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@calorliterario_ há 1 ano
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A dor me acordou antes do sol. Não foi um chamado abrupto, desses que fazem o coração disparar no susto. Foi um toque insistente, como alguém que sabe que não deve estar ali, mas também não vai embora. De olhos ainda pesados, tentei ignorá-la. Rolei para o outro lado, puxei o cobertor, fechei os olhos com força, como se isso fosse suficiente para convencê-la de que não era bem-vinda. Mas a dor tem paciência. Sabe esperar. Sabe sussurrar no escuro até que a gente não tenha escolha a não ser escutá-la. Ela não veio do corpo. Ou talvez tenha vindo e eu só tenha aprendido a senti-la de outro jeito. Sei que estava ali, pulsando no peito, nos pensamentos, no espaço vazio ao lado. Sei que era antiga, mas também nova. Uma dor conhecida, vestida com outra roupa. Levantei. Senti o chão frio nos pés. Caminhei pela casa em silêncio, como se não quisesse perturbar as coisas que ainda dormiam. A cidade ainda não existia por completo. Havia só o silêncio, cortado aqui e ali pelo som de um carro distante, o barulho de árvore que o vento tocava. A dor caminhou comigo. Não me disse nada. Apenas ficou. E eu, em vez de expulsá-la, fiz café. Sentei-me com ela. Olhei pela janela. Esperei. A dor me acordou antes do sol. Mas eu, pela primeira vez em muito tempo, não tentei adormecê-la. Estou cansada até pra isso, mais tarde uma agenda cheia de compromissos e eu já pensando em como de desvencilhar de todos de uma única vez…. Agora aqui às 03:15 acordada com a dor.
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@wilcipolli · há 1 ano
Fiquei ansioso para descobrir qual era a dor, e no final, nem importa.
@JuNaiane · há 1 ano
🥺🫂
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@fksilvain há 1 ano
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O tema do Livro que apoia o #desafio de hoje é: 73 - Fale sobre um livro da literatura inglesa. Por mais que eu revirasse minha memória atrás de livros que li e que são de autores ingleses, não fui capaz de lembrar de mais alguém além de Shakespeare. Li Macbeth atraída pela fama de peça maldita. Gostei muito na época e não lembro nada agora (como aconteceu com muita coisa que li depois de adulta. Incrível como a leitura na infância e adolescência marca). Quem sabe seria legal reler? #Link365TemasLivros
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@josimary184 há 1 ano
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Livro: Nada além de nós - Simony Peres Uma mulher de fibra que deixa tudo para trás em busca de seus sonhos. Trata-se de um romance que se passa nas cidades de Olinda e Rio de Janeiro, da autora Simony Peres, que mora em Fortaleza e ama livros. Essa leitura chegou até mim por um grupo de Leitura Coletiva. Que grata surpresa! O livro conta a história de Lolita, a garota de Olinda, filha do prefeito e noiva de Murilo, o filho de um oponente político de seu pai. O noivo, ao saber de sua gravidez, não dá o apoio que ela esperava. Ela conhece Eduardo, um turista carioca, que está de casamento marcado com Bárbara. Ambos estão noivos, porém algo muda dentro deles que pode afetar seus compromissos e transformar suas vidas. Essa história tem tudo para dar errado. Mas a gente fica torcendo para dar certo. Até porque Lolo e Edu são apaixonantes. Sem dar spoiler, devo dizer que Lolita enfrentará grandes desafios na cidade maravilhosa. Ainda bem que ela é uma mulher forte. E a força se multiplica quando há uma nova vida em seu ventre. Uma história que prende do início ao fim. Cheinha de reviravoltas e descobertas surpreendentes. Um destaque adicional para a preocupação de Lolita com o povo de sua cidade e com as mulheres que enfrentam dificuldades de encontrar trabalho quando estão grávidas. O que mais me encantou foi a criatividade dela diante das adversidades. Ela sempre achava uma forma de resolver as situações em que se envolvia. Isso desperta em nós uma emoção boa, uma esperança de que sempre podemos buscar uma saída. É uma história leve, gostosa, ideal para quem gosta de romances onde as protagonistas não ficam esperando o príncipe na torre do castelo, em vez disso, vão atrás de seus sonhos.
