Música No Ermo Canções de um Sourdough · Capítulo 13 de 20
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Música No Ermo

Fracassou, fracassou; perdeu sua chance;

Fez as coisas apenas pela metade.

A vida foi uma bela piada com ele,

E agora é hora de rir.

Ha, ha! Ele é um da Legião Perdida;

Jamais nasceu para vencer;

É pedra que rola, e isso lhe veio no osso;

É homem que não se encaixa.

MÚSICA NO ERMO

Sobre os pinheiros escuros ela vê a lua de prata,

E no oeste, toda trêmula, uma estrela;

E ouve, doce e suave, a melodia maviosa

Dos chocalhos de vacas tangendo nos campos distantes.

Quase sem forças, pois cumpriu sua lida diária,

Ela fica, triste exilada, à porta coroada de rosas,

E envia seu amor eterno com o sol

Que vai dourar a terra que ela não verá mais.

Os pinheiros graves e descarnados aprisionam seu triste olhar,

Todo imóvel o céu, e escurecendo sombriamente;

Ela sente o sopro frio dos dias queridos, mortos,

Peneirar-se entre os amieiros, espectralmente.

Oh, como as rosas tumultuam em flor!

As cortinas se movem como sob antiga dor;

Seu velho piano reluz de dentro da penumbra,

E espera, espera em vão seu toque terno.

Mas agora suas mãos, como luar, roçam as teclas

Com graça de veludo, delícia melodiosa;

E agora um triste refrão de além-mar

Vai soluçando no seio da noite.

E agora ela canta. (Ó cantora na sombra,

Dando voz a uma dor que jamais podemos exprimir,

Aqui na Distância, onde nós poucos temos espaço

Sem vergonha para mostrar nosso amor e ternura,

Nossos corações ecoarão, até não baterem mais,

Essa canção de tristeza e de pátria-mãe;

E estendida em amor imortal à praia da Inglaterra,

Um dia ela há de escutar e compreender.)

Prima-dona no passado resplendente,

Mas agora mãe que envelhece e embranquece,

Ela pensa em como mantinha um povo preso

Em encanto, e colhia os triunfos de um dia.

Vê um mar de rostos como um sonho;

Vê-se de novo rainha da canção;

Vê lábios se abrirem em êxtase, olhos cintilarem;

Canta como nunca antes cantou.

Canta uma canção bravia e doce, que pulsa de dor,

A dor acrescida da vida que transcende a arte,

Uma canção de lar, uma profunda cadência celeste,

O glorioso canto de cisne de um coração que morre.

Um vagabundo coxo vem pela linha férrea,

Cão grisalho cujo dia quase terminou:

Passa, detém-se, depois volta devagar

E escuta ali — plateia de um só.

Ela canta — sua voz dourada vem carregada de paixão,

Como quando encantava mil ouvidos ansiosos;

Ele escuta trêmulo, e ela não o sabe,

E por suas faces cavadas rolam lágrimas amargas.

Ela cessa e se cala, como se fosse rezar;

Não há som, as estrelas estão todas acesas —

Apenas um miserável que tropeça em seu caminho,

Apenas um errante soluçando na noite.

A RIMA DO HOMEM DA REMESSA

Há um cervo de quatro pontas balançando à sombra de minha cabana,

E até hoje vagueava pelo vale de veludo;

Mas segui-lhe a pista pelo rio, e rastreei-o no abrigo,

E matei-o na montanha, milhas distante.

Agora tomei minha ceia preguiçosa, e o sol raso fulgura

Na água onde brincam os salmões de prata;

E acendo meu pequeno cachimbo de sabugo, e me demoro sonhando brandamente,

No crepúsculo, com uma terra que está longe, longe.

Longe, tão tênues e distantes, estão Londres em chamas, Paris febril,

Que imagino ter alcançado outra estrela;

Longe o rumor e a pressa, longe o pecado e a inquietação,

Longe — Deus sabe que não podem estar longe demais.

Galés douradas de Mammon — como meus irmãos soberbos da bolsa me escarnecem!

Eu poderia ter sido tão remediado quanto eles

Se, como eles, agarrasse minhas chances, aprendesse sua sabedoria, esmagasse

minhas fantasias,

Fizesse minha alma passar fome e fosse aos negócios todo dia.

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