Cena VII
CENA VIIPlácido e LeonídiaPlácido – Houve
há pouco uma pessoa, a quem não conseguiste enganar, Leonidia.
Leonídia – Nem tive esse pensamento,
meu amigo; lê esta carta; mas lembra-te de que hoje é o dia do casamento de
nossa filha: tem coragem e prudência.
Plácido (Lendo) –
“Cumpro um dever de amizade e prevenindo-te de que teu marido foi denunciado
como inimigo do Príncipe e da causa do Brasil; o governo toma medidas a esse
respeito; o denunciante, cujo nome não te posso confiar, é um moço ingrato e
perverso, que deve tudo a teu marido, que o acolheu em seu seio e tem sido o
seu constante protetor. Vês bem que este aviso, que te dou, pode, se chegar ao
conhecimento do governo, comprometer ao intendente. Fala-se na deportação do
senhor Plácido; mas há quem trabalhe em seu favor. Adeus.” Infâmia!
Leonídia –
Silêncio...
Plácido – Mas é
uma horrível calúnia que me levanta!
Leonídia – Sê
prudente, meu amigo; convém que não transpire este segredo; eu vou
imediatamente falar à minha prima, e conto desfazer toda esta intriga. Deus há
de ser por nós..
Promete-me ficar sossegado...
Plácido –
Sim...sim...vai...e sobretudo, e antes de tudo, traze-me o nome do infame
caluniador.
Leonídia – Hei
de trazer-te a alegria, mas não me lembrarei da vingança. (Vai-se)