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@Albertobusquets há 1 ano
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*Tragédia* Contra o ócio, trocava um quilo de "compreender" por um punhado de "ser compreendido". Nos negócios, cobrava velhos sonhos démodé que há muito havia perdido. Não lhe tiveram compaixão: chorava com arrítmico coração, protegendo seus caros poemas nas mãos. Falido. Alberto Busquets. #Desafio 075
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@omathreis há 1 ano
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Ruína A escuridão assolava a cidade. A noite consumia todo e qualquer resquício de luz, mas isso já não era surpresa. Já fazia um tempo que todos os dias eram assim: o mesmo tom deprimente, dia após dia. Havia uma única coisa que parecia mudar: a constante sensação de estar sendo observado, que aumentava a cada dia. Nas ruas desertas, onde o vento parecia sussurrar uma marcha fúnebre enquanto soprava sem rumo, aquela presença se movia com a precisão de um predador. Com passos silenciosos, deslizava como uma sombra; o som de sua respiração era quase imperceptível. Mas, dentro de sua mente, essa batalha estava longe de ser silenciosa. Era como se algo ou alguém o estivesse chamando, sussurrando palavras de ódio e desespero o tempo todo — algo que ele já não conseguia mais controlar. A essa altura, ele já não distinguia onde começava a realidade e onde terminava a loucura. Seus pensamentos sufocavam os resquícios de sanidade que ainda restavam, como uma serpente rastejando e envenenando cada indício de um sentimento bom. Essa presença o consumia de dentro para fora, mas, no fundo, ele entendia que aquilo era parte dele. Ele a ouvia o tempo todo, sussurrando palavras amargas, envenenando seus pensamentos, sempre o lembrando de sua impotência, de seus fracassos e de sua dor. “Você falhou mais uma vez!” A voz parecia vir de todas as direções, mas ele sabia exatamente de onde ela vinha. Ele sentia a presença, o peso, o veneno se infiltrando em cada fibra de sua existência, drenando sua força vital. Mas ele não se importava mais. Não podia se dar ao luxo de se importar. Ele se olhou no espelho quebrado do banheiro — um reflexo distorcido e fragmentado. O rosto que um dia lhe fora familiar agora estava irreconhecível; era apenas um espectro de si mesmo. Seus olhos, escuros e opacos, não refletiam mais esperança, apenas um vazio imenso e avassalador. “Você é um monstro!” A voz parecia se divertir com sua miséria. Ele queria gritar, mas a dor em sua garganta o impedia, como se suas cordas vocais estivessem rasgadas. Ele já não sabia mais se era ele quem controlava a presença em sua mente ou se era ela que o controlava. Ele se lembrava de tudo. De como já tinha sido feliz um dia, antes de tudo começar a desmoronar. Antes de perder tudo aquilo com que se importava. Antes de se perder. Mas, agora, nada mais importava. Nada fazia sentido. A escuridão em sua alma era tão espessa que ele já não conseguia mais ver a luz, nem um mísero feixe. Ele caminhava pelas ruas desertas, sem rumo, sem propósito. Cada passo o enterrava mais fundo em sua obsessão. Pensava em como se tornara invisível, em como as pessoas falhavam em vê-lo, em entendê-lo, em como ele, mesmo sendo apenas um reflexo do que as pessoas queriam ver, ainda se tornava um fardo para elas. Ele sabia que não seria o herói que esperavam. E, mais do que isso, não queria ser. “Eu sinto a vontade que você tem de me destruir, mas o que você não entende é que eu sou você!” Cada sussurro o desestabilizava ainda mais. Ele sabia que não havia salvação. Nada poderia curá-lo. Nada poderia tirá-lo dessa prisão que ele mesmo havia criado. Não podia mais escapar. Mas, ao mesmo tempo, sentia-se poderoso. A presença dentro dele — essa sombra, esse ódio, essa dor — era dele agora, e ninguém mais poderia tirá-la. A raiva, a vingança, o desespero — tudo isso o alimentava. Ele era o veneno que corria em suas próprias veias. Ele era a escuridão que engolia tudo ao seu redor. Quando chegou à praça central da cidade, parou e observou todo o vazio à sua frente: os prédios quebrados, os veículos abandonados, as luzes apagadas, a ausência de vida. Tudo parecia refletir o que sentia por dentro. Uma cena de destruição, de desolação completa. O vento gelado cortava seu rosto, mas ele não sentia nada. Não se importava mais. “Depois que as luzes se apagarem e a sua vida inútil chegar ao fim, eu estarei aqui. E vou me lembrar de todas as vezes em que você gritou e do quão saboroso é o seu sofrimento!” A frase ecoou em sua mente, e, pela primeira vez em muito tempo, ele sorriu. Um sorriso torto, que não chegava aos olhos. Ele sabia que estava preso em um ciclo de vingança e dor, e entendia que não havia mais como sair. Mas, de alguma forma, não queria sair. Queria que a presença o consumisse por completo, que a dor o engolisse até que não restasse mais nada. E, enquanto a cidade se afundava em silêncio e desolação, ele se entregava àquilo que havia se tornado: um eco de sua própria ruína, um reflexo distorcido de sua antiga humanidade, um monstro à espreita, pronto para devorar tudo o que ainda restava. Porque, no final, ele sabia que não se importava mais. Não poderia mais se dar ao luxo de se importar, de sentir. O monstro era ele, e ele era o monstro.
