um cigarro na mão. Não bebia refrigerantes, sucos, nem bebidas alcoólicas, apenas água. De vez em quando, surgia com um esboço de alguma “invenção” sua rabiscado entre manchas de sujeira num pedaço de papel amassado e esfarrapado. Certo dia trouxe um pequeno instrumento, parecido com um compasso, que serviria para medir qualquer coisa, mediria comprimento, largura, espessura, profundidade, altura etc. Nunca explicou como funcionava. Tudo era misterioso, como se apenas ele dominasse o funcionamento daquelas coisas e o conhecimento sobre os assuntos dos quais falava. Era um “professor” que não ensinava, apenas expunha. Da última vez que conversamos, o “Professor” prometeu levar, na semana seguinte, um disco raríssimo dos Beatles que havia conseguido comprar após anos e mais anos procurando em todas as lojas, inclusive em outros países. O disco se chamaria “Cucumber Castle”. Ele nunca mais voltou à cantina, desapareceu no mundo da mesma forma que havia aparecido. Curioso sobre o tal disco raro, fui fazer uma pesquisa e descobri que, na verdade, ele não era nada raro, nem dos Beatles. Era dos Bee Gees e poderia ser comprado em qualquer loja de discos.
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