Ato Único - Cena 18 Os Dois ou O Inglês Maquinista · Capítulo 19 de 30
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Ato Único - Cena 18

ENTRA CLEMÊNCIA

CLEMÊNCIA- É preciso que isso se decida. Ó lá de dentro! José?

UMA VOZ - DENTRO - Senhora!

CLEMÊNCIA- Vem cá. A quanto estão as mulheres sujeitas! Vai a casa do Sr. Gainer, aquêle

inglês, e entrega-lhe esta carta. SAI O PAJEM. NEGREIRO, DURANTE TODA ESTA

CENA E A SEGUINTE, OBSERVA, ESPIANDO.

NEGREIRO - À PARTE - Uma carta para o inglês!

CLEMÊNCIA- PASSEANDO - Ou com êle ou com nenhum mais.

NEGREIRO - Ah, o caso é êste!

CLEMÊNCIA- NO MESMO - Estou bem certa que êle fará a felicidade de uma mulher.

NEGREIRO - À PARTE - Muito bom, muito bom!

CLEMÊNCIA- NO MESMO - O mau foi êle brigar com o Negreiro.

NEGREIRO - À PARTE - E o pior é não lhe quebrar eu a cara...

CLEMÊNCIA- Mas não devo hesitar: se for necessário, fecharei minha porta ao Negreiro.

NEGREIRO - Muito obrigado.

CLEMÊNCIA- Êle se há-de zangar.

NEGREIRO - Pudera não! E depois de dar um moleque que podia vender por duzentos

mil-réis...

CLEMÊNCIA- NO MESMO - Mas que importa? É preciso por meus negócios em ordem, e

só ele é capaz de os arranjar depois de se casar comigo.

NEGREIRO - À PARTE - Hem? Como é lá isso? Ah!

CLEMÊNCIA- Há dois anos que o meu marido foi morto no Rio Grande pelos rebeldes, indo

la liquidar umas contas. Deus tenha sua alma em glória; tem-me feito uma falta que só eu sei.

É preciso casar-me; ainda estou moça. Todas as vezes que me lembro do defunto vem-me as

lagrimas aos olhos... Mas se êle não quiser.

NEGREIRO - À PARTE - Se o defunto não quiser?

CLEMÊNCIA- Mas, não, a fortuna que tenho e mesmo alguns atrativos que possuo, seja dito

sem vaidade, podem vencer maiores impossíveis. Meu pobre defunto marido! CHORA Vou

fazer a minha toilette. SAI

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