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@wilcipolli há 1 ano
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Título: Bia Fit. Eu só queria treinar em paz. Só isso. Desde que decidi participar do Campeonato Municipal de Agachamento Profundo (sim, isso existe), minha vida se resumia a duas coisas: descer e subir. Joelho flexiona, joelho estende. Nada de firula. Nada de distração. Até que ela chegou. Bia Fit. Ou pelo menos era o nome que estampava sua garrafa d’água, seu top, sua toalha, seus stories, sua existência. O problema? Bia Fit não treinava. Bia Fit performava. Ela fazia do agachamento um evento multimídia. Três takes por repetição. Um filtro para cada gota de suor. Texto motivacional, enquetes, desafios. “Cada curtida, um agachamento!” “Cada compartilhamento, uma superação!” Para mim, um inferno. Porque, enquanto ela verificava as notificações, a barra de agachamento ficava lá, parada, esquecida, como um figurante de luxo. Eu podia reclamar? Podia. Mas e se... e se eu desse a ela o que ela queria? Criei perfis fakes. Vários. A cada postagem dela, eu despejava curtidas e comentários como um algoritmo enlouquecido. "Maravilhosa!" "Inspiração!" "Rainha do agachamento!" Ela queria engajamento? Pois então. E funcionou. Funcionou bem demais. Dias depois, a academia estava vazia. Minha barra, livre. Bia Fit sumira. Foi um alívio. Treinei como nunca. Fiquei forte, veloz. Estava pronta. Então chegou o dia do campeonato. E quando anunciam a próxima competidora... Bia Fit. Com patrocínio, uniforme personalizado, um treinador particular. Fiquei em choque. Como? Como aquilo aconteceu? Foi só depois que entendi. Meus perfis fakes não a sabotaram. A impulsionaram. Ela virou um fenômeno. Tanto engajamento atraiu seguidores, que trouxeram patrocínio, que trouxeram dinheiro. Dinheiro suficiente para que ela abrisse sua própria academia. E enquanto eu me equilibrava sob o peso da barra, vendo aquela mulher agachar como se tivesse molas no joelho, caiu a ficha. Eu só queria treinar em paz. Ela queria vencer. Eu odiava a performance. Ela transformou a performance em poder. Quando anunciaram sua vitória, engoli a frustração. Aprendi uma lição? Sim. Mas antes... vou ali criar mais uns perfis fakes. Tem outra competidora que me irrita.
