O Branco De Baixa Estirpe Canções de um Sourdough · Capítulo 14 de 20
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O Branco De Baixa Estirpe

Pois bem, a cerejeira se curva em flor, e a relva viva rebenta,

E o lírio, como estrela, aninha-se no verde;

E os sapos cantam suas alegrias, e meu coração soa em harmonia,

E não importa aquilo que eu poderia ter sido,

Enquanto, sobre a penumbra olorosa dos pinheiros, amontoando alturas de glória dourada,

O deus-sol pinta sua tela no ocidente;

Posso deitar-me fundo no trevo, posso escutar a história

Da água preguiçosa, lambendo a margem — isto é o melhor.

Enquanto a truta salta no rio, e o tetraz-azul estremece o

abrigo,

E a neve gelada denuncia a pista da pantera,

E o tordo saúda a alvorada com o arrebatamento de um amante,

Sou feliz, e jamais voltarei.

Pois sei que eu apenas ficaria ansiando pela pequena e velha cabana de troncos,

Com a campainha-azul agarrada à porta,

Até odiar os lugares da cidade, maldizer a preocupação em todos os rostos,

Virar as costas para Londres leprosa para sempre.

Assim, mandai-me para longe de Lombard Street, e anotai-me como fracasso;

Ponde um pouco em minha bolsa e deixai-me livre.

Dizei: “Ele se desviou da oferta da Fortuna para seguir um pálido fascínio,

Ele não é mais um dos nossos — deixai-o estar.”

Já não sou mais um de vós: pelas trilhas que meus pés abriram,

Pelos picos vertiginosos que escalei, pelo brilho da fogueira,

Pelos mares solitários em que naveguei — sim, a palavra final foi dita,

Estou assinado e selado à natureza. Assim seja.

O BRANCO DE BAIXA ESTIRPE

Este é o dia do pagamento lá nas minas, quando descem os brutos barbados;

Há dinheiro para queimar nas ruas esta noite, por isso mandei minha

klooch à cidade,

Com o rosto abatido e uma fita vermelha enlaçada em seus cabelos castanhos.

E sei que ao amanhecer ela voltará cambaleando para casa com as garrafas,

uma, duas, três;

Uma para si, para afogar a vergonha, e duas grandes garrafas para mim,

Para me fazer esquecer a coisa que sou e o homem que eu costumava ser.

Para me fazer esquecer a marca do cão, enquanto me encolho neste lugar

hediondo;

Para me fazer esquecer que um dia acendi a luz do amor no rosto de uma dama,

Quando até o sórdido siwash agora me tem por uma negra desgraça.

Oh, guardei bem o meu segredo! E quem sonharia, enquanto falo

Numa língua tribal como um patife ainda não enforcado, entre a imundície e o fedor

da casa do rancho,

Que eu podia deitar-me com uma frase latina, e levantar-me com um verso

grego?

Contudo fui, outrora, aluno laureado, e orgulho de uma equipe universitária de oito;

Chamado à advocacia — meus amigos eram leais! mas não conseguiram manter-me

direito;

Então veio o divórcio, e fui para o estrangeiro e “morri” no Rio da Prata.

Mas ainda não estou morto; embora, com meio pulmão, não haja tempo

a perder,

E espero que o ano me leve embora, e, graças a Deus, ninguém

se importará —

Salvo talvez a pequena e esguia moça siwash, com a rosa da vergonha nos

cabelos.

Ela virá com a aurora, e a aurora está próxima; posso ver seu brilho

maligno,

Como luz de cadáver vista por uma vidraça gelada numa noite de miséria

e dor;

E lá vem ela, junto aos pinheiros toureiros e desolados, cambaleando célere

pela neve.

A PEQUENA E VELHA CABANA DE TRONCOS

Quando um sujeito fica na pindaíba numa cidade de chão duro,

E não tem nada a receber, e não pode se dar ao luxo de comer,

E está enrascado por pousada, e vagueia para cima e para baixo,

E tu jurarias que andou bebendo, tão tonto vai dos pés;

Quando se sente furtivamente triste, e o cinto lhe pende frouxo,

E o rosto está chupado e meio cinzento, e o coração desce e

choraminga,

Então é bem capaz de pôr-se a pensar e a desejar estar de volta

Na pequena e velha cabana de troncos à sombra dos pinheiros.

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