Ato Único - Cena 18
ENTRA CLEMÊNCIA
CLEMÊNCIA- É preciso que isso se decida. Ó lá de dentro! José?
UMA VOZ - DENTRO - Senhora!
CLEMÊNCIA- Vem cá. A quanto estão as mulheres sujeitas! Vai a casa do Sr. Gainer, aquêle
inglês, e entrega-lhe esta carta. SAI O PAJEM. NEGREIRO, DURANTE TODA ESTA
CENA E A SEGUINTE, OBSERVA, ESPIANDO.
NEGREIRO - À PARTE - Uma carta para o inglês!
CLEMÊNCIA- PASSEANDO - Ou com êle ou com nenhum mais.
NEGREIRO - Ah, o caso é êste!
CLEMÊNCIA- NO MESMO - Estou bem certa que êle fará a felicidade de uma mulher.
NEGREIRO - À PARTE - Muito bom, muito bom!
CLEMÊNCIA- NO MESMO - O mau foi êle brigar com o Negreiro.
NEGREIRO - À PARTE - E o pior é não lhe quebrar eu a cara...
CLEMÊNCIA- Mas não devo hesitar: se for necessário, fecharei minha porta ao Negreiro.
NEGREIRO - Muito obrigado.
CLEMÊNCIA- Êle se há-de zangar.
NEGREIRO - Pudera não! E depois de dar um moleque que podia vender por duzentos
mil-réis...
CLEMÊNCIA- NO MESMO - Mas que importa? É preciso por meus negócios em ordem, e
só ele é capaz de os arranjar depois de se casar comigo.
NEGREIRO - À PARTE - Hem? Como é lá isso? Ah!
CLEMÊNCIA- Há dois anos que o meu marido foi morto no Rio Grande pelos rebeldes, indo
la liquidar umas contas. Deus tenha sua alma em glória; tem-me feito uma falta que só eu sei.
É preciso casar-me; ainda estou moça. Todas as vezes que me lembro do defunto vem-me as
lagrimas aos olhos... Mas se êle não quiser.
NEGREIRO - À PARTE - Se o defunto não quiser?
CLEMÊNCIA- Mas, não, a fortuna que tenho e mesmo alguns atrativos que possuo, seja dito
sem vaidade, podem vencer maiores impossíveis. Meu pobre defunto marido! CHORA Vou
fazer a minha toilette. SAI