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@JuNaiane há 1 ano
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Todos os poemas de amor são ridículos. Não sei escrever o que não sinto Isso combina bem comigo Pois me sinto Tão... Ridículo. #desafio 79/365
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@literunico há 1 ano
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O tema do Livro que apoia o #desafio de hoje é: 75 - Fale sobre um livro da literatura africana. #Link365TemasLivros
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@literunico há 1 ano
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#Bom dia! Palavra do dia: #𝕀𝕝𝕦𝕤ã𝕠 Frase do dia: "Não há baliza racional para as belas, nem para as horrorosas ilusões, quando o amor as inventa." — Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição (1862) Datas comemorativas de hoje, 16 de março de 2025: Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas Dia Nacional do Ouvidor Dia do Agente Penitenciário Federal Dia do Médico Clínico Aniversariantes: Camilo Castelo Branco (1825-1890) Bernardo Bertolucci (1941-2018) Juca de Oliveira (1935) Bruno Barreto (1955) Alan Tudyk (1971) Victor Garber (1949)
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@dani_ln há 1 ano
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Escrever um livro é maravilhoso, mas também tem seus percalços. É como montar um quebra-cabeças gigante, com muitas peças que ainda não existem e sem saber exatamente como a imagem final vai ficar. Algumas vezes, não precisa de muito esforço para as peças se encaixarem; outras vezes, elas não se encaixam mesmo depois de "criar a peça perfeita" e continua a não se encaixar indiferente de quanta lapidação receba. Mas, quando fica pronto, é incrível.
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@CrisRibeiro há 1 ano
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#Desafio 075 A- MARge-ar ***Dedicado, com todo carinho, à amiga @MargeU Amar não é margem é mar sem fim verbo sem borda vento sem direção mas amar pode ser Marge: grito que ecoa vibra e reverbera silêncio que corta sussurra e dilacera olhos de madrugada que quebram o tempo dissolvem o ser desatam nós invisíveis o frio da noite: transcende o que não se vê é ausência que arrepia é presença sem toque ela não é simples: é poesia desfeita do verso maré que seduz onda que leva e nunca traz igual se amar é rima, Marge é metáfora: que alaga e cura naufraga e salva se espalha sem nunca cessar… o sublime que se sente como vento na mão que nunca toca mas deixa marca sopro eterno que sempre há de ficar. Cr💞s Ribeiro
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@eliz_leao · há 1 ano
Lindooo. Lindas. Meus amores.
@literunico · há 1 ano
Coisa mais incrível! 🤩
@MarU · há 1 ano
Amiiiiga! 🥹❤️ Que lindo… Não sei como consegue, mas esse seu coração gigantesco, enxerga amor em tudo. Sem palavras! Meu primeiro presente de niver chegou adiantado. 🥰🥹❤️❤️❤️ Ameeeeeei, malavilosa. Amucê 🥹🫂❤️❤️❤️
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@MarU há 1 ano
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#Desafio 75 *Cópia Falsificada* Sublima-se em mim, “Cópia falsificada”. Se julga sabedoria, Mas não passa De réplica barata, A intentar reproduzir Criatividade copiada. Não me ofende, Na verdade, Tenho pena E até, acho graça! Às vezes, Me sinto, Inclusive, lisonjeada… Pelo “bom gosto”, Admito! Apesar de ver, De forma tão clara, Em suas intenções, O instinto de piratear As minhas reproduções E se passar por mim De forma tão descarada. Na verdade, eu não ligo! A distância entre nós É a de um grande rio, E, como tal, segue correndo, Seguindo seu fluxo Em movimento frio. Um rio que não se molda, Não há cópia Que se equipare às curvas, Nem profundidade além da borda. Um rio vivo, de águas turvas, Que vai muito além De onde me veem e mostro. Sou imensidão de mistérios. Não demonstro, Mas vejo quem és de verdade. E, com naturalidade, Sigo, me abrindo Apenas com quem, Como eu, Também é de verdade. E nem preciso falar, né? Quem é de verdade já sabe! Mas, se a carapuça te serviu, Melhor rever Seus movimentos vils. Quem pensas estar a enganar, Na realidade? Apenas você. Não sabe? MarU
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@gledson489 há 1 ano
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— Moça!Ô moça! —Oi. —Tem sacolé? —Tem,sim. —De que sabor? —Tá aí na placa. —Ah tá.Vê um de laranja.Não,um de coco. —Só um instante. —Ah,pera.Traz de laranja mesmo. —Tem certeza? —Tenho,laranja. —Ok. —Quanto é? —Um real. —Tá,obrigado. —Aqui só tem oitenta. —Ué,será que perdi? —Olha no bolso,deve estar aí. —Não tô achando.Acho que perdi mesmo. —É,acontece.E aí? —A senhora não dá um desconto? —Fazer o que,já mordeu e tudo. —Desculpa,e brigado. ******** —MOÇÁ!!! —Pois não. —Vê um de chocolate. —Ainda não tá pronto. —Poxa...tem de que pronto? —Todos os outros. —Tá,então...quero um de...abacaxi. —Ok,vou buscar. —Mas o de chocolate fica pronto que horas? —Talvez,daqui a uma hora. —Legal,então vou esperar.Tchau. ******** —Tia!Tem sacolé? —Tem,menos chocolate,que tá mole ainda. —Ah,eu queria esse.Tá mole demais? —Mais uns vinte minutos,e fica pronto. —Não,deixa,vê um de abacate.Leva leite? —Todos levam. —É,porque o sacolé da rua de cima é pura água. —Aqui pode ter certeza que não. —Se o chocolate tiver um pouco duro,pode ser ele mesmo. —Não tá bom ainda. —Dá assim mesmo. —Dou mole,depois você reclama.Melhor esperar. —Abacate,então.Com leite. ******** —Ô moçaaaaaa! —Ah,é você.Vai querer o chocolate,está pronto. —Vou né.Mas me disseram que tava mole ainda. —Isso foi meia hora atrás.Já está bom. —Espera um pouco,vou ver se minha irmã vai querer também.Guarda dois. ******** —Tia,ela não vai querer não.Dá só um mesmo. —Você demorou um ano pra voltar,vendi tudo,agora não tem mais de chocolate. —Poxa,mas pedi pra guardar,era porque eu ia vim. —Se quiser,tem de leite condensado. —Não, tava na seca do de chocolate. —Agora,só amanhã. —Vou na rua de cima.Lá tem e é mais barato. ********* —Moça,traz dois sacolés,um de abacate e um de limão. —E eu?Eu também quero! —Eu divido o meu com você. —Não,porque a mãe deu dinheiro pra nós três,eu quero o meu sozinho. —Cada um te dá um pedaço,aí sobra pra comprar chiclete. —Não quero pedaço,não quero chiclete.Quero o meu sacolé. —Não acham isso feio,não?Fazer isso com sua irmã! —Ah,tia,ela nem gosta de sacolé. —Ou compram o dela,ou não vendo pra ninguém.E ainda conto pra mãe de vocês. —Tá,quer de que,chata? —De milho. —De milho eu não faço,querida. —Viu,compra o chiclete. —Deixa que ela escolhe outro. —Não,tia,não quero outro.Minha parte eu compro de doce. ********* —Moça,ainda tem sacolé? —Ué,não ia comprar na rua de cima? —Tínha mais não. —Sei,vai querer de qual sabor? —Se tiver algum chocolate perdido...
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@literunico há 1 ano
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#Dia 296 Estupefação Ela chega já sem ar, abrupta, Olhos arregalados, boca entreaberta. Estupefação é a pausa ineterupta, Onde a mente se perde, deserta. No instante que congela o tempo, Tudo ao redor perde o sentido. Estupefação é o momento Que varre certezas ao desconhecido. Não é medo, nem alegria, Mas o espanto que nos toma de assalto. Estupefação é a melodia Que leva o comum ao topo mais alto. Eder B. Jr.
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@calorliterario_ há 1 ano
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Falar não resolveria nada. As palavras não dissipariam a dor tampouco mudariam o que já se fez. Se houvesse um barquinho e um mar eu partiria sem hesitação. Deixaria para tras os ruídos as cobranças, os pesos invisíveis. Só o balanço das ondas o vento cortando o rosto o horizonte sem pressa. Navegaria até onde a terra não soubesse mais meu sobrenome até que o passado se dissolvesse como espuma na areia. Sem promessas, sem despedidas. Apenas o silêncio e a distância fazendo o que eu não consigo fazer Rota de fuga.
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@Albertobusquets há 1 ano
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Minhas vidas vão seguindo Minhas dúvidas vão sumindo Decolando da minha janela. Eu, constante, fiquei. Sempre fico, como se eu fosse o próprio ficar. Cada vez mais rijo, mais lítico, mais pedra. Não demora, agora: já já serei eu o aparante Parapeito rochoso da janela de outro ficante. E ao fim, desmoronar. Alberto Busquets. #Desafio 074
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@CrisRibeiro · há 1 ano
Quer colo?
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